A esquerda tucana
O uso de expedientes fascistóides para controlar as manifestações fatalmente produzirá uma derrota do movimento e o fortalecimento da direita, como em 2013
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2020.05.08 Acampamento dos 300 coxinhas pró Bolsonaro
Frente amarelo. Interessa a Folha mas nã ao povo | Foto: Instagram de Iago Montalvão

O sequestro das manifestações populares pela direita é uma manobra constante na história brasileira, que para tal, vale-se de elementos identificados com a esquerda, quase sempre oriundos da pequena burguesia. Na nova etapa da luta política este papel vem sendo desempenhado de maneira muito destacada por Guilherme Boulos, que inegavelmente, vem se revelado o principal articulador de um setor que no último ato contra Bolsonaro ocorrido em São Paulo, era muito pequeno entre os presentes porém demonstrou tendências extremamente reacionárias.

O caráter direitista não se mede aqui por um preceito moral, subjetivo mas pela ação de impor a  outros manifestantes a maneira de se portarem (num espaço que finalmente, é público), determinando de maneira ditatorial o curso e a forma da manifestação.

Chama atenção o fato da ação ser realizada pelo grupo de nome “Somos democracia”, que começa os atos com forte identificação anarquista e cor preta para adotar as cores do PSDB (amarelo e azul) após a aproximação das lideranças do movimento de torcedores com Boulos. Pior ainda é a inaceitável é tentativa de censurar opositores à esquerda e, pior ainda, valendo-se logo da Polícia Militar para conseguir o intento, justo um dos mais abertamente fascistas instrumentos da burguesia para manter sua ditadura.

A censura sempre foi e continua sendo o expediente mais recorrente da direita para controlar a situação política. Nesse sentido, a insistência nessa posição de impedir outros grupos de se manifestarem livremente na luta contra Bolsonaro, produzirá matérias na imprensa golpista, dará cargos a poucos mas fatalmente levará a derrota do movimento.

As táticas usadas pelo grupo de Boulos repetem a mesma fórmula que em 2013 permitiu a direita capturar e estrangular o levante iniciado contra a mão de ferro com que a direita dominava os dois principais estados brasileiros, o Rio de Janeiro (então governado por Sérgio Cabral, do atual MDB) e São Paulo (da ditadura tucana, à época comandada por Geraldo Alckimin). Se na ocasião a falta de experiência poderia justificar (em um extremo de generosidade) concessões à direita como a política de não levar bandeiras, proibir partidos e esconder a cor vermelha, a desculpa já não é mais cabível a esta altura dos acontecimentos.

Para que os atos prosperem, eles devem, isto sim, ser o mais democrático possível, de modo a abarcar as diversas correntes em luta pelo fim do regime golpista de Jair Bolsonaro, este sim, a grande ameaça que paira sobre o amplo conjunto da população brasileira. E quem quiser se juntar a luta contra o fascista, longe de ser enquadrado, deve ser estimulador a vir com suas pautas, reivindincações e cores.

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