Racha no Núcleo Golpista
“Entre tapas e beijos”, Mourão e Bolsonaro podem romper, revelando racha no bloco militar golpista
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Presidente e vice-presidente, Mourão e Bolsonaro | Palácio do Planalto
O relacionamento entre o capitão presidente e o general vice-presidente nunca foi dos melhores, isso todo mundo já sabia, mas ao que parece, a coisa azedou de vez. Bolsonaro tem dado mostras de insatisfação com seu vice, o general Mourão, que nunca deu mostras de aceitar completamente a relação de subordinação ao ex-capitão expulso do Exército na década de 80.

Na segunda feira (10/11) Bolsonaro disse a CNN que não conversa com frequência com Mourão, sobretudo para tomada de decisões importantes. Dias atrás, ele já havia respondido de forma ríspida às críticas de seu vice, que havia afirmado que a discussão da vacina estaria "toda politizada". “A caneta Bic é minha” disse Bolsonaro, aludindo mais uma vez a relação hierárquica às avessas na qual o capitão é superior ao general.

Mais recentemente, na quinta (12/11), outra fala de Bolsonaro fez arder as brasas da discórdia entre os militares, sobre a proposta do Conselho Nacional da Amazônia, órgão presidido por Mourão de desapropriar terras de pessoas que incorram em crimes ambientais.  Bolsonaro disse ser coisa de “alguém deslumbrado no governo” e acrescentou que demitia o autor da proposta, “a menos que a pessoa seja[SIC] indemissível”.  

Até o momento, Bolsonaro que é declaradamente subserviente ao interesses norte-americanos, não reconheceu a vitória de Biden na eleição americana, ou melhor dizendo, não reconheceu a derrota de Trump, por quem nutre pública admiração e reverência. Este também foi outro ponto que provocou desgastes entre os militares, Mourão disse que não falava pelo governo ao reconhecer o vencedor da eleição dos EUA , "está cada vez mais sendo[SIC] irreversível", afirmou.

Em entrevista a Globo News, em 15 de julho, Mourão explicou que Bolsonaro encerrou a carreira militar no posto de Capitão, patente que privilegia os atributos físicos aos intelectuais, um claro eufemismo para dizer que o presidente é burro. Para o filho zero-dois, Carlos, a declaração foi um insulto.

Durante a famigerada reunião dos palavrões que o ex-ministro Moro vazou para a imprensa burguesa, Mourão se manteve em silêncio em visível desconforto com a situação. 

Esta semana, um blog do Correio Brasiliense afirmou que o general Villas Bôas se tornou uma espécie de porta-voz de militares insatisfeitos com o governo, no entanto haveria um determinação de que as críticas ao governo partissem apenas de militares com livre trânsito no governo como Villas Bôas e os também generais Santos Cruz e Rêgo Barros.

Setores da frente ampla já flertam com Mourão com intenção de formar um bloco de oposição. Bolsonaro suspeita que Mourão esteja em negociação com Luciano Huck e Sérgio Moro para uma aliança para 2022. Em abril deste ano causou muita irritação ao filho zero-um, o senador Flávio Bolsonaro, a reunião entre Mourão e Flávio Dino. No Twitter o senador desabafou: "O que leva o vice-presidente da República se reunir com o maior opositor socialista do governo, que se mostra diariamente com atitudes totalmente na contramão de seu Presidente?". 

Tanto o acirramento das diferenças na cúpula do Planalto quanto o aceno da frente ampla a Mourão são partes de uma política de pressão sobre Bolsonaro e conduzem à possibilidade de montar uma chapa ao estilo Biden em 2022, inclusive com a participação de Mourão e setores do militares. A efetividade dessa política, contudo, depende de como a crise política nos Estados Unidos irá evoluir, afinal se perdurar a insatisfação e a forte polarização que emergiram da eleição nos Estados Unidos será muito difícil defender a repetição do experimento aqui no Brasil.

A frente ampla se anima com o desgaste entre Bolsonaro e Mourão, como se Mourão pudesse se tornar uma espécie de Temer capaz de conspirar para derrubar Bolsonaro. O que esta teoria desconsidera é que tanto Temer como Mourão e mesmo Bolsonaro são representantes da burguesia, que no final das contas é quem controla as cordinhas que dão vida e sentido a estes personagens. Flertar com Mourão é portanto colocar-se de vontade própria como mais um marionete da burguesia.

A insatisfação da população com situação econômica e social, agravada ainda mais pela pandemia de Covid-19, é o combustível para o crescimento da esquerda, porém isso não se dará a menos que a esquerda adote uma posição de enfrentamento como o golpe e não conciliador. Nesse sentido as inusitadas alianças da esquerda com setores golpistas nas eleições municipais foram um desserviço à luta contra os efeitos do golpe de 2016, em especial o seu principal produto: Bolsonaro.

O povo brasileiro já deu mostras do seu repúdio aos golpistas, que voltam à cena "reciclados" pela política da frente ampla. É papel da esquerda que efetivamente luta contra o o golpe  orientar e dar sentido ao descontentamento da população contra o regime político golpista, seja à frente ampla, seja a extrema-direita bolsonarista.
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