Quilombolas sem vacinação
Ao projetar vacinação de apenas 7% da população quilombola, e com menos de 2% de vacinados com a segunda dose, governo Bolsonaro seguirá seu genocídio contra as comunidades

Por: Redação do Diário Causa Operária

Segundo estimativas da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras e Rurais Quilombolas (Conaq), o Ministério da Saúde, através do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, prevê a vacinação de apenas 7% das comunidades quilombolas, em torno de 1,13 milhão de pessoas. A população quilombola, segundo a Conaq, é quatorze vezes maior, 16 milhões. Foram diagnosticados com Covid-19 5.069, sendo 224 mortos em decorrência do vírus. Como em muitas comunidades do país, essas comunidades ainda enfrentam a pandemia sem nenhuma estrutura, pois 75% delas não têm saneamento básico. Ao projetar a vacinação de apenas 7% da população quilombola, e com menos de 2% de vacinados com a segunda dose, o governo Bolsonaro seguirá seu genocídio contra a população e suas comunidades mais vulneráveis.

Segundo a advogada Maíra Moreira, da ONG Terra de Direitos:

“Isso é fruto de um apagamento, de uma negligência do Estado, a não notificação da população quilombola. Esse ’16 milhões’ é resultado do conhecimento da Conaq em relação ao grupo que representa. São os quilombolas falando de si mesmo.”

Em resposta à Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 742, o Ministério da Saúde apresentou uma desculpa com base nos números apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O IBGE, sob forte desmonte do governo Bolsonaro, vem reduzindo drasticamente seu orçamento para o censo desse ano, a ponto de a presidente do instituo já ter pedido demissão. A manipulação de dados é uma política para se adequar aos planos do Ministério da Saúde, que até sexta-feira (26) só vacinou 27 mil quilombolas, com menos de 2% imunizados com a segunda dose, uma lentidão absurda, para empurrar a população negra para a morte.

O Supremo Tribunal Federal julgou precedente a ADPF 742 e determinou que o Ministério da Saúde elabore o plano de vacinação dos quilombolas. Para o ministro Marco Aurélio, “inexiste planejamento e destinação de recursos específicos às garantias de acesso a cuidado médico, testagem periódica e material de desinfecção”.

Todo esse ataque às comunidades quilombolas e demais povos oprimidos é fruto dessa política genocida da burguesia brasileira, capitaneada por Bolsonaro, que prorroga ao máximo a compra das vacinas para esconder seu verdadeiro interesse de não vacinar. Enquanto isso, as únicas medidas adotadas, como os lockdowns e restrições, estão fortalecendo a posição do fascista Bolsonaro, que nunca fez nada para conter o avanço da pandemia, apenas menosprezou sua gravidade, não investiu na saúde pública, mas agora se apoia na demagogia com os desempregados e falidos, vítimas da política igualmente antipopular dos governadores e prefeitos da direita “científica”.

É preciso que o povo brasileiro saia às ruas para cobrar um plano nacional de vacinação imediato, é a única forma de obrigar os governos a adotarem as medidas necessárias para que o povo sobreviva à pandemia, principalmente os grupos mais vulneráveis, como o caso dos quilombolas.

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