Bolsonaro é eleito e repressão no campo aumenta: formar comitês e armar os sem terra contra os latifundiários

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A vitória de Bolsonaro nas eleições presidenciais fraudadas pelos golpistas está impulsionando grupos fascistas e de extrema-direita a atacarem militantes de esquerda e movimentos sociais.

Os movimentos sociais de luta pela terra são o primeiro alvo dessa extrema-direita. O exemplo foi visto que após o primeiro turno das eleições e a vitória de Bolsonaro houve um aumento das ações de pistoleiros e milícias de extrema-direita para atacar acampamentos, aldeias, posseiros e por aí vai.

Na semana após o primeiro turno em que apontou a vitória de Bolsonaro, uma liderança sindicalista ligada aos sem-terra e dois indígenas, foram assassinados no Pará, Maranhão e Mato Grosso.

No dia 10 de outubro, o indígena Erivelton Tenharin, foi atingido em um tiroteio na sede da Funai, em Colniza (Mato Grosso), mesmo município onde ocorreu o massacre que matou 10 trabalhadores sem-terra em ação da Polícia Militar em 2017.

No dia seguinte, o líder do movimento dos sem-terra, Aluisio Sampaio, conhecido como Alenquer, foi assassinado na última quinta-feira, com mais de dez tiros na cara em Castelo de Sonhos, município de Altamira (Pará). A terceira vítima também lutava contra a presença de madeireiros no território indígena. Trata-se de Davi Mulato Gavião, assassinado no dia 12 de outubro, em Amarante do Maranhão.

No município de  Dois Irmãos do Buriti (MS), na noite anterior as eleições, latifundiários atacaram o acampamento Sebastião Bilhar do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Nesse ataque incediaram barracos aos gritos de Bolsonaro.
Já após a vitória de Jair Bolsonaro no segundo turno, teve início de uma onda de ataques a acampamentos. Na mesma noite, latifundiários atacaram uma aldeia em Dourados, Mato Grosso do Sul, 15 indígenas ficaram feridos em um ataque a um acampamento ao lado da aldeia Bororo, na madrugada de domingo. Entre eles está uma criança de 9 anos.
Em outro município do Mato Grosso do Sul, Caarapo, 40 latifundiarios armados e com caminhonetes foram para dentro de area retomada pelos indígenas e em Miranda, latifundiários foram até as aldeias e atiraram com fogos e armas de fogo em direção aos indígenas.

Isso ocorre porque Bolsonaro é ligado aos latifundiários e suas declarações apontam aumento da repressão contra os trabalhadores do campo e movimentos de luta pela terra. O presidente golpista de extrema-direita está se cercando de latifundiários e de lideranças da União Democrática Ruralista (UDR), entidade criada para atacar violentamente os sem-terra e indígenas na década de 90.

Os latifundiários são a ala mais retrógrada da burguesia nacional, impedindo o desenvolvimento do país, mantendo o país como uma colônia exportadora de produtos agrícolas, e que contrata pistoleiros e criam milicias para atacar indígenas, quilombolas e sem-terra.

Esses ataques são acobertados pelo judiciário e com participação direta de policiais, e agora tem carta branca do governo federal para reprimirem esses movimentos de luta pela terra da maneira que acharem necessária.

Os conflitos no campo vão se agravar e a ofensiva da extrema-direita vai ser cada vez mais violenta, principalmente no campo, onde os latifundiários comando e as entidades que defendem os trabalhadores e comunidades tradicionais são menos organizadas e menores.

Por isso, para os trabalhadores sem-terra, indígenas e quilombolas está na ordem do dia  formar comitês de autodefesa contra esses ataques da extrema-direita e dos latifundiários. Somente os comitês de autodefesa podem garantir a segurança dessas comunidades e acampamentos, o funcionamento das atividades e, principalmente, impedir o avanço da extrema-direita nas ruas.