Boulos e PSTU vão às eleições fraudadas com programas imaginários e semeando ilusões

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PSOL, PCB e PSTU participam das eleições de 2018 como se um golpe de Estado não estivesse em curso no país. Boulos lançou sua pré-candidatura ao iniciar o movimento Vamos! há um ano e meio, em que se dedicou a percorrer o país discutindo um programa eleitoral em lugar de mobilizar a população na luta contra o imperialismo. O PSTU, por sua vez, até hoje não admite que estejamos passando por um golpe.

Como de hábito em períodos eleitorais, o caráter francamente reformista da esquerda pequeno-burguesa vem à tona: dedicam-se a adaptar os programas de seus partidos, supostamente revolucionários e radicais, em adocicadas propostas social-democratas de modo a granjear votos e, quem sabe, lograr obter algum cargo na institucionalidade burguesa. É uma contradição que deve ser denunciada com firmeza.

O PSOL e o PCB lançaram a candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) à Presidência da República como se estivéssemos atravessando uma situação de absoluta normalidade democrática. Num programa de 228 páginas e 19 capítulos, a coligação Vamos sem medo de mudar o Brasil desenvolve um minuciosos plano de governo ideal dentro da institucionalidade burguesa. O nível de detalhamento dá a medida do caráter ilusório das propostas. Trata-se de ludibriar os incautos com a promessa de um Estado capitalista supostamente justo, descrito com preciosismo ficcional.

Não cabe aqui uma análise aprofundada do acanhamento reformista do programa. Basta apontar que se trata evidentemente uma proposta centrista, ziguezagueante, destinada a agradar a esquerda e a direita sem tomar posição clara. Ao tratar de política urbana, por exemplo, a coligação propõe contraditoriamente a criação de um “Sistema Único de Cidades que apoie a produção, manutenção e reforma das cidades de forma descentralizada e multissetorial” – o que quer que isso signifique.

Já a candidatura de Vera (PSTU), verdade seja dita, tem ao menos o mérito de não castigar o eleitor com um texto extenso. Num programa de cinco páginas, desenvolve 16 pontos de um programa socialista para o Brasil contra a crise capitalista. Desnecessário dizer que um verdadeiro programa socialista não se restringiria ao Brasil e nem se oporia à crise capitalista.

Em ambos os casos, a contradição a ser denunciada é antes de tudo o caráter ideal das propostas, desvinculado de uma mobilização real que mude a correlação de forças no embate contra o imperialismo. São palavras vazias, carentes de amparo em ações mais definitivas desses grupos na luta contra a onda golpista que se alastra pela América Latina e que açoita cada vez com mais força a população brasileira.

Cabe lembrar: Boulos foi uma das lideranças do movimento Não vai ter copa, que se juntou à onda de coxinhatos iniciados em 2013 no Brasil. Depois criou a Frente Povo sem Medo, destinada a dispersar a luta contra o golpe e seguir combatendo o PT. A Povo sem Medo apressou-se, por exemplo, em pedir eleições diretas ainda em julho de 2016, durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Ou seja: embora de modo velado, apoiava a deposição da presidenta eleita. Por fim, Boulos criou em 2017 o movimento Vamos! destinado a discutir o seu programa eleitoral para 2018 em auditórios universitários do país, abandonando as mobilizações de rua. Compareceu como orador nos palanques dos atos contra a prisão de Lula em Curitiba e Porto Alegre, sem no entanto mobilizar para qualquer deles o Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST), que lidera.

Já o PSTU caiu em completo descrédito e desagregação ao lançar a palavra de ordem fora todos durante as mobilizações contra o impeachment de Dilma. Numa sucessão de lamentáveis desacertos na leitura da conjuntura – assemelhados aos do PCB –, classificou o PT como partido de direita. Alinhou-se com o discurso do Partido Democrata norte-americano – representante do establishment global –, defendendo intervenções imperialistas na Venezuela, na Síria e na Nicarágua.

A participação desses partidos no processo eleitoral passa ao largo da prisão de Luiz Inácio Lula da Silva – principal candidato à Presidência da República – que os golpistas pretendem impedir de concorrer no pleito. Tal política joga areia nos olhos da população, confundindo-a com a promessa de superação do golpe pela via eleitoral.

São as eleições conduzidas pelos golpistas, destinadas a criar um verniz democrático para os ataques à população que fatalmente se aprofundarão em 2019. Do mundo das ideias, como num conto de fadas, Boulos e Vera prometem trazer o socialismo por meio das urnas controladas pelo imperialismo.

Somente mudando a correlação real de forças por meio da mobilização da população pode-se combater essa ofensiva. Tal organização das forças populares hoje concentra-se na luta pela liberdade de Lula e por seu direito de concorrer nas eleições: com clareza, combate resoluto ao golpe e sem ilusões eleitorais.