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Ainda sobre a Veja

Boulos esconde apoio a FHC por trás da “bondade” do entrevistador

Quando perguntado se votaria no PSDB, o psolista desconversou

Fernando Henrique Cardoso – Foto: Divulgação

Escondido embaixo da cama desde o fim das eleições, Guilherme Boulos resolveu aparecer nas páginas amarelas da revista Veja nesta semana para falar uma série de absurdos. Neste artigo, daremos destaque a uma determinada resposta — ou, melhor dizendo, à fuga de uma determinada pergunta: afinal, Boulos apoiaria ou não apoiaria um bandido do PSDB nas eleições de 2022?

A pergunta se dá pela metade da entrevista, quando a revista questiona: “o senhor votaria em João Doria (PSDB) ou Luiz Henrique Mandetta (DEM) para derrotar Bolsonaro?”. Boulos, malandramente, responde: “não vejo espaço para esse dilema. Se olharmos as pesquisas de opinião, não existe possibilidade de o campo da esquerda ficar fora do segundo turno”.

Se a entrevista não fosse um jogo de comadres, como toda em que Boulos participa na imprensa burguesa, o jornalista responsável pela entrevista teria perguntado:

“A possibilidade sempre existe. Em 2018, nas eleições para o governo do maior e mais importante estado do País, a esquerda não foi para o segundo turno. Foi a disputa entre o bandido número 1, João Doria (PSDB), e o bandido número 2, Márcio França (PSB). Em 2020, nos Estados Unidos, a disputa eleitoral se deu entre uma figura da extrema-direita, o republicano Donald Trump, e o direitista Joe Biden, representante dos monopólios criminosos que deram o golpe no Brasil em 2016, e Bernie Sanders ficou de fora. Sendo assim, qual é a sua posição entre uma disputa entre dois candidatos de direita?”

Não houve qualquer insistência e Boulos conseguiu fugir da pergunta com um truque retórico barato. Mas, para o leitor que se sentiu frustrado com a resposta do psolista, este diário poderá responder em seu lugar. Porque, finalmente, Boulos já respondeu, mas em outra ocasião.

Em entrevista concedida à DCM TV em 2020, Boulos afirmou que seria a favor da candidatura da direita nacional na Câmara dos Deputados, já que a esquerda não teria condições de chegar ao segundo turno.

“Nós sabemos qual é a correlação de forças na Câmara, não adianta nós nos iludirmos. Nós não temos maioria, a esquerda não tem força suficiente para ganhar a eleição da presidência da Câmara. (…) no segundo turno da eleição da Câmara, eu acredito que o papel da esquerda é atuar para barrar a candidatura apoiada pelo Jair Bolsonaro, que é representada hoje pelo Arthur Lira”, disse.

Naquele momento, a candidatura que Boulos acreditou que chegaria ao segundo turno era a de Baleia Rossi (MDB), um dos principais articuladores do golpe de 2016 no Congresso Nacional e que chegou a ter o apoio do DEM e do PSDB antes de Bolsonaro comprar os seus deputados. Quem apoia Baleia Rossi, é, muito bem, capaz de apoiar João Doria, Mandetta, Fernando Henrique Cardoso ou qualquer direitista. É capaz de apoiar qualquer um, finalmente, que não seja o próprio Bolsonaro, já que, para a esquerda pequeno-burguesa, basta se declarar “antibolsonarista” para ser considerado um aliado.

Declarar apoio a Baleia Rossi em um segundo turno que nem chegou a ocorrer ajuda a pôr as claras a política de Boulos em relação à direita, mas, mesmo que não tivesse dito, suas intenções já haviam sido colocadas na mesa. O próprio fato de que Boulos recebeu as páginas amarelas de portas abertas já é, em si, uma demonstração de muito boa convivência com a burguesia. Boulos, inclusive, não só foi convidado para as páginas amarelas, como só recebe elogios da Folha de S.Paulo e hoje é colunista do jornal golpista.

Boulos tem cadeira cativa na imprensa capitalista porque cumpre um papel muito importante para a burguesia: Boulos representa a ala direita da esquerda nacional. Ou, melhor: é a face esquerdista da ala direita da esquerda nacional. Isto porque retirado todo o discursos e toda a demagogia, a esquerda, após o golpe de Estado, está dividida entre duas posições fundamentais. Uma, que é representada pela ala esquerda, é a que expressa a tendência dos trabalhadores de lutar contra os golpistas. A outra, representada pela ala direita, representa a pequena burguesia reacionária, que se agarra na perna da burguesia e não quer romper com o regime político. E como não quer romper, acaba sendo um defensor intransigente do regime.

Na ala direita, setores como Jaques Wagner falam abertamente o que querem: apoio a Ciro Gomes, aliança com o DEM e burguês como vice. Seria, neste sentido, a face direitista da ala direita da esquerda nacional. Boulos, portanto, é aquele que defende o mesmo programa de Jaques Wagner, mas que faz maior demagogia pseudorradical para defender suas posições. Boulos fala em “revolução cidadã”, em “movimento”, gosta de “lacrar” nas entrevistas, mas, entre a posição de lutar contra o golpe e de defender o regime, sempre esteve do segundo lado.

Boulos, finalmente, participou das eleições fraudadas de 2018 — quando o normal seria denunciar que a eleição sem Lula era um golpe — e declarou a vitória de Bolsonaro como legítima! Opôs-se à palavra de ordem de “Fora Bolsonaro” por mais de um ano e, até hoje, nunca colocou a derrubada do governo pelas massas como um programa real para a situação política. Pelo contrário, só defendeu o “Fora Bolsonaro” quando achou que a burguesia iria derrubar o governo.

O único momento em que Boulos foi para as ruas defendendo o “Fora Bolsonaro” foi no fim do primeiro semestre de 2020, quando o povo já estava saindo às ruas. E, naquele momento, Boulos, por um lado, fez de tudo para impedir que os atos crescessem, fazendo acordos com a Polícia Militar e o PSDB para encerrar a mobilização; por outro, assinou manifestos com Fernando Henrique Cardoso, Armínio Fraga e Demétrio Magnoli, elogiou a “frente ampla” das “Diretas já” e se calou diante de todas as barbaridades do PSDB durante a pandemia.

A trajetória de Boulos é a resposta que ele não quis dar à Veja. Uma trajetória de ligação íntima com a burguesia, impulsionada sempre nos momentos em que a direita se vê preocupada com a possibilidade de um movimento perder qualquer controle.

Além disso, o apoio à direita implícito em sua resposta manifesta a tentativa de acordo com os golpistas. Para essa parcela da esquerda, derrotar Bolsonaro eleitoralmente justificaria uma aliança com os maiores inimigos dos trabalhadores. O que não entendem é que a direita não quer alianças com a esquerda. Ela quer que a esquerda fique a seu reboque. Assim como o apoio de parte da esquerda à direita para vencer as eleições na Câmara e no Senado mostraram que a esquerda não ganhou nada com isso, a esquerda também não ganhará absolutamente nada aliando-se com a direita para as eleições presidenciais.

Se a esquerda quer uma saída popular, deve romper totalmente com qualquer política de acordo com a direita. A saída é a mobilização dos trabalhadores e das massas exploradas a fim de que essa mobilização propicie um cenário que garanta a entrada no poder de um governo que represente seus interesses. Doria, FHC, Mandetta ou qualquer outro direitista jamais irão atender a qualquer interesse popular: irão, por outro lado, esmagar todas as reivindicações populares.

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