Líder de vitrine
Boulos não é nenhum líder, foi levantado pela impressa golpista para prestar um favor ao golpe de Estado; agora, recebe suas medalhas
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A flor de estufa do regime golpista | Foto: Reprodução

O candidato a “líder popular” Guilherme Boulos foi levado a esse posto em uma série de manobras desde o pré-golpe, como a campanha contra a Copa, até o ápice que foi as eleições municipais. Boulos chegou a esse posto de “líder” durante essas eleições que se sucederam, antes disso a manobra Boulos havia pouco alcance. Em 2018, por exemplo, quando Boulos se lançou a candidato a presidência da república pelo PSOL, ele teve cerca de meio milhão de votos, sendo a pior derrocada do PSOL nas eleições em todo período em que o partido existiu. 

Mesmo com essa situação péssima para se lançar a “líder”, o seu passado no movimento dos sem-teto levanta dúvidas sobre o caráter dessa popularidade, deixando uma brecha a uma legitimidade dessa dita popularidade. A dúvida em relação a essa “popularidade” de Boulos é sua relação com o MTST e sua atuação, segundo ele próprio de 20 anos no meio do movimento dos sem-teto. Para o público mais caracteristicamente de esquerda causa uma confusão de como uma figura dos movimentos sociais pode ser usado pela direita.  

A margem de confusão que está implícito dessa dúvida em relação a Boulos é a mistificação completa em relação as figuras que permeiam os movimentos sociais. Teríamos que seguir a premissa que todo mundo que participa dos movimentos sociais é combativo, o que é algo previamente absurdo. Para compreender melhor esse problema é necessário algumas linhas sobre o problema do sindicalismo brasileiro. 

No País existem cerca de 100 mil sindicatos. A maioria passa longe de serem revolucionários, combativos, e nem sequer relativamente comprometidos com a luta dos trabalhadores por suas reivindicações econômicas. A maioria desses sindicatos, podemos dizer tranquilamente, está a serviço da burguesia. O fato de as pessoas estarem encabeçando nesse sentido movimentos sociais não dizem respeito a nada de sua política. 

Pode-se dizer, embora, que boa parte desse sindicalismo é relacionado a forças diretamente patronais, como a Força Sindical. Mas mesmo o sindicalismo dito revolucionário, combativo, está a serviço da classe patronal. Um exemplo evidente dessa absoluta contradição é a Conlutas, uma central sindical que podemos dizer sem nenhum problema que é uma caixa de brinquedos desse partido. Mesmo onde a Conlutas tem uma enorme influência, como o sindicato de São Jose dos Pinhais (SP), quando as direções se veem confrontadas com uma ação do patronato para demitir centenas de trabalhadores, a saída apostada é uma negociação pífia, sem nenhuma pressão, nem sequer uma fraca greve. Tivemos a oportunidade ver em diversos movimentos o PSTU nos sindicatos correndo atrás de pedir ao Temer e até mesmo o Bolsonaro que não demitisse os trabalhadores. O que é não só um serviço bem prestado a burguesia, como extremamente desmoralizante.  

O movimento social de Boulos não é combativo, como no sindicalismo, é um movimento clientelista. Pode-se argumentar que chega a ocupar terrenos, coisa que concordamos, de fato. Mas está longe de estar aí para matar ou morrer. Ninguém sabe, ao certo, o que Boulos fazia nesse movimento. As poucas coisas que sabemos é uma atuação frustrante, que levou o apoio eleitoral até de um coronel da PM de como Boulos conduzia “pacificamente” os assentados para o olho da rua.  

Um exemplo que comprova que a participação das direções burocráticas a serviço da burguesia é a própria categoria que mais realizou greves no último período, o Correio. Nesse ano os trabalhadores entraram em greve contra a privatização da empresa, que gerou um duro ataque do governo golpista contra os trabalhadores. A função das direções foi de, basicamente, boicotar a greve. Não era um enfrentamento de fato por parte das direções, o fato de a pessoa encabeçar um movimento de greve ou um movimento de luta reivindicativa e ela ser um grande político combativo é um mito. 

O movimento do MTST, que saiu de dentro do MST, sendo uma dissidência desse, é totalmente direcionado para o Boulos, principalmente durante a campanha golpista do “não vai ter copa”. Nos atos supostamente do movimento não havia desempregados contra a falta de moradia, mas um punhado de pequeno-burgueses fazendo uma campanha golpista contra o PT, para derrubar o governo. Que foi conseguido, não por mérito próprio, mas por uma campanha e o cacife político da direita. 

Lula é um nítido exemplo da direção de um líder de um movimento real, de um líder artificial e de uma burocracia. Não é líder de um sindicato x, y ou z. Embora haja críticas a sua atuação nas greves, ele esteve à frente das maiores greves do País, as greves do ABC. Propôs e organizou a fundação da CUT, uma central sindical real dos trabalhadores. Isto é, mobilizou e organizou, e ainda tem essa presença, a classe operária e a classe trabalhadora, seus elementos mais combativos e dispostos. Foi o fato de desestabilização da ditadura, fazia campanha contra o regime do Delfim Netto que fraudava os índices de inflação e levava os trabalhadores a ganhar um salário de fome. 

Está cheio de “Boulos” por aí, o que acontece é um movimento artificial, levantado sobre a base de elogios da imprensa burguesa. O “líder” projetado para o estrelato por um movimento de boicote a Copa, não é digno de reconhecimento; como qualquer figura que nessas situações é alavancado pela máquina de propaganda da burguesia. No mais, Boulos é um instrumento da burguesia, um peão artificial, lançado e floreado durante o golpe.

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