Bolsonaro e a TFP: uma história de amor

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Os herdeiros do grupo de fascista Tradição, Família e Propriedade (TFP), do atual Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, foram entrevistados pelo Estadão nesse domingo, enquanto panfletavam na Avenida Paulista em favor do governo golpista de Jair Bolsonaro.

O grupo concedeu entrevista para o jornal burguês, defendendo a união de toda a ala “conservadora” em apoio ao governo bolsonarista. Além de pertencerem a mesma linhagem golpista da “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, a qual foi chamada como prelúdio para o golpe de 64, o grupo fascista é monarquista e defende a restituição da monarquia como um desenvolvimento da suposta “renovação nacional” instalada por Jair Bolsonaro.

Além da ação de rua citada, eles também participaram do 26 de maio em apoio ao governo bolsonarista. Entre os participantes, Bertrand Maria José Pio Januário Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orléans e Bragança, segundo na linha sucessória real e um dos líderes do movimento de restauração da monarquia; Adolpho Lindenberg, presidente do Instituto e herdeiro do legado tradicionalista de origem católica e o deputado do PSL Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP).

O grupo da TFP reconhece a desagregação das bases governistas e defende a unificação da direita em torno de Jair Bolsonaro, mesmo que criticando suas relações com Olavo de Carvalho e defendendo a ala militarista do governo. Os defensores dessa posição política de “colocar o Bolsonaro na linha”, trazendo-o para a política da ala conservadora ligada às Forças Armadas, portanto, são os mesmos defensores abertos do próprio fascismo e do extermínio da esquerda brasileira. Isso mostra com mais concretude o jogo de forças interior ao governo e a sua tendência real à fascistização. Outros grupos de extrema-direita, como os Montfort, também defendem a mesma política de suposta “renovação nacional”, sempre citando como necessário para o processo, a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva e a perseguição do Partido dos Trabalhadores (PT). Na realidade, essa é a base social que defende a perseguição, tortura e extermínio da esquerda por uma suposta “moralização” do regime, o que significa, o fortalecimento do domínio burguês em detrimento da luta social que tende a se intensificar com os ataques contra a população devido a crise econômica.

Como o mesmo grupo de extrema-direita reconheceu, a “ala conservadora está desunida”. Essa crise interna na base do governo é decorrente da própria crise política do próprio governo lastreada pelas grandes mobilizações de massas pelo “Fora Bolsonaro”. O crescimento da mobilização popular organizada contra as medidas golpistas, portanto, é o única forma de aprofundar as contradições internas do governo fascistóide, levando-o a derrocada. Dessa forma, garantir um dia 14 de junho de amplas mobilizações de massas, atreladas a greve geral dos diversos setores de trabalhadores brasileiros, é o próximo passo para a vitória da esquerda e do povo brasileiro sobre a burguesia fascista.