Redes s sociais
O britânico quer reagir diante da interferência das plataformas digitais norte-americanas nas eleições dos EUA
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A censura das redes sociais em publicações de Trump nas eleições dos EUA acendeu o sinal de alerta | Foto: Andrew Parsons / No 10 Downing Street
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A censura das redes sociais em publicações de Trump nas eleições dos EUA acendeu o sinal de alerta | Foto: Andrew Parsons / No 10 Downing Street

O Primeiro-Ministro britânico Boris Johnson, estaria demonstrando preocupação com o ocorrido nas eleições norte-americanas envolvendo as plataformas digitais monopolistas, como o Twitter e o Facebook que censuraram durante o pleito diversas mensagens do atual presidente Donald Trump.

Diante do bloqueio de conteúdos e avisos insistentes para que internautas não confiassem nas publicações do político republicano nos EUA, Boris Johnson prevendo uma intervenção semelhante passou a considerar uma alteração legal no Reino Unido sobre o tema.

Os monopólios digitais Twitter e Facebook rotularam de forma impositiva mais de 65 mensagens do presidente dos EUA, Donald Trump, durante a eleição de 2020. Trump alega que houve tratamento diferenciado contra ele já que seu adversário o democrata Joe Biden não teve nenhuma de suas mensagens checada ou rotulada como suspeitas.

Apenas o Twitter  aplicou ao todo durante as eleições norte-americanas mais de 300.000 advertências em mensagens relacionadas ao pleito como parte integrante de sua chamada ‘política de integridade cívica’, que segundo a empresa visa abordar ‘informações enganosas ou contestadas’. A mesma rede social, porém não justifica sua posição.

O Facebook também praticou uma política semelhante durante as eleições alegando que isso ‘combateria a supressão de eleitores e a desinformação’, o que os apoiadores de Trump afirmam ter sido utilizada para justificar que a empresa ignorasse a polêmica história sobre os vínculos comerciais e a vida privada do filho de Joe Biden, Hunter envolvendo contatos com empresários ucranianos quando seu pai era vice-presidente de Obama.

Na época o New York Times e outros grandes jornais e veículos tradicionais de imprensa trataram de dizer que a reportagem seria uma “fake news” e que a mesma careceria de maior credibilidade para ser considerada.

Além disso, o Twitter inicialmente impediu que o link do New York Post com a matéria fosse acessado pelos seus usuários através da plataforma, censurando previamente assim a reportagem bombástica do NYP em benefício de Biden.

“Bloquear diretamente a URL (endereço na internet) foi um erro e já atualizámos a nossa política e a sua aplicação para solucioná-lo. O nosso objetivo é procurar acrescentar contexto e agora já temos as capacidades para fazê-lo”, escreveu um diretor do Twitter na época.

 

Legislação

O próprio Reino Unido em abril de 2019 publicou uma orientação sobre potenciais danos on-line no país onde propunha uma legislação específica sobre as próprias empresas de mídia social e provedores com alertas de conteúdo sobre terrorismo, abuso sexual infantil e até mesmo cyber-bullying.

A legislação abarcaria conteúdos considerados “perturbadores”, incluindo aí filmagens de suicídio ou ainda vídeos de grupos como os jihadistas nas redes sociais Twitter, Facebook e Instagram. A alegação na época foi “proteger as crianças”.

Estes e outros supostos benefícios da censura são demagogia burguesa em estado bruto e já foram, inclusive, utilizados para censurar produções artísticas e até mesmo jornalismo durante a ditadura militar brasileira, por exemplo.

O que Boris Johnson tende a fazer no Reino Unido é, portanto, uma reação ao comportamento recente das plataformas digitais norte-americanas ao considerar aplicar o mesmo projeto de lei anterior “reformado” para impedir que as empresas californianas interfiram também no próximo pleito britânico.

O parlamento britânico chegou a criar o chamado Fórum Parlamentar de Internet, Comunicações e Tecnologia (PICTFOR) onde empresas do setor foram convocadas para opinarem sobre uma legislação pertinente sobre o conteúdo das redes sociais. A maior preocupação das empresas é que a legislação resultante venha a censurar sites de notícias que tem seu conteúdo compartilhado pelos usuários nas plataformas digitais.

Outro órgão do Reino Unido que também colabora na edição da legislação é a chamada Unidade de Mercados Digitais que irá integrar os esforços do governo imperialista em regular os monopólios da comunicação virtual. Não se sabe ainda como esta entidade atuará exatamente podendo ficar restrita à cobrança de multas.

O órgão pediu mais poderes sobre o Google e o Facebook para lidar com suas posições “inatacáveis” em publicidade digital e redes sociais. As duas empresas comandam 80% do mercado britânico de anúncios digitais de £14 bilhões.

Na esteira dos acontecimentos recentes, portanto, o primeiro-ministro britânico Johnson, age corretamente ao expressar preocupação diante do ocorrido nos EUA. No entanto ninguém deveria ser submetido à censura prévia. Se essa máxima vale para o Estado, logicamente deve valer para empresas privada.

Apesar de esse raciocínio ser de simples compreensão, inúmeros elementos da esquerda impulsionaram a iniciativa dos monopólios digitais em censurar políticos e demais figuras públicas durante as eleições. Acreditavam estar assim combatendo o mal maior – Trump – em favorecimento do mal menor – Biden.

É preciso recordar que o método de censura foi e continua sendo um dos artifícios mais utilizados pelos governos burgueses, sejam fascistas ou não, para limitar o livre pensamento e a manifestação de opinião.

A verdade é que todos deveriam ser livres para dizer o que quiserem. Em última instância essa verdadeira tara direitista que persiste na esquerda em limitar o que se diz, seja por meio do Estado, seja via artifícios de empresas privadas, tem sempre a tendência de ser utilizada contra a própria esquerda de conjunto e sempre acabará beneficiando a política da burguesia.

Quem se diz progressista não deveria estar apoiando este tipo de inciativa vinda de monopólios da comunicação. Tão pouco se devem saudar legislações de qualquer tipo que pregam a censura e limitam a liberdade de manifestação. É necessário sim denunciar estas iniciativas, seja de origem estatal ou privada uma vez que ambas servirão infalivelmente para garantir a opinião da classe dominante.

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