Boulos é o líder da esquerda golpista

guilherme-boulos-20180310-0063

Para dominar o povo, a burguesia sempre lança mão da confusão e da enganação, já que o seu objetivo real é manter-se como classe exploradora. Obviamente, se isso fosse proposto claramente, ninguém aceitaria. Ao longo da história a burguesia foi criando um extenso arsenal de armas de enganação política. Uma das mais tradicionais é pintar um movimento, partido ou mesmo candidato de direita com as cores vermelhas da esquerda.

Este é o caso exato de Boulos.

Não resta dúvida que a direita está avançando com todas as forças sobre a população, impondo aos brasileiros uma crise político-social talvez sem precedentes em nossa história, tudo através do golpe de estado que foi inaugurado com o impeachment da Presidenta Dilma Rousseff.

Toda política que favoreça este movimento é evidentemente direitista até a sua mais profunda essência, e Boulos dela participou na época em que o golpe estava sendo preparado, durante a sua execução com o impeachment, e até agora, segue dando uma força no momento em que a direita luta por um “fechamento” de legitimidade com as eleições de fachada que estão sendo preparadas.

De fato, Boulos começou a ser mais conhecido justamente como um dos grandes apoiadores do movimento direitista “não vai ter copa”. Tratava-se já então de começar uma campanha contra os governos do PT, buscando impedir que o sucesso da Copa do Mundo pudesse favorecer a campanha eleitoral de Dilma Rousseff. O plano A da burguesia então era o de eleger Aécio Neves, de forma similar com o que ocorreu na Argentina, com a eleição de Macri.

Perdida a eleição para o PT, a burguesia colocou em ação todas as suas forças para dar o golpe no governo eleito , usando a imprensa golpista como uma das principais armas, como todos sabemos. E onde encontramos o Boulos nesta ocasião? Por “coincidência” na redação de um dos jornais mais tipicamente burguês e golpista do Brasil: a Folha de São Paulo.

Nesta época, Boulos enchia as linhas do tradicional jornal da burguesia paulistana não com uma denúncia ostensiva contra todos os mecanismos golpistas colocados em movimento pela direita. Ao contrário, considerava mais conveniente criticar o “ajuste fiscal” de uma Dilma acuada, que naquele momento ainda tentava amainar os ânimos da direita, na ilusão de assim parar a sanha golpista que despencava sobre nossas cabeças.

E então veio o golpe. Dilma caiu e começaram a tomar vulto os movimentos de rua de luta contra o golpe, com manifestações populares, chegando até a ensaiar greves gerais. O povo dava mostras de que poderia partir para a radicalização contra o governo golpista.

O que fez então o “nosso” Boulos? Ao invés de juntar-se, ombro a ombro nessa luta, preferiu dividir o movimento, criando, sem qualquer justificativa, um grupo próprio, o “Povo Sem Medo”, em cujas manifestações não se falava de golpe, mas que logo veio à carga com campanhas dispersivas e inúteis como foi o “Fora Temer” e as “Diretas Já”.

E isto tudo em um momento particularmente delicado para os golpistas, que tinham de conseguir contornar as oposições a um golpe de estado ainda recente, anulando as posições mais à esquerda, literalmente dividindo o povo para poder nos governar. Tudo feito com grande sucesso, mais uma vez, com uma ajudinha providencial de Boulos.

Por fim, chega o momento decisivo das eleições de 2018. Lula – vítima direta da mais deslavada perseguição política – se lança candidato em condições quase revolucionárias. A situação se radicaliza até à violência fascista contra a esquerda, momento em que todos os movimentos sérios de esquerda seguem em proteção ao único líder das massas capaz de realmente colocar algum receio na burguesia de perder o pleito eleitoral. Novamente encontramos Boulos agindo da forma que a direita gosta, lançando-se candidato à Presidência da República, legitimando o processo eleitoral golpista.

Sua candidatura tem plena visibilidade na imprensa golpista, com um reportagem de puro marketing populista na mesma Folha de São Paulo favorecendo sua esposa, ou sentando-se na mesma cadeira em que o Moro estivera poucas semanas antes, no direitista programa da TV Tucana, “Roda Viva”.

Neste programa, inclusive, afora afirmar en passant que Lula está preso sem provas, o tema principal foi a defesa de seu próprio programa de governo, onde, já avisa, os empresários não serão “demonizados” nem os banqueiros excluídos.

Ou seja, o candidato do PSOL nada mais defende que uma política claramente direitista, apenas um um toque vermelho aqui e ali. É uma verdadeira magia para a direita, que quer vencer as eleições com aquele ar de legitimidade, mas que somente tem condições de ganhar se disputando com pseudo-candidatos como Boulos.

Até mesmo o socialismo como conceito, nas mãos de Boulos, transformou-se completamente para enfim… ganhar um conteúdo burguês. Para ele, socialismo representa “oportunidades iguais para todos”, ironicamente, um dos mais tradicionais lemas da burguesia, ideia central usada por aquela classe contra os privilégios da aristocracia feudal. O direitista de vermelho esquece que socialismo é o sistema econômico sem classes, da igualdade plena entre todos, situação em que não tem sequer sentido defender uma igualdade apenas de “oportunidades”.

Da mesma forma, não tem sentido nenhum falar que alguém é de esquerda só por conta de um discurso ou outro, de uma bandeira vermelha, ou porque tem um cargo de direção de um movimento popular. Líder da esquerda é quem leva avante concretamente a política da esquerda. A política que protege e defende as classes trabalhadoras, algo que nenhuma das ações concretas do Boulos chegou nem perto de fazer até agora.