Ilusões
A esquerda pequeno-burguesa, por ilusão e oportunismo, se fantasia de candidaturas burguesas em busca de votos
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Guilherme Boulos e Sônia Guajajara, em evento em São Paulo que os lançou como pré-candidatos do PSOL a presidente e vice-presidente da República
Boulos, o candidato do PSOL | Arquivo

A revista Carta Capital publicou reportagem no dia 5 de setembro anunciando o lançamento oficial da candidatura de Guilherme Boulos a prefeitura de São Paulo pelo PSOL. A reportagem é bastante útil para esclarecer o verdadeiro caráter da política eleitoral da esquerda pequeno-burguesa, em particular de Boulos e do PSOL.

A convenção para o lançamento da candidatura e as falas de Boulos mostram as profundas ilusões eleitorais dessa esquerda.

Na convenção, Boulos teria afirmado que “vamos virar o jogo na cidade de São Paulo e derrotar as máfias, os esquemas, o [presidente Jair] Bolsonaro, o [governador João] Doria e o [prefeito Bruno] Covas”. O candidato do PSOL se apresenta no mercado eleitoral como um produto capaz de derrotar a direita agrupada em torno do governo federal e estadual.

Tal ideia logicamente ignora qualquer fator da situação política, como por exemplo, que as eleições municipais se dão em meio a um aprofundamento do golpe de Estado e da ditadura das instituições do regime político. Mesmo assim, Boulos acredita que pode “virar o jogo”.

Mas há outros fatores da realidade, cuidadosamente ignorados de maneira consciente por Boulos e o PSOL, que poderiam ser citados. As experiências das eleições de 2016 e de 2018 bastariam para qualquer elemento da esquerda saber que qualquer mudança pela via eleitoral se não for impossível é muito difícil.

Mas o problema mais importante não é a aparente ingenuidade de Boulos, Erundina e da direção do PSOL. O central é o efeito que essa ilusão eleitoral tem sobre a esquerda.

O problema dessa política completamente fora da realidade é a confusão que gera entre os trabalhadores e a esquerda em geral. Ao vender a ilusão eleitoral, Boulos e o PSOL estão jogando fumaça nos olhos de vários setores da esquerda e com isso servindo como um freio à luta real contra o golpe de Estado, pelo fora Bolsonaro etc.

“A partir de janeiro de 2021, a especulação imobiliária não vai mais avançar sobre os mais pobres em São Paulo. Chega de incêndio criminosos em favelas”, afirmou Boulos. Uma maravilha: não apenas Boulos vai vencer a eleição como ele vai ser o responsável por acabar com o especulação imobiliária. Basta, portanto, depositar o voto na urna e ficar tranquilo. Boulos resolve!

Tal ideia é um atraso político para a luta das massas. E é por isso que as ilusões eleitorais de toda a esquerda pequeno-burguesa devem ser reveladas.

Como bom político eleitoreiro, e portanto oportunista, Boulos também sabe fazer promessas: “Nós vamos fazer tarifa zero no transporte, construir hospitais na periferia, construir moradias para quem necessita. E quando os jornalistas dizem de onde vai vir o dinheiro, eu digo, quando a verba não vai para o ralo da corrupção, dos esquemas e das máfias, dá para fazer”. Até com a corrupção no Estado burguês Boulos promete acabar. Um voto na urna e uma canetada do prefeito Boulos para mudar São Paulo! O script é o mesmo que qualquer outro candidato.

O PSOL foi um partido formado por correntes que procuraram se vender como mais radicais do que o PT – embora isso não seja exatamente uma realidade. A candidatura Boulos traz todas as características de uma candidatura tipicamente burguesa: muito discurso vazio cheio de promessas vazias, muita demagogia e um esquerdismo muito diluído, quase imperceptível. Deveria fazer corar de vergonha qualquer militante que minimamente se considera combativo, revolucionário e socialista, mas não é o que se vê. Quando se trata de eleições, os princípios vão para o ralo e a farsa se revela.

Boulos acha que vai “virar o jogo e derrotar a direita”, mas na realidade ele está servindo como instrumento para o domínio da direita, inclusive nas próprias eleições. A ilusão eleitoral impede inclusive que se denuncie a manipulação e a fraude eleitoral que já seria um papel importante que a esquerda poderia cumprir no processo eleitoral.

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