Bolsonaro tomou posse, o PSTU já pode pedir sua derrubada… mas será que vai?

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Em 25 de abril de 2016, o PSTU publicou um artigo em que declarava: “não temos por que aceitar e, menos ainda, defender que fique Dilma até 2018, como defendem PT, o PCdoB e, também, o PSOL. Se o povo elegeu e foi traído, tem de ter o direito de tirar. Nem podemos aceitar que assuma o vice Michel Temer, do PMDB, que foi eleito junto com Dilma, fazendo as mesmas promessas às quais traiu no dia seguinte à eleição. Ele é envolvido em corrupção até o último fio de cabelo, não tem apoio popular e não nos representa”.

Partindo para um suposto extremismo, a política do PSTU enquanto a direita tramava um golpe de Estado em 2016 era não só infantil como a mais pró-imperialista possível. Segundo a agremiação morenista, os trabalhadores não deveriam lutar contra a derrubada do governo Dilma Rousseff, pois este seria o governo dos banqueiros e de todos os inimigos da população. Contudo, com a derrubada de Dilma Rousseff, veio o governo Temer, que, em dois anos, submeteu o país completamente aos interesses do imperialismo e desmontou praticamente tudo o que foi conquistado nos anos em que o PT esteve na Presidência da República.

O golpe de Estado de 2016 e as sucessivas lutas que foram travadas no interior do regime político levaram à eleição fraudulenta de Jair Bolsonaro. Concorrendo em uma eleição sem o candidato do povo, isto é, o ex-presidente Lula, Bolsonaro conseguiu o apoio dos principais setores da burguesia para se tornar o novo presidente do Brasil.

A eleição de Bolsonaro foi uma fraude escancarada: a esquerda não pôde fazer campanha nas ruas por causa da repressão policial e da extrema-direita, o tempo de campanha foi absurdamente restrito, mais de dois milhões de eleitores tiveram seu registro cassado, vários candidatos tiveram sua candidatura impugnada e, principalmente, o maior líder popular do país foi impedido de participar da disputa. Pouco depois de eleito, Bolsonaro nomeou Moro, o principal juiz responsável pela impugnação de Lula, como seu ministro da Justiça.

As condições fraudulentas da eleição de Bolsonaro já deveriam ser suficientes para que qualquer organização que tenha um programa democrático se colocasse contra o seu governo. No entanto, há argumentos ainda mais contundentes: a necessidade da fraude se deu porque o imperialismo precisava colocar, na Presidência da República, alguém que estivesse disposto a levar adiante uma política de guerra contra toda a população.

Apesar de o governo Bolsonaro ser indefensável por qualquer organização de esquerda, o PSTU decidiu não fazer qualquer campanha contra o presidente ilegítimo. Após a eleição do capacho dos banqueiros, o PSTU havia dito que não se podia levantar a palavra de ordem de “Fora Bolsonaro” porque Bolsonaro não havia tomado posse ainda. No entanto, mais de uma semana depois da posse do presidente golpista, o PSTU ainda não mostrou qualquer indício de que lutaria pela derrubada do governo golpista.

O PSTU não levantou a palavra de ordem de “Fora Bolsonaro” até agora por um motivo: os morenistas não são favoráveis à derrubada do regime político, pois, há muito tempo, estão a reboque dos interesses do imperialismo. Há poucas semanas, um artigo escatológico publicado no sítio eletrônico do PSTU defendia a ditadura nazista da Ucrânia, caracterizando esta como o produto de uma “revolução”. Além de defender os interesses do imperialismo na Ucrânia, o PSTU é um aliado de primeira mão dos banqueiros na Síria, no Egito, na Venezuela, na Nicarágua e em todos os países em que os conflitos oriundos da luta de classes têm se mostrado de maneira mais explícita.

A política de “Fora Todos” do PSTU, além de não estar relacionada com nada referenciado pela ciência marxista, era apenas um instrumento do imperialismo para se livrar de todos os elementos do regime político que entravavam a ditadura da burguesia. Afinal, se o “Fora Todos” era impulsionado pela Rede Globo, pela Revista Veja e pela FIESP, não seriam os “corruptos” os condenados ao ostracismo, mas sim aqueles que desafiassem os interesses dos setores mais reacionários da sociedade brasileira e do mundo.

Uma prova de que o PSTU jamais conseguiu qualquer grau de independência em relação à burguesia quando traçou sua política de “Fora Todos” é que, em momento algum, o PSTU exigiu a saída dos militares do regime político. Por outro lado, em nome de uma campanha moralista, o PSTU exigiu a prisão do maior líder popular do país, que é, hoje, o maior polo de mobilização dos trabalhadores contra o golpe de Estado: Luiz Inácio Lula da Silva.

A burguesia não autorizou o PSTU a exigir o “Fora Bolsonaro”, e é justamente por isso que o “Fora Todos” foi propositalmente esquecido pelos morenistas. A derrubada de Bolsonaro por meio da mobilização popular levaria o regime golpista a uma crise enorme, possivelmente irreversível – por isso, o “Fora Bolsonaro” é um tabu para aqueles cuja política está acoplada aos interesses da direita.

Mais que nunca, a política do “Fora Todos” está desmascarada como uma completa farsa: um esquerdismo infantil, inconsequente e pró-imperialista. Em oposição a isso, é necessário levar adiante uma política séria, capaz de colocar a classe operária em movimento e barrar as investidas da burguesia. É necessário exigir a derrubada imediata do governo Bolsonaro e a liberdade incondicional do ex-presidente Lula.