Genocídio de indígenas
Colchões velhos, sujos e rasgados. Essa foi a “doação” que o Exército e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) fizeram aos indígenas infectados por Covid-19
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Colchões doados para indígenas de SC, infectados pela Covid, não têm condições de uso | G1

Colchões velhos, sujos e rasgados. Essa foi a “doação” que o Exército e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) fizeram aos indígenas infectados por Covid-19 na Terra Indígena (TI) Laklãnõ, entre os municípios de Doutor Pedrinho, Itaiópolis, José Boiteux e Vitor Meireles, na região central de Santa Catarina, nesta quinta-feira (13).

Junto a cobertores, também sujos, os cinquenta colchões seriam destinados a uma ala que está sendo estruturada para o tratamento e isolamento dos indígenas infectados pelo novo coronavírus dentro da TI. Ao todo, 2.300 pessoas vivem em nove aldeias.

Desde o primeiro registro da doença na região, no dia 30 de julho, setenta indígenas do povo Xokleng, autodenominado Laklãnõ, foram contaminados e dois faleceram. Entre as vítimas está uma bebê nascida morta. A mãe tinha Covid-19 e a criança também estava infectada.

Segundo estimativas do próprio governo fascista, os indígenas infectados morrem mais que a população geral do país, isto como consequência do total descaso do estado com a saúde indígena que requer mais cuidado tendo em vista suas condições de vida que são bastante sucateadas. Como se já não fosse grave o suficiente, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, que vem acompanhando de perto o desenvolvimento da doença entre 34 etnias indígenas do país, veio a público demonstrar que os levantamentos do Ministério da saúde, de 214 índios infectados e 16 mortos não correspondem à realidade, na verdade são 308 infectados e 77 mortos entre os indígenas, numero de mortes mais de quatro vezes maior.

A situação fica especialmente precária para grupos ainda mais vulneráveis, como é caso dos indígenas, que já são alvo da direita normalmente, desde ter suas terras invadidas, a serem perseguidos e mortos em nome dos interesses a burguesia agrária. Em meio à pandemia os capitalistas, que precisam se salvar da crise, aproveitam para fechar o cerco ainda mais, como fica claro com a MP 910 que beneficia os grileiros e coloca os índios sob mais ameaça. Isto acontece ao mesmo tempo em que a população indígena morre do vírus com números alarmantes graças à politica tipicamente neoliberal adotada pelo estado: migalhas ao povo, trilhões aos bancos.

Desta forma se mostra claramente que nada realmente positivo para os povos indígenas virá da burguesia que usa o estado para promover um verdadeiro genocídio dos índios, o que só tende a se intensificar com as crises. O que está colocado é que a população oprimida e explorada deve se unir pra sobreviver à pandemia,  vários conselhos populares já tem sido formados em todo o país pela própria classe trabalhadora e pelo povo mais pobre porque só assim terão alguma chance fazer valer suas reivindicações para sobreviver à doença e à crise capitalista que se agrava a cada dia e coloca em risco a vida dessa gente.

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