Milícia bolsonarista
Segundo denúncia de ex-coordenadora-geral da Força Nacional, uma milícia está sendo organizada dentro da tropa e já conta com 400 homens
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Foto: Marcos Corrêa/PR
Bolsonaro faz vistoria da tropa. Milícia bolsonarista vai sendo organizada | Foto: Marcos Corrêa/PR

Segundo denúncia formalizada pela  tenente-coronel Keydna Alves Lima Carneiro, mais de 400 militares foram recrutados de maneira atípica para o interior da Força Nacional de Segurança (FNS), onde a militar ocupava o cargo de coordenadora-geral até ser destituída pelo ex-diretor-geral Aginaldo Oliveira, fato ocorrido, segundo ela, após questionar a ocorrência pela segunda vez.

Keydna acrescenta ainda que o ingresso inclui ex-policiais militares afastados e pessoas com experiência abaixo do mínimo exigido pela regulamentação da FNS até 20/04/2020, quando portaria de Bolsonaro relaxou as exigências para ingresso, sem qualquer amparo constitucional ou minimamente legal para tal. Não que precise.

Ante a evolução da luta de classes travada no Brasil, há muito tempo a lei virou mera ficção, uma simples formalidade destinada mais à confusão do que qualquer coisa séria. Contudo, a denúncia da militar, apresentada ao Ministério Público e revelada por órgãos de imprensa independente é um dos mais contundentes fatos relacionados à expressiva elevação da temperatura política do país nas últimas semanas. Isto por que a denúncia comprova que, longe de aceitar pacificamente a coleira com que a direita tradicional tenta controlá-lo, Bolsonaro busca construir uma milícia própria, que responda ao seu comando e capaz de lhe proporcionar a força (aqui, sem eufemismos) necessária para empreender um governo de tipo bonapartista. Hoje, o fascista se encontra limitado pela influência direta dos setores mais poderosos da burguesia sobre o aparato de repressão, que querem também um regime ditatorial mas não necessariamente com o ex-capitão.

A denúncia deve ser levada muito a sério por revelar também os encaminhamentos dentro da direita para a construção de uma ditadura que pode não estar resolvida entre os diferentes setores da burguesia mas certamente está posta para a classe trabalhadora, que nada tem a ganhar com as ilusões vendidas pela esquerda pequeno-burguesa sobre as instituições e os setores ditos “democráticos” da direita.

É preciso que os grupos mais destacados da esquerda tomem a notícia como alerta para intensificar o trabalho de mobilização do povo, com manifestações de rua lideradas pelos setores mais decididos dos trabalhadores e dos movimentos populares, em especial os estudantes, sob os quais o espectro do fascismo já apresenta feições mais ameaçadoras. Nenhuma colaboração com os fascistas pode ser tolerada neste momento de crise política tão aguda, apenas a luta independente da esquerda pode impedir a catástrofe a espreita.

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