Às ruas contra o genocídio!
Defesa dos contágios nas escolas derruba suposta cisão entre “científicos” e bolsonaristas na direita. Estudantes e professores devem se mobilizar contra ataques que se articulam
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
2020.11.04 Ato contra a militarização das escolas no ParanáAto
Manifestações contra ataques à educação no PR devem crescer e se estender a todo o País | Foto: Reprodução

O jornal golpista Folha de S. Paulo voltou a defender a reabertura das escolas no País. Na edição do jornal publicada no último dia 7, a matéria “Fechar escola contra a Covid-19 faz do Brasil exceção global”, assinada por Patrícia Campos Mello -direitista transformada em esquerdista após ataques do bolsonarismo-, coloca o Brasil numa suposta contramão em relação ao resto do planeta, devido ao fato de as escolas estarem fechadas no País, em meio a pandemia mais letal desde a Gripe Espanhola.

Sustentada por argumentos proferidos com um português melhor, a posição defendida pela jornalista -e naturalmente pelo jornal também-, sem nenhuma coincidência, caminha no mesmo sentido da política de Bolsonaro. Na semana passada, em meio a confusão causada pela determinação do MEC em reabrir as universidades no começo de 2021, o presidente fascista e ilegítimo declarou o seguinte:

“Estamos tentando a volta às aulas. Terminei [há pouco] uma conversa com o ministro da Educação [Milton Ribeiro], nós queremos voltar aula presencial em todos os níveis. Mas os reitores chegaram nele e [disseram] ‘não, queremos só começar em 2022’, tá? Aí, no meu entender, não tem cabimento, até porque esse vírus aqui fica grave de acordo com a idade da pessoa e comorbidades”.

A declaração foi dada a apoiadores do fascista em frente ao Palácio da Alvorada e destaca-se por revelar que, embora a retórica seja diferente, os interesses defendidos são os mesmos: os lucros da burguesia, construídos sob o genocídio da população, com a juventude pobre na linha de frente.

Péssimos exemplos

Uma das premissas do argumento dado pela colunista da Folha é de que os EUA e a Europa não fecharam as escolas em meio à segunda onda. Segundo a matéria:

“Em vários países da Europa, foi decretado “lockdown” nas últimas semanas por causa da escalada no número de infectados. Bares e academias de ginástica foram fechados —mas os colégios se mantiveram abertos e os alunos continuam a ter aulas presenciais.”

A primeira pergunta séria a ser feita é se com isso, controlou-se de alguma maneira a pandemia. A resposta é bastante óbvia: não.

A Inglaterra, por exemplo, tinha 476.172 casos no dia 1º de outubro. No balanço oficial sob a situação da pandemia no último dia 6 de dezembro, o país tinha mais de 1,7 milhão de contágios notificados. Itália e França apresentam uma situação similar no mesmo período, saindo de um total de 314.861 e 577.505 casos para 1,72 milhão e 2,29 milhões respectivamente.

O outro exemplo de combate à pandemia, os EUA, no mesmo período, saíram de 7,54 milhões de doentes oficialmente registrados para o dobro no dia 6: 15,16 milhões.

A leitura do argumento já deixava óbvia a fraqueza de sua validade mas a análise concreta revela uma situação ainda pior. A evolução brutal dos casos de contágio não deixam dúvidas de que a colunista escolheu os piores exemplos possíveis para sustentar a tese de que as escolas podem voltar a abrir. Não, não podem. A menos que queiramos um surto ainda mais descontrolado nos contágios.

O Brasil não é a Europa

Há ainda que se considerar a realidade absolutamente distinta entre os padrões de vida da população brasileira e dos povos americanos e europeus.

Com cidades que em grande medida configuram-se como versões atualizadas das senzalas do século 19, as péssimas condições de higiene nos bairros populares, frutos de uma infraestrutura precária, com esgotos a céu aberto conduzindo o coronavírus aliado às condições de moradia onde não há isolamento possível, somados ainda às dificuldades econômicas tradicionais de uma população extremamente pobre (e cada vez mais), chega a ser grotesco estabelecer uma comparação entre o Brasil e os EUA ou a Europa.

Contudo, já que foi feito, é preciso dizer que se nos países centrais do imperialismo, a prevalência dos interesses da burguesia sobre as necessidades da população vem produzindo tamanha tragédia, os estudantes brasileiros, professores e seus familiares devem considerar um novo patamar do genocídio caso a burguesia consiga reabrir escolas e universidades.

Ciência sem luta de classes

A propaganda da Folha baseia-se ainda em outro ídolo de barro, amplamente utilizado pela esquerda pequeno-burguesa para se colocar ao lado da direita centrista e superficialmente contra o bolsonarismo: a ciência.

O órgão da burguesia destaca o papel de um grupo de pediatras direitistas, que sob o manto sagrado da “comunidade científica”,  apresentou uma defesa do retorno às aulas presenciais:

“Um grupo de pediatras circulou uma carta com 400 assinaturas pedindo a volta do ensino presencial. Os autores apresentam artigos científicos que mostram que o retorno às atividades escolares presenciais é seguro para crianças e adolescentes, desde que medidas de proteção individual sejam implementadas.”

Curiosamente, chama atenção o fato de que a Dinamarca, no mesmo dia 7 em que a matéria foi ao ar, retomou a quarentena em 38 dos 98 municípios do país, incluindo também o fechamento de escolas para combater o aumento dos contágios.

Como em outros momentos históricos, a “ciência” -que já ajudou o imperialismo alemão a exterminar povos dominados da Europa e entregou uma arma como a bomba atômica aos EUA- revela-se o que sempre foi: um instrumento da dominação burguesa na luta de classes.

“Morra quem morrer”

Naturalmente, o que move a Folha (e também os principais órgãos da imprensa capitalista, como o G1 da Globo), Bolsonaro e o amplo conjunto da burguesia nem de longe passa pelo desenvolvimento cultural da juventude brasileira, especialmente os estudantes oriundos das classes trabalhadoras. O interesse da burguesia é nos trilhões de dólares perdidos com o fechamento das escolas.

Um estudo feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), estima em 1,5% do PIB mundial perdido com o fechamento das escolas devido à pandemia.

Com a projeção de US$138,35 trilhões no PIB global, a perda estimada pela OCDE é superior a US$2 trilhões. Para efeito de comparação, o PIB do Brasil -um dos países mais ricos do planeta- medido em 2019 foi de US$1,8 trilhão, o que significa que manter as escolas fechadas e preservar a vida dos estudantes brasileiros e seus familiares, custam mais do que um Brasil inteiro ao imperialismo.

Nesse sentido, fica óbvia a real motivação da artilharia pesada dos órgãos de propaganda da burguesia em defesa da reabertura das escolas.

Ilustrando um certo desespero da burguesia em torno do tema, mesmo as aparências de entre a “direita civilizada” e o bolsonarismo sumiram na luta pela retomada das aulas presenciais.

Sempre inclinado a atender a classe que lhe sustenta no poder, o bolsonarismo voltou à carga contra a paralisia das escolas e universidades, decretando no último dia 8 o retorno às aulas presenciais nas universidades federais, a serem retomadas a partir de 15 de março.

Só a luta popular pode derrotar a política genocida

Menos de uma semana após o anúncio do MEC em retomar as aulas nas universidades e institutos federais, o governo volta a ameaçar estudantes, professores e seus respectivos familiares com a política genocida de reabertura das escolas e universidades, no momento em que o País se encaminha para 180 mil mortos oficialmente reconhecidos.

Terminada a embriaguez da “festa da democracia”, começa a ressaca para a população, sobretudo estudantes, que sofrem uma campanha sistemática pela reabertura das escolas, em favor dos interesses capitalistas e cujo fim inevitável será uma mortandade ainda maior da população pobre.

Comprovando que enquanto o regime estiver de pé, toda a população estará sob estado constante de ameaça, é preciso que aqueles diretamente ameaçados pela burguesia levantem-se em grandes mobilizações, de caráter nacional, contra o genocídio, pelo fim imediato do governo Bolsonaro e por Lula presidente.

Aos estudantes, cumpre o papel de se organizarem coletivamente, em comitês de luta para mobilizar o maior número possível de colegas, pressionar as entidades estudantis a agirem, convocando manifestações de rua, organizar piquetes e impedir que os lucros de uma burguesia decadente continuem se impondo sobre a vida da juventude e de seus familiares.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas