Trump e bozo

Em um grande festival de servilismo e submissão, o presidente ilegítimo Jair Bolsonaro foi recebido em Washigton, pelo presidente Donald Trump  para dizer “amém” aos interesses do imperialismo no Brasil e no continente latino-americano e tentar se atuar como cabo eleitoral (sem voto!) do desgasto presidente norte-americano.

O dia de ontem e o conjunto da viagem de Bolsonaro dos EUA ficarão marcados como um dos momentos de maior submissão, ate os dias de hoje (Bolsonaro mostra que não tem limites no capachismo) de um governo brasileiro a uma potência estrangeira.

O encontro entre os dois presidentes reacionários foi precedido por uma série de declarações e pronunciamentos que evidenciaram um esforço ideológico, econômico, diplomático e militar de apresentar o País como se fosse uma colônia, nos mais diversos sentidos, dos EUA, com o presidente e sua “corte” fazendo declarações de estarem maravilhados pela Disneylândia, pela Coca-Cola, por Trump e tudo mais que fosse norte-americano e de direita. Já antes da reunião, o presidente ilegítimo anunciou, sem qualquer contrapartida dos EUA, que iria liberar todos os cidadãos daquele país da necessidade de visto de entrada para ingressarem no Brasil, colocando o Brasil em uma posição de submissão diplomática aos EUA (os brasileiros continuarão necessitando de permissão dos EUA para viajarem para lá).

Mas a reunião entre os dois – formalmente – chefes de Estado mostrou ao mundo a imagem de um presidente vassalo dos EUA que, por pouco, não se ajoelhou diante do “seu ídolo” e chefe.

Diante de tamanha bajulação, Donald Trump, tratou de expor os interesses do grande capital dos EUA que representa. Depois saudar seu súdito e “parabenizar pela incrível vitória eleitoral” , de fato incrível, pela impossibilidade de que Bolsonaro saísse vitorioso caso tivesse ocorrido eleições de verdade aqui no Brasil e se a direita golpista (orientada pelos EUA) não tivesse impedido que o ex-presidente Lula tivesse sido candidato.

Para dar um pouco do “afago” (como a um animal de estimação) que Bolsonaro se mostra tão carente, diante do crescente repúdio popular a seu governo, Trump discursou que “temos idéias parecidas”, “a melhor relação que já tivemos” e um “acordo sobre os desafios e oportunidades que enfrenta nossa região”, falando como se fosse dono do continente latino americano.

Trump direcionou o (triste) espetáculo para expor a submissão dos governo do Brasil aos interesses dos EUA, no momento em que impôs novas sanções contra a Venezuela, destacou que entre as “nossas prioridades mutuas” está  a Venezuela, expondo a tese querida por Bolsonaro e cia. direitista de que “o que é bom para os EUA é bom para o Brasil”. Trump procurou se mostrar satisfeito de que o “Brasil foi uma das primeiras nações que reconheceram o governo Guaidó”, ou seja, o governo brasileiro apoiou de cara a armação dos EUA para tentar dar o golpe de Estado na Venezuela e legitimar um elemento que não recebeu um só voto do povo venezuelano para ocupar a presidência da República. A farsa foi longe, Trump, agradeceu a “participação do Brasil na ajuda humanitária” fraudulenta que não chegou à Venezuela, mais que, segundo suas palavras, “alimentou milhares de venezuelanos famintos””.

Falando de “reciprocidade”(apenas falando), Trump fez afagos vazios (e de interesse dos EUA) dizendo que  vai “designar o Brasil como principal aliado que não é da OTAN” – um status inexistente formalmente e que, portanto, não quer dizer nada –  e disse esperar uma “parceria mais profunda” e – de fato – cobrou do Brasil que elimine o que ainda existe barreira comerciais, que ofereçam ainda alguma proteção à economia brasileira contra a devastação que pode ser provocada pelo ingresso  ainda maior e sem barreiras do grande capital norte-americano. Como um abutre, Trump comemorou, “o presidente [Bolsonaro] tem visão de liberar o setor privado, abrir a economia… nossas empresas estão prontas para entrar quando as regras do jogo estiverem iguais”.

É como se o representante das raposas propusesse aos representantes das aves deixassem as portas abertas, prometendo que todos vão sair ganhando com o fim das barreiras entre os dois setores.

Trump ainda comemorou que a celebração de um “acordo para que empresa dos EUA possam lançar foguetes do Brasil”, elogiando o “local maravilhoso”, com o que “vamos [os EUA] economizar muitos recursos”  pelo que “agradecemos a parceria do Brasil”.

Em meio à uma profunda crise interna em que, assim como seu visitante e servo, é cada vez mais repudiado pela população trabalhadora dos EUA que se desloca à esquerda, Trump ainda aproveitou para fazer campanha anticomunista, afirmando que  “chegou o ocaso do socialismo no nosso hemisfério” e que “a última coisa que queremos nos EUA é o socialismo”, com o que mostrou [de forma disfarçada] uma preocupação sempre presente entre os capitalistas e suas máfias políticas.

Por sua vez, Bolsonaro, procurou mostrar uma aproximação com os EUA e co Trump, cujo único resultado concreto é uma maior submissão pública do presidente e do governo golpista aos interesses dos EUA.

Depois de agradecer a Trump ‘por sua calorosa hospitalidade”, tratou de convidá-lo para visitar o Brasil e passou à bajulação: “sempre fui um admirador dos EUA e essa admiração aumentou com sua chegada à presidência”.

Genericamente anunciou que a reunião de 20 minutos, que com o tempo de tradução terá resultado em manifestações de pouco mais de 5 minutos de cada um dos presidentes teriam servido para “destravar assuntos que estavam na pauta há décadas.” E resumiu assim seu papel de súdito dos EUA: “hoje o Brasil tem um presidente que não é anti americanos, algo inédito há décadas”

Repetiu o anuncio da medida unilateral de considerar os “norte-americanos” acima de outros países (o verdadeiro “deus” acima de todos) ao comunicar oficialmente que o “governo brasileiro concedeu a isenção de vistos para os norte-americanos”a pretexto de “estimular turismo e negócios”.

E anunciou ou repetiu outras medidas de interesse do grande capital norte-americano como “lançamento de foro de energia” (para aumentar a entrega do petróleo e de outras riquezas e diminuir as barreiras, como a legislação ambiental que os EUA consideram excessiva, querem liberdade para promover mais “Brumadinhos”), o “centro de lançamento de  de Alcântara” e a “cooperação militar vem se ampliando”, desfechando ataques  e calúnias contra a Venezuela, bem a gosto do seu “chefe” e anfitrião.

Indagado, na curta entrevista coletiva armada na casa Branca, sobre a posição do Brasil “se os EUA realizarem uma intervenção militar na Venezuela”,  Bolsonaro, além de repetir elogios a Trump desconversou afirmando ser uma “questão de estratégia…. não pode ser debatida aqui” e repetiu a atitude ilegal de permitir que o território brasileiro seja usado pelos EUA nas provocações contra o povo venezuelano afirmando que “permitiu que alimentos dos EUA fosse deslocados por Roraima” durante a tentativa fracassada da operação fracassada da “ajuda humanitária.

Por todas as formas, o governo Bolsonaro usou criar com a visita e várias firulas pessoais e familiares, como a visita à Cia, fora da agenda pública que foi vazada (intencionalmente ou não?), a substituição do ministro das Relações Exteriores pelo seu filho e deputado, na reunião reservada com Trump etc., buscou fazer da viagem uma demonstração de força, de prestígio, para amenizar a crise interna do seu governo que segundo o próprio filósofo Olavo de Carvalho, apontado como “guru” de Bolsonaro e líder de uma das alas mais reacionárias do governo está de mãos amarradas por militares próximos com “mentalidade golpista”, a quem chamou de “bando de cagões” (Carvalho assinalou, na véspera da visita que o governo Bolsonaro ‘vai acabar em seis meses, se continuar assim“).

Buscou criar uma imagem de força mas mostrou mais submissão e que é nada mais do que um funcionário do imperialismo empenhado em entregar o país para aqueles que consideram como o verdadeiro “deus acima de todos”.