Esquerda golpista
Autor afirma que Boulos foi alavancado pela burguesia para tentar substituir o PT dentro da esquerda
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Boulos, um dos líderes do movimento golpista "Não vai ter Copa" | Foto: PSOL Oficial

A destruição da política e sua substituição por um consórcio de corporações do Judiciário na condução dos destinos da sociedade e do Estado foi o objetivo permanente da Lava Jato e de seus aliados da mídia e dos porões do conservadorismo.

A derrocada do lavajatismo e a revelação de que seus integrantes manipulavam processos para fins políticos e ideológicos e de que alguns deles foram seduzidos pelo mesmo dinheiro dos corruptos investigados destruiu a reputação dos justiceiros de terno e toga. O juiz Sérgio Moro foi escorraçado do governo que ajudou a eleger com suas decisões viciadas e seu parceiro Dallagnol passou ao ostracismo desprezado por todos que ajudou a projetar na cena política.

Mas se Moro e Dallagnol saíram de cena para entrar na história nacional da infâmia, o mesmo não se pode dizer dos beneficiários e cúmplices de suas ações de destruição da política.

Do terreno calcinado pela guerra promovida pelo lavajatismo surgiu triunfante das sombras o protagonista de biografia obscura que se tornou presidente da República: Jair Bolsonaro, que ocupou no governo o lugar do PT, alvo central da república de Curitiba.

Mas, no rastro do bolsonarismo, outro personagem secundário e desconhecido emergiu das manifestações de 2013 e 2014 para ocupar o lugar do PT, não no governo, mas no imaginário da esquerda: era Boulos, líder do MTST, disputando palmo a palmo com a direita do Vem pra Rua e do MBL, a primazia das manifestações do Não Vai Ter Copa contra o governo do PT e de Dilma Rousseff.

O objetivo de Boulos, do MBL, do Vem pra Rua, da Rede Globo e da Folha de S.Paulo era carimbar no governo Dilma e no PT o anátema da incompetência na gestão dos grandes eventos que se aproximavam: a Copa do Mundo e as Olimpíadas.

Do cadáver da gestão petista todos colheriam os frutos desejados, ou seja, o governo seria herdado pela coalizão conservadora, mas o butim de Boulos estaria assegurado, o lugar do PT na franja da esquerda do eleitorado e da sociedade. Não por acaso a mídia ajudou a projetar Boulos e seu protagonismo no Não Vai Ter Copa; a Folha de S.Paulo tornou-o seu colunista ainda em 2014 e o dublê de jornalista e ongueiro do Uol Leonardo Sakamoto fez de Boulos atração em um malsucedido programa de debates.

Agora, nas eleições municipais, o camaleão Boulos prossegue, com evidente apoio da mídia tucana, a tarefa de desossar a candidatura de Jilmar Tatto do PT e, secundariamente, sepultar Orlando Silva e seu PCdoB como referências da esquerda.

A candidatura de Boulos foi embalada para o paladar de uma classe média cética em relação ao PT e seduzida pela estética franciscana e uspiana do candidato do PSol.

Embalado pela esquerda odara da Vila Madalena, o candidato Boulos é o contraponto perfeito a um Jilmar Tatto, com jeito de ruralista suburbano, anti-intelectual, com gosto musical mais para o sertanejo Gustavo Lima do que para Caetano Veloso. Jilmar Tatto jamais seria convidado para assinar coluna na Folha ou para contracenar Leonardo Sakamoto.

Boulos está protegido por uma dupla couraça representada pela mídia e por todos aqueles que miram sua presença política como capaz de sangrar o PT nas urnas e no imaginário da sociedade. Mas dentro do próprio PT não falta quem se identifique com Boulos e trabalhe por sua candidatura.

O problema que resta é que a Vila Madalena é muito menor que a estrada do M’Boi Mirim e talvez a pretensão de Boulos e de seus aliados não resista ao confronto com a periferia profunda de São Paulo e do Brasil.

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