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Bolsonaro serve o imperialismo

Bolsonaro: capacho não só de Trump, mas de todo o imperialismo

Na cúpula do clima, Bolsonaro e Biden exporem seu namorico, agora, ambos já dão seus votos para 2022 e culpam a China pelo coronavírus.

Tempo de Leitura: 3 Minutos

Bolsonaro e imperialismo, fechados para 2022. – Foto: Reprodução

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Manifestado o “namorico” público entre Bolsonaro e Biden na Cúpula do Clima, agora já é oficial seu matrimônio com a política imperialista em seu novo ataque à China. Assim como os principais jornais norte-americanos e a excessiva propaganda de Biden e Trump, Bolsonaro também sugere que o país asiático criou o vírus assassino. Dado o panorama, se as eleições se darem entre Lula e Bolsonaro, o imperialismo irá descumprir com seus votos?

De namoro para casamento

Nesta quarta (5), o presidente ilegítimo Jair Bolsonaro afirmou que a China teria se beneficiado economicamente da pandemia e afirmou que a Covid poderia ter sido criada em laboratório chinês.

“É um vírus novo, ninguém sabe se nasceu em laboratório ou por algum ser humano [que] ingeriu um animal inadequado. Mas está aí. Os militares sabem que é guerra química, bacteriológica e radiológica. Será que não estamos enfrentando uma nova guerra?”, apontou o presidente fascista em um evento no Palácio do Planalto.

Em seguida, Bolsonaro direcionou sua crítica e apontou quem seriam os inimigos e os aliados nessa guerra, consoante com os ataques de Biden e Trump à China: “Qual o país que mais cresceu seu PIB? Não vou dizer para vocês.”

Já na semana passada, Paulo Guedes, ministro da Economia responsável pela gigantesca catástrofe econômica no País, afirmou o mesmo. Em uma reunião ele disse que “o chinês inventou o vírus”. 

Por outro lado, Biden, representante por excelência do imperialismo mundial, vem, desde o início de seu mandato, aumentando o ataque retórico, econômico e as provocações militares e estratégicas sobre a China. Ele também acusou os chineses de terem desenvolvido o vírus em laboratório, ampliando os ataques propagandísticos que Trump já fazia. 

A imprensa imperialista, da mesma forma, aumenta freneticamente a campanha contra a China. Nas edições do mês de abril, todos os principais veículos da imprensa burguesa norte-americana levantaram que os chineses criaram o vírus.

Não se trata, obviamente, de fatos coincidentes ou apenas de discursos ideológicos semelhantes. São indicações claras de relações concretas entre Bolsonaro e o imperialismo mundial. Em todo o caso, tais evidências desse “namorico” célebre não são particulares.

Vejamos o caso da Cúpula do Clima, onde a burguesia reúne figuras políticas para fazer demagogia com o clima e com o ambientalismo e esconder a destruição neoliberal. No evento, Bolsonaro, diferente de sua pose tradicional, se vestiu como um verdadeiro palhaço e afirmou uma série de mentiras sobre o que acontece na Amazônia. Biden elogiou Bolsonaro e sua suposta grande capacidade discursiva, inclusive, indicando que o relacionamento entre eles poderá ser repleto de fidelidade. 

Tudo indica que o romance foi escrito com antecedência, e com ele, o imperialismo indica que o governo Bolsonaro não é um governo antagônico aos seus interesses. Ou seja, Bolsonaro não é tão malvado assim para Biden. Diante do empasse da falta de candidatos até o momento para fazerem frente a Bolsonaro, caso o imperialismo não consiga alguém de sua total confiança para substituí-lo em 2022, Bolsonaro será o candidato do imperialismo nas próximas eleições.

A burguesia e Bolsonaro

A burguesia, que preferiria um candidato “mais limpinho”, já considera que existe a possibilidade de não conseguir substituir Bolsonaro por alguém de mais confiança nas eleições de 2022. Sendo assim, de modo algum se pode descartar uma aliança concreta entre os grandes imperialistas e o governo Bolsonaro para as eleições. Os ataques contra a China e o comportamento mais “civilizado” de Bolsonaro na Cúpula do Clima são exemplos que comprovam esse argumento.

Se a CPI da Covid der em pizza e dela não sair nenhum herói antibolsonarista, a burguesia vai de Bolsonaro. E toda a sujeira negacionista, machista, homofóbica, racista etc. de Bolsonaro será varrida para debaixo do tapete, assim como está sendo varrida a sujeira ambiental.

Bolsonaro já demonstrou que era capacho e fã número 1 de Trump, e agora inicia sua jornada de amor com Biden. Na esquerda existe uma confusão idiota e criminosa que promove Biden como o grande messias de uma “nova era da democracia”. Essa posição, além de absurdamente mentirosa – vide os gigantescos crimes e genocídios promovidos pela figura – é, também, uma declaração suicida na luta contra Bolsonaro e os golpistas.

Biden e os imperialistas temem a mobilização e um levante de massas, como quase ocorreu em 2020 nos EUA e se encaminha para acontecer em todo mundo. É por isso que foi investido tanto dinheiro da burguesia para golpear Trump e transformar Biden de um vampiro criminoso a um colorido democrático.

No Brasil, a burguesia fez algo semelhante para golpear Dilma e Lula, mas não conseguiu reviver nenhum candidato de centro. Dessa forma, sua única opção foi estabelecer um governo de extrema-direita como o de Bolsonaro. Entretanto, Lula, com o apoio popular que ele tem, ainda é uma ameaça de desestabilização brasileira e latino-americana.

Sendo assim, somadas as aproximações de Bolsonaro e Biden, já sabemos: se as eleições se darem entre Lula e Bolsonaro, não há a menor dúvida de que o imperialismo irá apoiar Bolsonaro. A esquerda precisa abandonar completamente sua ilusão criminosa com o governo Biden, assim como deve abandonar qualquer alternativa de luta que se alie ao imperialismo para combater Bolsonaro.

Para acabar com a fome, a miséria e o genocídio é preciso lutar sem nenhuma aliança com os tucanos, os golpistas e os imperialistas!

Só será possível vencer Bolsonaro com a mobilização do povo!

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