“Frente ampla”
Alianças com os setores diretamente envolvidos com o golpe de 2016 no momento em que a polarização política aumenta é uma enorme traição
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ACSP
Associação Comercial de São Paulo | Foto: Reprodução

Depois de figurar nas pesquisas da Rede Globo como um candidato apoiado basicamente pela pequena burguesia paulistana, Guilherme Boulos, candidato a prefeito de São Paulo pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) participou de uma sabatina promovida pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Bastante elogiado pelos sócios da associação — isto é, pelos capitalistas —, Boulos respondeu com igual simpatia: declarou que não pretendia “demonizar” os empresários.

A declaração de Guilherme Boulos não permite qualquer ambiguidade. Quem participa de um evento promovido pelos capitalistas, é adulado com frases como “seu discurso é tão redondo, parece até candidato de direita” e retruca com “não esperem de mim demonização do setor privado” está dizendo, claramente, que a burguesia não é sua inimiga. Ou, em outras palavras, que estaria disposto a se aliar com a burguesia.

Esse tipo de constatação não causa grande surpresa. Afinal, para quem acompanha a trajetória de Boulos, não é difícil identificar que se trata de uma figura cuja carreira foi toda projetada pela burguesia. O candidato do PSOL passou a ser relativamente conhecido no meio da intelectualidade pequeno-burguesa durante o período em que se tornou colunista da Folha de S.Paulo para atacar o governo de Dilma Rousseff. Após lançar uma candidatura própria para concorrer com o PT em 2018 e permanecer nas páginas da Revista Veja e na tela da Rede Globo, Boulos ingressou, neste ano, em uma nova etapa de sua conciliação com os golpistas. Tentou intervir nos atos Fora Bolsonaro, para favorecer a política do PSDB em São Paulo, e, agora, está sendo apoiado por setores reacionários como José Luís Datena e Vera Magalhães.

Mas apontar Boulos como um conciliador, ainda mais a partir de sua própria confissão, tem uma importância. Boulos e o PSOL sempre procuraram se apresentar como uma alternativa radical, à esquerda do PT. Seriam, assim, a esquerda que se nega à política de conciliação de classes,  para os mais empolgados, que hoje estão bem escondidos, a esquerda que se reivindica “revolucionária”. Tanto é assim, que partidos que se dizem comunistas, como a Unidade Popular (UP) e o Partido Comunista Brasileiro (PCB), estão apoiando a candidatura de Boulos. Agora, no entanto, não dá mais para sustentar essa tese.

Os que ainda tentam defender Guilherme Boulos, procuram justificar dizendo que ele estaria seguindo a mesma política de Lula e do PT. Isto é, que o PSOL não deveria ser “demonizado” por não “demonizar” os empresários, uma vez que Lula e o PT governaram junto com o PMDB, a Odebrecht e a burguesia em geral. Esse argumento, que é levantado, muitas vezes, pelas viúvas do stalinismo, é completamente falso.

O fato é que existem diferentes tipos de conciliação de classes. Todas, de um ponto de vista geral, são uma face negativa da política da esquerda, pois entram em conflito com a tentativa da classe operária se organizar de maneira independente da burguesia e tomar o poder. Obviamente, se um partido de esquerda que tem prestígio junto às massas abre mão de ter uma imprensa própria, divide seu governo com os políticos corruptos e falidos do regime etc., estará desperdiçando uma oportunidade de derrubar a ordem social vigente. Contudo, não é possível igualar a conciliação de classes operada pelo PT nos anos 2000 com a conciliação de classes operada pelo stalinismo por décadas, nem é possível equiparar a política de Lula à política de Guilherme Boulos.

O governo do PT se estabeleceu após a falência do partido oficial do imperialismo no Brasil, o PSDB. Embora Lula tivesse de fazer uma série de concessões à burguesia e ao imperialismo, seu governo correspondeu a um período em que a burguesia, diante da profunda crise da “primeira onda neoliberal”, procurou estabelecer uma convivência “democrática” com setores nacionalistas da América Latina. Agora, no entanto, os setores com quem Boulos está se aliando são justamente os que deram o golpe há quatro anos. Setores, inclusive, que não querem sequer admitir a possibilidade de Lula ser candidato. A conciliação de classes de Guilherme Boulos é, nesse sentido, uma política muito mais reacionária: serve para jogar um balde de água fria em todo o movimento de luta contra o golpe e tentar ressuscitar a direita mais odiada da população e linha de frente do golpe que derrubou Dilma Rousseff.

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