Alinhado com a direita
Guilherme Boulos promete aparelhar e ampliar a Guarda Civil Metropolitana, uma atitude que mostra sua aliança com a direita a favor da repressão do povo
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Polícia prende manifestantes em protesto durante a Copa do Mundo | Foto: Marco Bello/Reuters

No último dia 19 de novembro, quinta-feira, ocorreu mais um debate para o segundo turno das eleições municipais em São Paulo com o atual prefeito, Bruno Covas (PSDB) e o candidato Guilherme Boulos (PSOL). Em um momento do debate foi trazido o problema da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana (GCM). Boulos criticou o PSDB por ter feito um “desmonte” do aparato militar no estado:

“Quando eu critico, Bruno, a política de segurança eu não estou criticando individualmente os policiais militares ou os guardas civis. Aliás, a Polícia Militar que o PSDB desmonta, desvaloriza, não faz aumento salarial. Assim como não faz com a Polícia Civil. Eu conversei com guardas municipais. Eles estão desvalorizados, estão desprestigiados pelo seu governo e do Dória”.

Esta fala de Boulos demonstra claramente que ele é a favor de se investir nos aparelhos de repressão da população, algo completamente longe dos ideais da esquerda. Boulos quer aumentar os salários dos policiais e dar a eles novos equipamentos para que estes tenham melhores condições de reprimir e matar o povo, especialmente aqueles mais pobres e moradores da periferia.

Há um mês atrás Boulos já havia declarado a outro veículo da imprensa burguesa sua intenção de ampliar o efetivo da GCM em mais dois mil agentes até o final de seu mandato como prefeito da capital, além da instalação de bases dentro de regiões periféricas e ampliação da Patrulha Maria da Penha.

Vale lembrar que a GCM foi criada em 1986 na gestão de Jânio Quadros. Naquela época os agentes tinham poucas armas, todas emprestadas do Exército. Hoje em dia não há mais diferença entre GCM e PM, são todos igualmente dedicados à mesma função. A GCM é apenas mais uma forma de expansão da polícia e conta atualmente com 5981 agentes de repressão.

Há muito tempo que o Partido da Causa Operária denuncia o verdadeiro caráter da PM e da GCM. Nem é preciso muito esforço para nos lembrarmos dos milhares de mortes de pessoas, todos os anos, pelas mãos dos policiais militares e GCMs. Não é um problema dos indivíduos, mas uma política deliberada da burguesia para o controle da população. As estatísticas mais recentes mostram uma morte a cada 12 horas, não contando as mortes causadas por PMs de folga, ou fazendo bicos, como foi o caso do PM que estava fazendo um bico no supermercado Carrefour no Rio Grande do Sul. Por isso uma das nossas campanhas é pelo fim da Polícia Militar.

O fato de Boulos fazer toda esta campanha pela ampliação da GCM mostra que não há diferença entre o seu eventual futuro governo daquele praticado pelo PSDB nos anos anteriores. O que muda é apenas o discurso demagógico. A população na periferia sabe muito bem o que acontecerá com o aumento do efetivo da GCM, apenas muito mais repressão e mortes de gente pobre.

 

Líder do MTST?

 

Não é novidade esta disposição de Guilherme Boulos de fazer uma política de colaboração com a direita e seus instrumentos de repressão. Em um vídeo postado nas redes sociais um tenente-coronel aposentado da PM, Adilson Paes, relatou uma experiência que viveu com o chamado líder do MTST em agosto de 2010 em Taboão da Serra.

O oficial foi convocado para fazer uma reintegração de posse de um terreno ocupado pelo MTST na cidade e chamou para uma reunião as pessoas envolvidas, os autores da ação e integrantes do MTST, entre eles Boulos.

Segundo o tenente-coronel Boulos foi um parceiro, “uma pessoa ética, ponderada, que cumpre a palavra, busca o diálogo e o entendimento”.

Este depoimento é interessante já que evidencia a farsa de Boulos como líder popular de um movimento de trabalhadores sem teto. Ao invés de lutar em favor dos ocupantes, organizar e liderá-los na resistência, de fazer o confronto com as forças do estado, Boulos se ofereceu para apenas organizar a retirada pacífica das pessoas do local. Neste sentido o papel de Boulos foi apenas de sabotar as ações do movimento e dispersar as pessoas que faziam uma ocupação legítima. Não à toa o tenente-coronel se desmancha em elogios ao candidato e chama votos para ele no segundo turno.

 

Boulos e o Fica Bolsonaro

 

Mais recentemente Boulos esteve por trás da sabotagem dos atos Fora Bolsonaro quem vinham acontecendo todos os domingos na Avenida Paulista, atos organizados pelo PCO.

Guilherme Boulos interveio nestes atos sob a cobertura da Frente Povo Sem Medo. No dia 31 de maio as manifestações contra Bolsonaro e o fascismo foram ampliadas com a presença das torcidas organizadas de futebol, que varreram a direita da avenida e mostrava que o movimento estava em ascensão. Na semana seguinte Boulos tratou de estrangular o movimento, fazendo um acordo com o governo direitista de João Doria e a polícia dividindo o espaço da avenida, uma semana para a esquerda e a outra semana para a direita.

Boulos transferiu o ato que aconteceria no dia 7 de junho na Avenida Paulista para o Largo da Batata, no bairro de Pinheiros, um local sem repercussões para manifestações, o que significou a entrega de um importante espaço para os fascistas poderem se manifestar à vontade e com a proteção da polícia militar. Boulos tomou a decisão de fazer o acordo sem nenhuma legitimidade, já que não era parte da organização dos eventos, o que foi feito pelo PCO, torcidas organizadas e os Comitês de Luta.

Naquela ocasião Boulos ocupou-se em divulgar um Manifesto junto com Fernando Henrique Cardoso, a Rede Globo, Marina Silva, Ciro Gomes e outros setores golpistas, que não citavam o nome de Bolsonaro e nem defendiam movimento algum contra o governo. Era já uma manifestação evidente da Frente Ampla, um amplo movimento de aliança de setores da esquerda mais inofensiva com a direita golpista no sentido de sabotar o maior partido de esquerda do país, o PT e com isso isolar Lula e impedi-lo de concorrer nas eleições de 2022.

O capítulo seguinte da saga de Boulos contra as esquerdas aconteceu no dia 30 de junho quando os capangas de Guilherme Boulos foram à sede do PCO em uma clara tentativa de intimidação com uma ameaça física ao companheiro Henrique Áreas de Araújo que estava ainda no local. O ataque foi respondido com a chegada de dezenas de militantes do partido que confrontaram os capangas liderados por Danilo Pássaro. Este tipo de atitude, fascista, pode ser tomada como exemplo de como Boulos vai “dialogar” com a esquerda.

Após realizar este acordo com a polícia para impedir os protestos na Avenida Paulista o PSOL nunca mais participou dos atos Fora Bolsonaro, o que foi levado adiante praticamente apenas pelo PCO, que teve que ser obrigado a levar atos na Praça Roosevelt. O acordo de Boulos fez com que o PCO fosse ameaçado de ser multado em 200 mil reais caso desobedecesse a ordem de não realizar ato na Paulista na semana indicada e mais multas a cada participante individual, o que mostra o alinhamento da justiça burguesa com Guilherme Boulos, que nunca demonstrou nenhuma revolta contra isso.

Estes exemplos todos mostram o que será um eventual prefeito Guilherme Boulos. Para o diálogo com a população ele usará a PM, para dialogar com a esquerda vai mandar a GCM. E diálogo de verdade apenas com a Associação Comercial de São Paulo, com a Folha de São Paulo, o Estadão, a rede Globo, estes veículos ultrademocráticos que odeiam o povo, especialmente os mais pobres, que vivem na periferia, são de esquerda e principalmente os negros. E para vai usar seu velho discurso demagógico identitarista.

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