“O gabinete do amor”
Guilherme Boulos, lançado pela legenda do PSOL, e Bruno Covas, trocam afagos no debate da CNN e mostram o que é a frente ampla: pavimentar o caminho para direita
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
16112020---guilherme-boulos-psol-e-bruno-covas-psdb-antes-do-debate-da-cnn-brasil-para-a-prefeitura-de-sao-paulo-1605571149888_v2_1920x1279
Boulos em Covas trocando sorrisos amorosos antes do debate | Foto: Kelly Queiroz/CNN Brasil

Ontem, 16/11, teve início o primeiro debate entre os candidatos escolhidos pela burguesia para “disputar” a prefeitura de São Paulo, realizado pelo CNN. São eles Bruno Covas, do PSDB, e Guilherme Boulos, lançado pela legenda do PSOL. De um lado, estava representado uma figura ligada a FIESP, aos grupos de banqueiros, financiados por grandes capitalistas e figura de confiança desses grupos, um dos responsáveis por destruir o Estado de São Paulo e o candidato do fascista governador do Estado,  Joao Doria. Do outro, uma candidatura sem lastro social real, “popular”, que se restringe apenas aos bairros de classe média de São Paulo, o “líder” das manifestações no Largo da Batata, embora fosse uma figura mais pálida na multidão dos atos da Av. Paulista, uma esquerda bem vista por toda direita, elogiada por toda a grande imprensa golpista nacional. O debate entre as duas figuras não poderia ser diferente: tapas de luvas de pelica, criticas mornas, afagos; e, claro, uma enchente de demagogia de ambas as partes.  

Para o telespectador era difícil diferenciar quem era a esquerda e a direita do debate, afinal o vermelho faltava até em gravatas. Era o debate dos “civilizados”, cheio de respeito e amor. O que poderia diferenciar, de algum modo, para quem se aventurou assistir ao debate, seria saber quem é Guilherme Boulos, de qual partido, mas o candidato não se deu ao trabalho de citar em nenhum momento de qual partido faz parte. Restou o estilo, já que Boulos trazia consigo a clássica barba uspiana e Covas estava parecendo um político tradicional da direita golpista; apático, sem emoção, tranquilo do que virá, pois, a máquina eleitoral está a favor dele, independente das asneiras que falar. No conteúdo, alguns deslizes da direita e da esquerda. Enfim, um baile de oportunismo e carreirismo, deixando qualquer um confuso sobre quem é quem. 

O debate foi politicamente pedagógico e esclarecedor do porquê tanto Covas, quanto Boulos, foram os escolhidos para pavimentar a vitória da direita golpista, em especial o Centrão, nas eleições municipais. Bruno é, como dito acima, figura cujo grupo político nunca fica de fora do clássico segundo turno das eleições, mas e Guilherme? Esse, por sua vez, é o que é conhecido na linguagem popular como o “bom menino”. Aquele que não ataca, não denuncia, não incomoda. Na política, isso recebe o nome de cooptado, uma oposição bem-comportada; que não é uma oposição de fato. Foi assim em todo debate. Um mar de “amor” e uma falta de críticas e denúncias.  

E com um “você deixou a desejar” começa a primeira crítica amorosa de Guilherme Boulos a seu suposto rival nas eleições. Antes, claro, sem deixar de se referir com o eleitoreiro “se eu for eleito”. E isso se repete, repete, repete… durante uma hora e meia.  

Primeiro essa parte sobre o coronavírus veio bem a calhar, porque ambos os candidatos oferecem uma política inócua para a situação de gigantesca crise sanitária, que está sendo usado por figuras como Bruno Covas para realizar um verdadeiro genocídio da população. Boulos oferece um programa lindo para acabar com o coronavírus e Covas diz que tem esse programa e ele está em marcha. É difícil saber qual é mais mentiroso. Em nenhum momento Boulos faz uma dura crítica e convoca a população para barrar o genocídio. É algo morno, de compadre. Sem contar que a postura defensiva de Boulos é para deixar qualquer um com os dois pés atrás. Claro que haveria essa defensiva, já que ele mesmo tem suas ligações com essa política. Como sabemos, Marcos Boulos, seu pai, é de um cargo de confiança do PSDB. Por isso, não é genocídio, é deixar a desejar. 

Outra parte do debate, onde a água esquentou um pouco embora sem sequer chegar perto de ferver,  Covas parece ter alguma alma dentro do corpo e lança um ataque bolsonarista contra Boulos, citando que ele é do movimento MTST de forma pejorativa. Boulou acusa Covas de bolsonarista? Nada mais longe. Boulos orienta, muito calmo, muito bem-comportado, que o “ódio” não pode vencer o amor. Não é um ataque, é uma orientação à direita que é próxima do bolsonarismo. Chama a votar “com esperança”. 

Fica claro nesse debate que Boulos é um candidato apoiado pela burguesia, pelo menos para fazer o papel de grilo falante da direita que ele fez no debate. Dessa forma, mesmo que não  para fazer futurologia, Boulos pavimenta o caminho para vitória da direita. Afinal, uma figura natimorta como Covas consegue sambar na sua cabeça. Essa é a figura que a burguesia, de forma muito artificial, tenta lançar para substituir Lula em 2022 e manter Bolsonaro até lá. 

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas