Esquerda pequeno-burguesa
Autointulado “líder” do MTST, candidato repete eleitorado do PSOL
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Guilherme Boulos | Foto: Reprodução

A última pesquisa de intenção de voto promovida pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE), o órgão de estatísticas da Rede Globo, demonstrou aquilo que já era óbvio: que a candidatura de Guilherme Boulos, do PSOL, só encontra algum apoio na classe média. Se considerarmos como verdadeiros os dados, Boulos teria apenas 2% das intenções de voto entre os eleitores que ganham até um salário mínimo e apenas 1% entre os que possuem o ensino fundamental. No entanto, entre as pessoas que ganham cinco salários e possuem ensino superior completo, Boulos soma 17% e 15%, respectivamente.

Boulos e o PSOL teriam todo o direito de contestar o resultado das pesquisas. Afinal de contas, as Organizações Globo são uma das maiores fábricas de mentiras do País. Mas não fazem isso. Por um lado, porque a campanha de Boulos e do PSOL depende integralmente da imprensa burguesa. Boulos não tem um jornal próprio, nem qualquer órgão de imprensa relevante que seja controlado unicamente pelos setores que lhe apoiam. Ex-colunista da Folha de S.Paulo, o candidato construiu toda a sua trajetória política nas capas do cartel da imprensa golpista. Por outro lado, Boulos e o PSOL são incapazes de denunciar uma possível manipulação do IBOPE. Por um lado, isso destruiria sua propaganda de crescimento nas pesquisas dos institutos burgueses, sujaria a credibilidade que eles mesmos tentam dar a essas pesquisas. Além disso, no final das contas, o resultado que ramifica as classes sociais expressa uma verdade: o “líder” do MTST não tem uma base popular real.

Apesar de toda a propaganda de que Boulos seria uma figura popular — para os mais empolgados, um substituto de Lula —, ele é apenas mais um candidato do PSOL. Ou seja, um elemento direitista da esquerda nacional que apenas consegue o apoio de parcelas muito pequenas da pequena burguesia. O eleitorado abastado e conservador de Boulos é, nesse sentido, o mesmo que o do deputado federal Marcelo Freixo, no Rio de Janeiro, cuja base é praticamente a mesma que votou em Aécio Neves na cidade. Além disso, como candidato do PSOL, Boulos é, na verdade, candidato de si mesmo. É o partido que atua em sua função, e não o contrário. É, a bem da verdade, um político oportunista.

A candidatura Boulos-Erundina é uma candidatura tipicamente pequeno-burguesa porque, no final das contas, defende um programa reacionário e direitista e porque não está fincada sobre qualquer movimento popular real. Lula, por exemplo, não se tornou uma liderança nacional porque foi convidado a escrever na Folha de S.Paulo, porque foi elogiado por José Luís Datena, porque assinou manifestos com Armínio Fraga e Fernando Henrique Cardoso ou porque fez acordos com João Doria para acabar com os atos Fora Bolsonaro em São Paulo, como fez Guilherme Boulos. Lula é até hoje o maior líder popular do País porque surgiu de um gigantesco movimento, com características revolucionárias, que foi o movimento operário contra a ditadura militar. Da mesma maneira, o que fortalece a figura de Lula não é a defesa de pautas reacionárias, como a defesa que Guilherme Boulos faz da Guarda Civil Metropolitana (GCM), ou de pautas identitárias pró-imperialistas, como a defesa do PSOL do “combate à corrupção”.

Uma fala de Juliano Medeiros, presidente do PSOL, ajuda a esclarecer porque o partido não tem uma inserção real no meio da população:

O PSOL é mais conhecido nos setores que vivem de perto a política. Somos um partido vinculado a universitários, funcionários públicos, movimentos feministas

A alegação, obviamente, é completamente falsa. Os trabalhadores e oprimidos, que sofrem como ninguém os ataques dos capitalistas, vivem muito de perto a política. Os trabalhadores, que estão sendo demitidos diariamente e perdendo seus direitos, sabem discernir muito bem a política reacionária da burguesia e a política revolucionária da luta contra o imperialismo. Não fosse assim, não haveria sindicato, ou apenas haveria sindicato dos professores universitários e funcionários públicos.

O que o presidente do PSOL acredita, no final das contas, é que os trabalhadores são despolitizados por não votarem no PSOL. Uma característica profundamente reacionária que mostra que, no fim das contas, o PSOL não é um partido das massas, mas sim um partido da pequena burguesia, que está anos-luz das demandas reais dos mais explorados. O que é comprovado tanto por pesquisas de opinião como pelo reconhecimento público de seus dirigentes.

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