Fome, desemprego, devastação
É preciso se livrar do farsante que busca culpar o povo pela sua desgraça, que zomba do seu sofrimento, que impulsiona o genocídio e a destruição da economia nacional
Revista Veja
Matéria: Presidente da República recebe os novos Embaixadores
Personagem: Jair Bolsonaro, presidente da República
Foto: Cristiano Mariz
Data:04/06/2019
Local: Palácio do Planalto-  Brasília - DF
Coemorando a desgraça do povo | Foto: Reprodução
Revista Veja
Matéria: Presidente da República recebe os novos Embaixadores
Personagem: Jair Bolsonaro, presidente da República
Foto: Cristiano Mariz
Data:04/06/2019
Local: Palácio do Planalto-  Brasília - DF
Coemorando a desgraça do povo | Foto: Reprodução

Na semana em que o País superou a marca oficial de 140 mil mortos na pandemia do coronavírus, o presidente ilegítimo enviou mensagem à Organização das Nações Unidas (ONU), na qual, além de negar que haja uma política de devastação ambiental, responsabilizou indígenas e caboclos pelas queimadas, setores que estão sendo duramente afetados pela política oficial do governo fascista de “passar a boiada” em meio à pandemia, quando a atenção do povo estaria voltada para o enorme genocídio imposto ao País.

População está comendo demais?

Diante da alta dos preços dos produtos da cesta básica, na qual alguns dos produtos mais populares como o arroz e o feijão chegaram a registrar altas de mais de 100%, o governo e a imprensa golpista também culparam a população pela situação, sob a alegação fraudulenta de que haveria uma explosão do consumo. A população estaria cometendo o “crime” de querer comer e, desta forma, fazendo subir os preços da cesta básica. Nada mais falso.

O Brasil chegou – pela primeira vez em sua história – a uma situação em que há mais pessoas sem ocupação do que ocupadas. Bateu o recorde de desempregados com um índice que não aparece nas estatísticas oficiais porque estas registram como desocupados apenas as pessoas que “procuraram por emprego no último mês” quando é evidente que milhões de pessoas estão até mesmo impossibilitadas de procurar por vagas que não existem.

E não é só o desemprego que vem forçando uma redução do consumo de alimentos. Os patrões vêm se valendo da crise para promover um violento arrocho salarial entre os empregados, valendo-se inclusive de institutos legais para isso. O próprio governo Bolsonaro deu a sua valorosa contribuição para reduzir o consumo de alimentos (e de tudo mais) ao reduzir pela metade o valor do já miserável auxílio emergencial (de R$600 para R$300) neste mês e decretar que o mesmo só terá vigência até dezembro.

Não faz nenhum sentido dar crédito à versão fantasiosa do governo e da imprensa golpista que o Brasil seria o único país no mundo onde o aumento exponencial do desemprego e a redução dos salários fariam com que as pessoas comessem mais. 

Essa versão é desmentida até mesmo por órgãos oficiais como o IBGE, que há poucos dias divulgou estudo mostrando que entre 2017-2018 (logo em seguida ao golpe de Estado de 2016), a “insegurança alimentar” (IA), ou seja, a fome, afetou de forma intensa os lares de 10,3 milhões de brasileiros.

Segundo o IBGE, dos 68,9 milhões de domicílios do país, 36,7% estavam com algum nível de insegurança alimentar, atingindo, ao todo, 84,9 milhões de brasileiros em todo país. E isto foi antes do atual desastre impulsionado pela política econômica do governo Bolsonaro, acelerado pela pandemia e pela falta de qualquer política real de proteção da população por parte desse governo.

O lucro acima de tudo

Ao contrário do que vocifera Bolsonaro, o povo não está comendo mais e a causa primordial para a alta dos preços está no fato de que o Brasil é um dos poucos (se não o único) países exportadores de alimentos que não proibiu e nem ao menos reduziu as cotas de exportação de forma a garantir o abastecimento necessário à sua própria população. Isto é, o governo permitiu que a produção de alimentos fosse dirigida sem entraves ao mercado internacional.

Assim, segundo Bolsonaro afirmou em seu discurso para a ONU, o Brasil produz alimentos para mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo, mas está deixando morrer de fome milhões de brasileiros, graças ao seu governo, interessado apenas em garantir os gordos lucros do agronegócio e dos latifundiários, beneficiados com a desvalorização do real frente ao dólar que impulsiona as exportações, a queda nos estoques internos e a absurda elevação dos preços no mercado interno.

Bolsonaro e todos os golpistas conseguiram a proeza de fazer do nosso país, com enorme riquezas e potencial, com seguidos recordes na produção agrícola, um país de famintos.

É preciso se livrar do farsante que busca culpar o povo pela sua desgraça. Que zomba do sofrimento, que impulsiona o genocídio, a devastação ambiental e a fome.

Mais do que nunca, é preciso unir a esquerda e as organizações dos explorados da cidade e do campo para lutar pelas suas reivindicações imediatas diante da crise para colocar para fora o governo ilegítimo.

Para impulsionar essa mobilização é preciso unificar a esquerda em torno de uma alternativa política com amplo apoio popular que é a luta pela candidatura presidencial de Lula, começando pela mobilização em torno da restituição plena de seus direitos políticos.

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