Boulos, que não quis se unir à frente popular para derrotar o golpe, agora quer frente ampla junto com golpistas

Presidential candidates (L-R) Ciro Gomes, Guilherme Boulos and Geraldo Alckmin are pictured ahead of a televised debate in Rio de Janeiro

Da redação – O ex-presidenciável pelo PSOL, Guilherme Boulos, divulgou um vídeo após o resultado do 2º turno das eleições no qual pretende se apresentar como líder da oposição imediata ao golpista eleito pela burguesia e pelo imperialismo, Jair Bolsonaro.

O discurso de Boulos é cheio de clichês pequeno-burgueses, no qual ele fala que o candidato da extrema-direita espalha o “ódio”, o “medo”, a “intolerância” e a “violência”. Boulos fala diz que Bolsonaro deixou “o país dividido” e que ele, Boulos, estará “lutando pela democracia”.

Boulos, como um pequeno-burguês, quer combater a extrema-direita sem as verdadeiras armas da classe trabalhadora. Criticando a violência de Bolsonaro e a divisão que ele, alegadamente, teria trazido ao país, Boulos demonstra que não quer violência nem divisão, embora a violência seja uma arma da classe trabalhadora para enfrentar no mesmo nível a direita e a divisão na sociedade seja intrínseca ao capitalismo, a divisão de classes sociais e sua luta impiedosa pelo poder.

O ex-candidato do PSOL quer uma “frente ampla pela democracia com todos aqueles que no 2º turno souberam se colocar no lado certo da história”. Ou seja, ele quer uma frente ampla com os golpistas, como Fernando Henrique Cardoso, Joaquim Barbosa, Marina Silva, Alberto Goldman e outros personagens da direita, ao invés de uma organização independente das massas populares que una os setores verdadeiramente progressistas da sociedade, como a classe operária, os camponeses, os estudantes, etc.

Essa organização independente é, por exemplo, a Frente Brasil Popular, recriada em meio ao processo golpista para organizar as massas e enfrentar os golpistas. E Boulos se recusou a formar parte da FBP, indo mais longe e criando sua própria frente, a Frente Povo Sem Medo, para dividir o movimento e tentar enfraquecê-lo, ajudando na prática a direita a concretizar o golpe de Estado.

É preciso ficar claro que não se pode fazer uma “frente ampla” ou “frente democrática” que inclua a direita, a burguesia e os golpistas, como quer Guilherme Boulos e partidos como o PDT de Ciro Gomes e o PSB, ou mesmo setores da ala direita do PT. As classe populares devem se unir de maneira independente da burguesia, com suas próprias organizações e programa, como a FBP, a CUT e o MST. Só assim poderemos derrotar Bolsonaro e todos os golpistas, libertar Lula e levar adiante um governo dos trabalhadores.