Boulos, Manoela e Ciro: a esquerda que se oferece para ser “alternativa” dos golpistas

No último fim de semana, Guilherme Boulos, formado em filosofia e dirigentes nacional do MTST, lançou sua pré-candidatura à Presidência da República, pelo PSOL, com uma grande novidade na história política do País. Pela primeira vez um candidato se lança na disputa para ser o presidente da República, sem nem mesmo ser filiado ao partido.

Em meio a um certa crise provocada no PSol por esta “novidade”, Boulos e a cúpula do partido, resolveu promover sua filiação ao partido Boulos, Manoela e Ciro: a esquerda que se oferece para ser "alternativa" dos golpistasna segunda-feira, dia 5.

 A candidatura foi lançada sob os auspícios de artistas globais, ou “celebridades” – como anunciou a tucana Folha de S. Paulo -, inclusive Caetano Veloso, “que já se disse simpático a outro concorrente“, Ciro Gomes e faz campanha pelo pedetista há mais de um ano.

“A candidatura abre uma dissidência na base de apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, comemorou o golpista jornal O Globo.
A repercussão do lançamento deixou, mais uma vez, evidente que essa candidatura conta com apoio  da imprensa que apoia o golpe de Estado – e em alguns casos até mesmo  o golpe militar – e a prisão e/ou cassação do ex-presidente Luíz Inácio Lula da Silva, que não so lidera com larga margem de votos as pesquisas de opinião, como é claramente, o único candidato da esquerda em condições reais de disputar com chances reais as eleições com os possíveis candidatos da direita. Se confirmada a candidatura de Boulos ficará mantida a tradição do PSol de servir de “barriga de aluguel”, cedendo a legenda do partido para elementos da burguesia e pequeno burguesia que desejam usar o partido para conquistar cargos (como o deputado Cabo Daciolo, do Rio, hoje no PTdoB; do ex-presidente do partido e ex-presidenciável, senador Randolfe Rodrigues, hoje na Rede) e depois abandonar a legenda ou para dar um “up” em suas carreiras políticas (como a ex-senadora, também ex-presidente do partido e ex-candidata presidenciável, Heloísa Helena, também na Rede), sem qualquer compromisso real com o partido, seu programa, seus militantes etc. Isso quando Boulos, como outros candidatos da esquerda, anunciam que o motivo de suas candidaturas seria a defesa de “programas” ou “idéias”, que – neste caso, não seriam as do partido mas as “suas” ou dos grupos a que servirão nas eleições.

Fora do PSOl, Boulos se junta aos pré-candidatos à presidência do PCdoB, Manuela D’Avilla e do PDT, Ciro Gomes,Boulos, Manoela e Ciro: a esquerda que se oferece para ser "alternativa" dos golpistas 1na tentativa de conquistar um “lugar aos holofotes” da imprensa golpista na possível disputa eleitoral, cada vez mais ameaçada de não se realizar, pela enorme crise dos partidos da burguesia e do regime golpista e do fortalecimento dos generais e outros comandantes das FFAA que pregam e trabalham em favor de um golpe militar.

A disputa entre eles, não se resume a conquistar o apoio de setores golpistas, destacadamente da venal imprensa burguesa, interessada em promover uma suposta divisão da esquerda e enfraquecer a luta contra o golpe, a intervenção militar etc. Em níveis diferentes buscam se diferenciar e até mesmo atacar abertamente o ex-presidente Lula, mesmo depois deles mesmos ou seus partidos terem integrado seus governos e o de Dilma, de frente popular. Destaca-se o caso de Ciro, que elogiou a agilidade da justiça para condenar Lula e cujo partido, depois de dar alguns votos para o impeachment da presidenta Dilma, agora, votou a favor da intervenção militar no Rio de Janeiro.

Como abutres, depois de não lutarem contra – como Boulos que pregou, por um longo período que  eixo deveria ser a luta contra os “ajustes” do governo Dilma e não contra o golpe, ainda em 2016,  às vésperas do impeachment – ou abandonarem “o barco” logo apos a consumação do golpe, agora, eles querem disputar  espolio de Lula, diante da sua possível condenação e ilegal prisão e cassação de direitos políticos, abandonando – de fato – qualquer luta contra um dos pilares fundamentais da luta contra o golpe na atual etapa, uma vez que o principal problema da direita golpista é justamente impedir a candidatura de Lula para que, no caso, de realizar eleições, ter condições de impor um processo fraudulento no qual triunfe um candidato da direita que sirva para legitimar minimamente o regime golpista. Para esta manobra,  apoio de setores da esquerda é uma questão