Bolsonaro defende Sergio Moro, mesmo após vazamentos contra a Lava Jato

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Essa semana criou-se uma expectativa sobre a manifestação do presidente Bolsonaro em relação ao caso da “Vaza Jato”, protagonizado pelo Ministro da Justiça Sérgio Moro e seu comparsa Deltan Dallagnol, promotor de Justiça. Mas, diferente do que muitos achavam, que Bolsonaro demitiria Moro, ele, em vez disso o elogiou e deu o seu aval. Disse ele: “O que ele (Moro) fez não tem preço. Ele realmente botou para fora, mostrou as vísceras do poder, a promiscuidade do poder no tocante à corrupção”.

Essa confusão veio à tona quando, no dia 9 passado, o site de notícias The Intercept Brasil trechos de mensagem atribuídas à Moro e a membros da força-tarefa da Lava Jato. Mas, para Bolsonaro como para Moro não houve nenhum problema revelado. Dizem, inclusive, que é comum a conversa entre membros da magistratura e do ministério público. Ao contrário do que afirmou o site de “colaboração criminosa”, tanto Bolsonaro quanto Moro afirmam que o problema está no hackeamento das mensagens, e não no conteúdo delas.

Em conversas com os jornalistas, Bolsonaro respondeu que: “normal é conversa com doleiro, com bandidos, com corruptos, isso é normal? Nós temos nos unido do lado de cá. Ninguém forjou provas nessa questão da condenação do [ex-presidente] Lula”, ao falar sobre o processo julgado por Moro na primeira instância da Lava Jato, em Curitiba.

Dessa vez, Bolsonaro avaliza Moro, que, raspando o lero-lero do crime de hackeamento, não evita vir à tona, e de forma bombástica, a verdade sobre a Lava Jato ser uma mecanismo utilizado pelo Imperialismo, através do Judiciário, que favoreceu Bolsonaro nas eleições de 2018. Um esquema criminoso, que, não só foi responsável pela perseguição política e prisão de José Dirceu e Lula, e ao golpe que derrubou a presidenta Dilma, como também preparou terreno para a fraude que foram as eleições que colocaram a extrema direita no poder ao lado de Bolsonaro.

Elogiar Moro e a Lava Jato, é uma política de auto defesa de Bolsonaro, uma vez que seu governo em crise, se v6e diretamente atingido pelo vazamento. É claro que isso significa o mesmo rasgar ainda mais a já esfarrapada Constituição Federal, onde se estabeleceu que o sistema acusatório no processo penal, no qual as figuras do acusador e do julgador não podem se misturar. Nesse modelo, cabe ao juiz analisar de maneira imparcial as alegações de acusação e defesa, sem interesse em qual será o resultado do processo. Mas as conversas entre Moro e Dallagnol demonstram que o atual ministro se intrometeu no trabalho do Ministério Público – o que é proibido – e foi bem recebido, atuando informalmente como um auxiliar da acusação.

A atuação coordenada entre o juiz e o Ministério Público por fora de audiências e autos (ou seja, das reuniões e documentos oficiais que compõem um processo) fere o princípio de imparcialidade previsto na Constituição e no Código de Ética da Magistratura, além de desmentir a farsa dos atores da Lava Jato de que a operação tratou acusadores e acusados com igualdade. Moro e Dallagnol sempre foram acusados de operarem juntos na Lava Jato, mas não havia provas explícitas dessa atuação conjunta – até agora.

Agora, ,além da convicção e das inúmeras evidências, há provas irrefutáveis da armação golpista.