Frente ampla
A política do “mal menor” não é nada mais do que o oportunismo sob a justificativa da luta contra o bolsonarismo
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Baleia Rossi e Temer
Baleia e Temer | Arquivo

As eleições são o terreno preferencial da burguesia, pois é ela que tem o controle das instituições e do dinheiro necessário para eleger seus candidatos. É um terreno, portanto, propício para os mais diversos tipos de manobras e golpes. Desde o controle político dos tribunais, das regras do pleito e, muito importante, da enorme máquina do monopólio da imprensa que é quem efetivamente faz a campanha política e elege os candidatos da preferência dos capitalistas.

Um dos aspectos dessa manipulação que está em pauta atualmente é a política do chamado “mal menor”, que consiste em usar um candidato apresentado como o grande Satã para promover um candidato que é ele mesmo na realidade o político de confiança dos setores mais poderosos da burguesia e, portanto, o real perigo para o povo. Em suma, essa política serve para fazer o povo votar num candidato que odeia, convencido de que o outro seria pior.

Essa manobra foi usada para eleger Joe Biden nos Estados Unidos, usando Trump como o espantalho para desviar os votos da esquerda para o candidato democrata. A esquerda foi levada a votar no candidato mais poderoso do imperialismo.

No Brasil, essa manobra está sendo preparada para as eleições de 2022 e foi colocada em prática nas eleições municipais nas principais cidades.

Esse é o objetivo da frente ampla: procurar eleger um candidato da direita golpista, usando Bolsonaro como espantalho para arrastar setores da esquerda para votarem no candidato do golpe.

As eleições da Câmara dos Deputados, que estão acontecendo nesse momento, são também um laboratório dessa política. Em nome de que seria preciso fazer de tudo para derrotar o candidato de Bolsonaro, Artur Lira, a esquerda está apoiando Baleia Rossi do golpista MDB. Lira é o representante do espantalho Bolsonaro dentro da Câmara, usado para justificar a vergonhosa aliança da esquerda com o bloco da direita golpista, liderado por Rodrigo Maia, do DEM.

Em artigo publicado no sítio Vermelho, órgão do PCdoB, intitulado “Contra Bolsonaro não cabe purismo; tampouco diletantismo” e assinado por Marcos Verlaine, defende-se o vale-tudo contra Bolsonaro.

“A aliança da oposição com Rodrigo Maia (DEM-RJ) e o MDB é, antes de tudo, contra Bolsonaro. É assim que precisa ser entendida essa ampla composição, que uniu parte do ‘Coliseu’, que golpeou a democracia em 2016, à esquerda.

Nesse processo, não cabem nem diletantismo nem tampouco purismo político-ideológico. Com a política hegemonizada pela extrema-direita representada pelo chamado bolsonarismo é preciso pragmatismo e clareza dos objetivos imediatos e futuros”.

Fica claro que o único motor da política é derrotar o espantalho Bolsonaro. Mas o como e por que não é esclarecido. Segundo o colunista do Vermelho é preciso “pragmatismo” para derrotar a política da extrema-direita representada pelo bolsonarismo e que seria “hegemonizada”.

Mas a grande pergunta que fica é de onde viria essa hegemonia da extrema-direita. Se é assim, quem seria responsável pela extrema-direita se não a própria direita que deu o golpe?

Agora, a esquerda parlamentar quer se juntar com o criador para combater a criatura. Esse criador, no entanto, não está contra a criatura, quer apenas criar outra, tão perversa quanto, para substituir uma que já está meio desgastado.

Essa é a diferença entre a direita golpista, representada por Maia, Baleia, Doria, a imprensa golpista etc, e o bolsonarismo. A direita tradicional criou Bolsonaro, colocou o bolsonarismo na rua, impulsionou e impulsiona até agora a extrema-direita, para dar o golpe e prender Lula, agora, ela quer se livrar de Bolsonaro, que está desgastado pelo uso, e colocar um Bolsonaro 2.0 no lugar. E é bom que se diga, se a operação de criação do novo Bolsonaro não for bem-sucedida, os que agora estão sendo apresentados como oposição, não vão hesitar em apoiar novamente Bolsonaro como foi feito em 2018.

Vejam só, tirar Bolsonaro e colocar no lugar um Bolsonaro 2.0, ou seja, mais capa de levar adiante a política contra o povo que é o objetivo central do golpe.

Bolsonaro é o espantalho para que a direita coloque o seu candidato em 2022. A esquerda está caindo na manobra feito pato, como fica claro na coluna do Vermelho.

“Desse modo, neoliberais ‘progressistas’ e a oposição se uniram para ‘marchar e golpear juntos’, naquilo que for comum e pertinente, como é o caso da eleição para a presidência da Câmara.

O colunista propõe uma frente única com os neoliberais como se não fossem estes os pais do fascismo. Aqui se vê a completa adaptação e capitulação diante da direita. É óbvio que o resultado dessa manobra só pode ser o fortalecimento da própria extrema-direita.

Fica claro que não há nenhuma real preocupação com o bolsonarismo, mas se trata de uma manobra puramente oportunista. A política do vale-tudo e do “pragmatismo” só serve para justificar esse oportunismo.

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