Manipulação da burguesia
A burguesia infla a popularidade de Bolsonaro para assustar o povo e manipular a esquerda para apoiar um candidato de direita.
bolsonaro Acadêmicos do Vigário levou à avenida palhaço gigante foto twitter
O "espantalho" Bolsonaro. Desfile da escola de samba Acadêmicos do Vigário | Foto: reprodução Twitter
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O "espantalho" Bolsonaro. Desfile da escola de samba Acadêmicos do Vigário | Foto: reprodução Twitter

A mais recente pesquisa de popularidade do presidente golpista Bolsonaro, feita pelo instituto Ibope, mostrou que este tem uma aprovação de 40% (soma das porcentagens de ótimo e bom). Este seria o melhor percentual de aprovação de Bolsonaro desde o início de seu mandato. A pesquisa anterior teria indicado um valor de 29%.

A pesquisa do Ibope aponta ainda que o índice de confiança no presidente e aprovação à sua maneira de governar também aumentaram. A pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria foi realizada entre 17 e 20 de setembro com duas mil pessoas em 127 municípios.

Segundo o instituto esta melhora na avaliação do presidente ilegítimo seria devido ao auxílio emergencial, também conhecido como bolsa esmola, e que, como diz a imprensa burguesa, refletiria uma aprovação da população à política de combate à fome e à pobreza do governo.

Estes resultados divulgados pelo Ibope, instituto a serviço da burguesia, são completamente absurdos. Como é possível que a popularidade de um presidente que tem sistematicamente cortado pessoas do programa do Bolsa Família, cortado benefícios como a aposentadoria, emprego em carteira, direitos trabalhistas e outros direitos históricos pode ter uma alta de popularidade?

É necessário lembrar ainda a política desastrosa, ou melhor, a completa falta de política de combate à pandemia do coronavírus de Bolsonaro. Neste momento a doença já fez mais de 140 mil vítimas fatais, com mais de 4.650.000 casos confirmados. São mais de 28 mil casos novos e uma média de 700 mortos por dia. O governo Bolsonaro não fez absolutamente nada para a contenção da doença ou o seu combate, não aumentou o número de leitos, não distribuiu luvas, máscaras ou álcool gel e nem fez testes com a população. Desde o início Bolsonaro fez a propaganda ao contrário, clamando a população a retomar a vida normal e fazendo piada dos mortos como se eles tivessem morrido porque eram pessoas fracas, um completo escárnio.

Neste sentido é claro como água que as pesquisas são fraudulentas, manipuladas e direcionadas para o resultado esperado pela organização que encomendou o estudo.

Agora, o que é necessário é entender é qual o objetivo de se tentar impor uma farsa grande como esta. O que a burguesia está fazendo, com a ajuda da imprensa tradicional, é apresentar Bolsonaro como uma figura de grande apoio popular, com grande base social. Como já se constatou durante os últimos meses Bolsonaro não é o candidato preferencial da burguesia. Ele foi o resultado da falta de opções dentro da direita. A burguesia prefere uma figura mais normal, menos espalhafatosa, menos bizarra para comandar o país. Prefere alguém como Geraldo Alckmin, um legítimo representante da burguesia, um filhote da ditadura militar, que seria a autêntica voz de seus interesses. Mas como a eleição de 2018 se desenvolveu daquela forma, com Alckmin incapaz de atrair votos, então a burguesia foi obrigada a ficar com sua segunda opção, Bolsonaro.

Mas para 2022 setores da burguesia já estão se articulando para fazer vencer o seu candidato preferido. Desta forma, a direita apresenta o “crescimento” da popularidade de Bolsonaro como um espantalho que criará medo nos setores mais à esquerda da população, que tenderá a votar no candidato “menos pior”, mesmo que direitista, para derrotar Bolsonaro.

Essa é uma estratégia que deu certo várias vezes no passado. A população do estado de São Paulo conhece muito bem esta estratégia, tanto é que por causa deste erro histórico do PT o governo do estado está há décadas na mão do PSDB. Antes o espantalho usado pela burguesia era Paulo Maluf, hoje em dia é usado Celso Russomanno.

A outra estratégia que foi colocada em movimento é a frente ampla. O objetivo expresso inicialmente pela frente ampla seria o combate à direita e ao fascismo e para isso estariam agrupando setores da esquerda como o PCdoB e PSOL com políticos da direita como Ciro Gomes. Tal estratégia foi utilizada inúmeras vezes no passado e seu resultado é sempre o mesmo, uma derrota humilhante para a esquerda e para a classe trabalhadora.

A frente ampla foi criada pela burguesia com o principal intuito de tirar o PT do páreo. Sua função é tirar da eleição o único político que tem condições de unificar a classe trabalhadora e ganhar a eleição que é Lula. Por isso é importante para a burguesia fazer estas duas estratégias darem certo, de modo que em 2022 possam eleger o candidato que eles querem, seja lá qual for o nome, João Doria, Luciano Huck ou Fulano de Tal.

Por isso é necessário que todos os setores progressistas, interessados na derrubada de Bolsonaro e de todos os golpistas, rejeitem essas manobras da burguesia. É necessário investir na mobilização das grandes massas populares e lutar pelos direitos políticos de Lula, para que ele possa ser o candidato que fará a unificação das esquerdas, o único político com reais condições de ganhar as eleições de 2022.

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