Fascismo
A saída institucional é uma farsa: apenas fortalecerá o regime político golpista
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Jair Bolsonaro | Foto: Reprodução
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Jair Bolsonaro | Foto: Reprodução

Na última segunda-feira (29), em mais um típico aceno à sua base de extrema-direita, o fascista Jair Bolsonaro voltou a defender as torturas da ditadura militar e a atacar Dilma Rousseff:

“Os caras se vitimizam o tempo todo: ‘fui perseguido’. Teve um fato aí, esqueci o nome da pessoa, mas é só procurar na internet, vai achar com facilidade, que a Dilma foi torturada e que fraturaram a mandíbula dela. Eu falei: ‘traz o raio-X para a gente ver o calo ósseo’. Olha que eu não sou médico. Até hoje estou aguardando o raio-X”.

Os ataques covardes contra Dilma Rousseff não são novidade, mas sim a continuação de uma campanha podre e abertamente fascista feita durante a preparação do golpe de Estado de 2016. Na própria votação do impeachment de Dilma Rousseff, Bolsonaro chegou a homenagear Carlos Brilhante Ustra, notório torturador, apontado pela ex-presidenta como um dos criminosos do regime.

Mais uma vez, Bolsonaro vem a público para dar um recado muito claro: no que depender dele, os anos sangrentos da ditadura militar poderão tomar nova vida em seu governo. A fascinação pelas torturas e pelo regime militar é tão grande que Bolsonaro já chegou a elogiar o ditador paraguaio Alfredo Stroessner e o ditador chileno Augusto Pinochet, mesmo seus sucessores de extrema-direita — Mario Abdo Benítez e Sebastián Piñera — procurando se descolar de suas imagens odiadas.

Essas ameaças despertaram, naturalmente, o repúdio amplo da população. No entanto, a esquerda pequeno-burguesa, viciada no mais vulgar cretinismo parlamentar, decidiu dirigir toda essa revolta para a via infértil da institucionalidade. Um setor clamou pela prisão do presidente ilegítimo. Outro, por fim, pelo seu impeachment. Outro, por algum tipo de sanção pela sua “falta de decoro”. Todas as fórmulas, contudo, resultarão em uma política profundamente equivocada.

Todas as fórmulas são direcionadas, sem exceção alguma, às instituições do regime. Isto é, para o próprio regime. Dizem: “prendam Bolsonaro!”. Mas quem irá prender Bolsonaro, se não o próprio Judiciário, o Ministério Público e a polícia? Dizem também: “impeachment para Bolsonaro!”. Mas quem dará prosseguimento ao impeachment, se não o Congresso Nacional? Dizem, ainda: “julguem Bolsonaro!”. Mas quem o fará, se não as corruptas comissões de ética do legislativo?

Para apontar a institucionalidade como um caminho, a esquerda teria de admitir, antes de tudo, que a direita golpista é um caminho viável para a luta contra o governo Bolsonaro. Ou seja, que aqueles que pariram o governo Bolsonaro seriam o maior freio que um governo de extrema-direita poderia encontrar. E tanto é assim que a burguesia, ancorando-se na total falta de orientação da esquerda nacional, já estendeu a sua mão para uma frente em defesa da “democracia”:

“Bolsonaro não tem dimensão humana. Tortura é debochar da dor do outro. Falo isso porque sou filho de um ex-exilado e torturado pela ditadura. Minha solidariedade a ex-presidente Dilma. Tenho diferenças com a ex-presidente, mas tenho a dimensão do respeito e da dignidade humana” — Rodrigo Maia (DEM)

“Brincar com a tortura dela (Dilma) — ou de qualquer pessoa — é inaceitável. Concorde-se ou não com as atitudes políticas das vítimas. Passa dos limites” — Fernando Henrique Cardoso (PSDB)

A essas declarações, podemos ainda citar os cinco minutos do Jornal Nacional, da Rede Globo, contra a fala do presidente ilegítimo.

Como visto, para a demagogia, há espaço de sobra para uma frente entre a esquerda e a direita nacional na luta contra o bolsonarismo. A questão é: concretamente, aonde isso irá levar?

Em primeiro lugar, é preciso destacar que não há uma oposição real entre o bolsonarismo e a direita nacional. A direita de conjunto apoiou Bolsonaro em 2018, e apoiaria novamente, caso fosse necessário para impedir uma vitória eleitoral do PT. Essa mesma direita, inclusive, dá sustentação ao governo. O candidato oficial da direita nacional à eleição da mesa diretora da Câmara dos Deputados, Baleia Rossi (MDB), votou junto com o governo em 90% dos projetos. Some-se a isso o fato de que a direita permitiu que quase 200 mil pessoas morressem de coronavírus no País, promovendo a reabertura da economia e impedindo que o Estado sequer testasse a população.

Para dizer que a direita nacional é uma oposição ao governo Bolsonaro, seria preciso que ela tivesse, no mínimo, um programa contra o governo Bolsonaro. E qual é esse programa? Absolutamente nenhum. Bolsonaro quer entregar o País para o imperialismo, a direita nacional também. Bolsonaro quer acabar com os direitos dos trabalhadores, a direita nacional também. Bolsonaro quer que o orçamento inteiro do Estado vá para os bancos, a direita nacional também. Naquilo que há de mais fundamental, não há uma diferença. Tanto um como outro representam os interesses da classe antagônica aos interesses da esmagadora maioria da população.

Em segundo lugar, pedir, neste caso, que a direita conduza o processo de oposição ao governo Bolsonaro levará apenas a um fortalecimento do regime político. Fortalecimento esse que se voltará inevitavelmente contra os trabalhadores.

Suponhamos que, por alguma contradição, o Supremo Tribunal Federal (STF) decida punir Bolsonaro por suas declarações. Ou, ainda, que seja absolutamente aceitável que o Congresso derrube um presidente por causa de uma declaração. Se isso acontecer, o regime político, que é comandado pela direita, estará ganhando ainda mais recursos para perseguir os seus adversários. Isto é, se Dilma Rousseff foi derrubada em 2016 pela direita nacional a partir de um processo fraudulento contra “pedaladas fiscais”, agora, a mesma direita nacional terá condições de se voltar contra qualquer presidente progressista simplesmente por causa de sua opinião. E, como para a Folha de S.Paulo a Venezuela é uma ditadura, quem defender o regime chavista estará com seus dias contados.

É por isso que, contra o fascismo, a política da esquerda deve ser outra: total independência da burguesia, total unidade entre os trabalhadores na luta. É preciso abandonar quaisquer ilusões no regime político burguês, erguido para perseguir a esquerda e os trabalhadores, e organizar, nas ruas, a reação contra o fascismo. Neste sentido, é preciso intensificar a campanha pelo Fora Bolsonaro e todos os golpistas e organizar a autodefesa contra a extrema-direita.

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