PSOL e Boulos
Apoiado por empresários e especuladores campanha de Boulos serviu para reforçar campanha pela frente ampla sem Lula
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Boulos-Erundina
Boulos e Erundina, sua vice | Reprodução Facebook

Em sua campanha, nesse curtíssimo período eleitoral, Boulos mostrou que na verdade não é um político radical, isto é, da esquerda radical e socialista. A fim de obter o apoio da burguesia abandonou inclusive o vocabulário mais esquerdista. Demonstrou, assim como os demais candidatos do Psol, que é mais um dos políticos que querem “governar para todos”. 

Durante sua campanha deu diversas mostras desta afirmação acima. 

Em primeiro lugar, a começar que não adotou em nenhum momento a cor vermelha, que é a cor tradicional do movimento operário, historicamente relacionada com o movimento revolucionário em todo o mundo. 

Pelo contrário, utilizou-se a cor roxa, buscando sua inspiração em partidos pequeno burgueses ao estilo do PSOL, como o Podemos da Espanha. 

Em sequência, as menções ao movimento que, em tese, é grande liderança, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), foram quase inexistentes. É de se esperar que um candidato líder de um movimento social faça uma grande campanha de propaganda de seu próprio movimento utilizando-se do destaque que recebe durante o período eleitoral. 

Demonstrou que na realidade sua propaganda eleitoral era direcionada a outro setor social, a classe média. Essa tese se provou em sua votação. Os distritos eleitorais em que obteve maior expressão no 1º turno, mais indicativo da real preferência do eleitorado, foram as zonas eleitorais dos bairros de classe média, como Pinheiros. 

Isto é, não cai bem para a burguesia uma propaganda em favor de centenas de milhares de desfavorecidos que ocupam terras, prédios, para se garantir através da força um direito mínimo que é a moradia. O papel de Boulos na eleição era outro. 

Ainda, antes do primeiro turno, Boulos foi recebido como um aliado na Associação Comercial de São Paulo, a “casa do liberalismo”, segundo um dos seus anfitriões. Em reunião com alguns de seus representantes afirmou “não esperem de mim a demonização do setor privado” e recebeu em resposta que “seu discurso é tão redondo, parece até um candidato de direita”. 

Um mês depois recebeu um manifesto de apoio assinado por empresários e agentes do mercado financeiro. Entre os assinantes, estavam o ex-banqueiro Eduardo Moreira e o empresário do agronegócio Luís Rheingantz. Vale lembrar que Eduardo Moreira participou da campanha golpista do impeachment contra a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT).  

E, para finalizar a campanha eleitoral com chave de ouro, o candidato do Psol recebeu o apoio de uma das herdeiras da Andrade Gutierrez. Fato que deve ter causado grande estranheza dentro do movimento sem-teto, afinal uma construtora é uma das principais inimigas de um movimento de ocupação de prédios e terrenos na cidade.  

Marília Andrade “doou” R$100 mil para o candidato psolista. Com esse valor, foi adicionada ao círculo de grandes doadores da campanha “do amor” em São Paulo. Constam nessa lista também Caetano Veloso e Paula Lavigne.

O resultado, após o segundo turno, na maior cidade brasileira, finalmente elegeu o golpista e tucano Bruno Covas (PSDB). Boulos perdeu, mas comemorou como se fosse uma vitória. Assim como ele, a imprensa golpista também festejou.

Ficou evidente que toda essa operação se tratou de uma manobra política muito bem montada para isolar o PT e, assim, tirar seus votos. O PT, neste sentido, foi incapaz de reagir e ficou de fora do segundo turno, tendo apoiado o candidato do Psol. 

Em complemento, os veículos de comunicação da imprensa burguesa festejaram “Boulos é o novo líder da esquerda”; “grande nome para disputar em 2022”, chegando ao absurdo de comparar Boulos com o ex-presidente Lula. 

Essa operação na eleição municipal tem um objetivo além da eleição do prefeito da cidade paulista. Trata-se da manobra da frente ampla em 2022, que consiste em formar uma frente sem o PT, mais especificamente eliminar a ala lulista e retirar Lula da liderança da esquerda. 

Uma matéria publicada no jornal golpista O Globo chamou atenção e não poderia deixar mais claro os objetivos da família Marinho, dona do maior conglomerado de comunicação do Brasil e um dos maiores do mundo. A matéria, em poucas palavras, defende e “abençoa” Guilherme Boulos como nova liderança nacional da esquerda brasileira. 

Neste sentido Boulos e o PSOL foram peças chaves nessa operação e seguiram perfeitamente o roteiro da burguesia. 

A busca de novos elementos políticos, que a burguesia está promovendo, é na verdade a tentativa de impedir a todo custo que a participação do PT como liderança em 2022. 

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