Boulos: o “líder” que vai levar a esquerda para o abatedouro

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Guilherme Boulos, ícone da incipiente “resistência pacífica e democrática” contra uma ideia eleitoral de fascismo, assume a “frente ampla” como método de luta e o “observatório jurídico” como método de autodefesa. Para o ex-candidado à presidência, o “embrião” dessa frente se desenhou no segundo turno, quando a esquerda “lutou” ao lado de Marina Silva e do PSDB. Traduzindo, o “lider” do MTST e da Frente Povo Sem Medo está chamando seus pares a apoiarem seus algozes na perseguição preparada pelos golpistas contra a esquerda brasileira.

A prática dessa muito peculiar forma de “resistir”, Boulos ensinou em seu discurso no prédio do Masp dois dias após a vitória de Bolsonaro pela fraude: “nós reconhecemos como legítimo o governo Bolsonaro”, é “fake news” denunciar a fraude eleitoral, é preciso agir “pacificamente” e travar uma luta parlamentar contra o fascismo, “O bolsonaro, presta a atenção, a sua casa vai virar ocupação!” dá cadeia, não pode falar. Contra Bolsonaro, apenas insultos infantis –  “Bolsonaro é presidente, não é imperador do Brasil”. Se essa é a maior conclusão a ser tirada da situação brasileira hoje, então qual seria o fundamento de todo o terror eleitoral da luta final da “democracia contra a barbárie” imposta à esquerda na semana anterior?

Isso o próprio Boulos responde. A grande vitória dessa campanha eleitoral desesperada seria o “embrião” da Frente Amplíssima de esquerda e golpistas contra uma ideia confusa daquilo chamado de “fascismo”. Contra esse fascismo imaterial, feito de “nuvem de ódio destilado”, portanto, cabem saídas parlamentares e saídas judiciais.  Contra “nuvens”, um “observatório jurídico”, com mais de 250 advogados, e uma rede de juristas são as saídas mais “eficazes” indicadas pelo líder do MTST e da Frente Povo Sem Medo.

Suas bases e ele mesmo, contudo, estão sob ameaças reais, cuja materialidade excede qualquer discurso inflamado ou técnica política mirabolante e puramente nominal de “resistência”. O fascismo real não se curva a qualquer uma dessas armas idealistas, pelo contrário. A extrema-direita se alimenta dos espaços cedidos pela esquerda confusa, capituladora e crente nos mecanismos institucionais burgueses chamadas tão divinamente de “Estado”. A verdade é simples: a mesma burguesia responsável pelo Estado, manda na Justiça, controla o Legislativo, subjuga o Executivo. A polícia, o exército, a repressão, também são braços da classe dominante. E, possuindo tudo isso, foi o capital, foram os patrões, aqueles que deram o golpe de Estado, aqueles que elegeram Bolsonaro e aqueles que optaram pelo fascismo como uma política de Estado a ser implantada à sua conveniência. Os agentes do fascismo são os mesmos agentes do golpe e da perseguição política a Lula. Nesse sentido, fica claro o tamanho do engodo levado pela política de Boulos ao chamar os sem-terra, para abraçar tucano e deixar a escolha da lei burguesa toda estrutura de resistência operária contra os ataques fascistas.

Isso é levar a esquerda para o abatedouro.

É preciso lembrar que não importou o número de pedidos de habeas corpus para Lula, as milhares assinaturas pelo pedido da anulação do impeachment anexadas ao processo de Dilma Rousseff, ou os inúmeros recursos jurídicos utilizados na tentativa de manter a candidatura favorita do ex-presidente. A tudo isso, a “justiça” respondeu com Sérgio Moro, Raquel Dodge, Carmen Lúcia, Dias Toffolli e general Fernando Azevedo e Silva.

O “cercar e não deixar prender” e o “ocupar brasília por lula presidente”, por sua vez, surtiram um resultado tão profundo, a ponto de nenhuma força repressiva ter se atrevido a intervir nessas situações. Não interviram e, ainda mais, cederam. Lula manteve-se no sindicato dos metalúrgicos do ABC até sair, por conta própria, fugir da população e se deixar prender. Em Brasília, a candidatura do maior perseguido político do golpe foi inscrita sem qualquer moção repressiva por parte da direita.

Nessas duas situações, o povo estava mobilizado, estava organizado. Os movimentos sociais tinham uma política de combate independente da burguesia e não nutriam uma esperança sequer em relação a classe dominante. A política era “lutar até o fim” e “invadir o TRE se for preciso”. Na luta de classe, é preciso lutar a partir de uma posição bem definida. No Brasil hoje isso significa que: é preciso formar Comitês de Luta Contra o Golpe para estabelecer os centros organizativos. É preciso formar os Comitês de Autodefesa para garantir a segurança das ações de maneira independente. É preciso comparecer e auxiliar na construção da 2a Conferência Nacional Aberta de Luta Contra o Golpe e Contra o Fascismo para estabelecer uma diretriz política clara a nível nacional, capaz de fazer recuar o golpe e seu viés fascista.