Privatização
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprovou a privatização da Liquigás, subsidiária integral da Petrobras, para o grupo composto por Copagaz e Itausa.
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
liquigás
botijão de gás | folha.uol.com.br

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprovou a privatização da Liquigás, subsidiária integral da Petrobras, para o grupo composto por Copagaz e Itausa. Além disso, participarão da operação as empresas Nacional Gás Butano (NGB) e Fogás.

A operação de alienação dá sequência às diretrizes de desinvestimentos da Petrobrás que tem como objetivo reduzir a petrolífera brasileira de empresa integrada do setor de energia a mera empresa enxuta de produção de óleo bruto nas camadas do pré-sal.

A operação de venda deve movimentar R$ 3,7 bilhões e será dividida em três etapas. Num primeiro momento, a Copagaz/Itaúsa deve passar a controlar de 45% a 49,99% do capital social votante da Liquigás. Na sequência, será criada uma nova empresa, a NewCo1, composta por ativos da Copagaz/Itausa e da Liquigás que serão transferidos para a NGB nos estados de BA, DF, GO, MG, MS, PR, RJ, RS, SC e SP.

Por fim, será criada outra nova empresa, a NewCo2, composta por ativos da Copagaz/Itausa e da Liquigás, que serão transferidos para a Fogás nos estados de GO e SP. A Fogás, entretanto, dado seu porte menor, participa residualmente da operação a fim de minimizar impactos regionais.

Em 2019, a Liquigás respondia por uma rede de aproximadamente 4800 revendedores e detinha 21,4% de participação no mercado de GLP, Além disso, a Liquigás atende cerca de 26 milhões de consumidores residenciais.

Empresas privadas visam apenas o lucro. Não existe preocupação social. O gás de cozinha, que já foi item da cesta básica no governo Lula, era vendido no máximo a R$ 30,00. Hoje, com as privatizações, vão passar dos R$ 100 e subir cada vez mais.

Em Pernambuco, o aumento do gás de cozinha vem sendo visto desde agosto, quando, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço médio variou de R$ 60 a quase R$ 80. Com isso, o gás de cozinha tem ficado ainda mais inacessível para as famílias pobres que, por vezes, dependem de campanhas solidárias de distribuição de gás.

Para o autônomo Francisco Gomes, de Petrolina (PE), tem sido cada vez mais difícil sair das dívidas. “Um botijão por R$ 80 é um absurdo. Aqui em casa nunca faltou porque Deus sempre mostra um meio, mas é tirando o dinheiro de uma conta para outra, pedindo emprestado, comprando no cartão. A gente tem que se virar”, comenta.

Na prática, a intenção de romper um oligopólio encabeçado pelo capital estatal pode dar lugar a um oligopólio dirigido pelo capital privado.

A consolidação de um oligopólio exclusivamente privado no setor não interfere sobre o aumento crescente da participação da revenda no preço do gás ao longo dos últimos anos, de modo que a medida não diminuirá o preço ao consumidor final.

A decisão impõe ainda a preocupação com outros aspectos, como os riscos de abastecimento em mercados mais distantes e relativamente isolados. Diferentemente de outros países, onde o GLP é utilizado em diversos segmentos e por isso a logística é muito diversificada, no Brasil a distribuição é realizada basicamente por uma malha rodoviária insuficiente.

Dessa forma, no caso brasileiro, municípios mais distantes e que dispõe de menos alternativas para a chegada do GLP podem sofrer com a saída da Liquigás, principalmente pela elevação de preços em locais com menos infraestrutura logística. A regulação, inclusive, precisará ser reforçada para que outros impactos negativos não ocorram.

Além disso, uma questão adicional é que a transferência patrimonial das empresas de distribuição não deve resultar numa desconcentração de mercado. Isso está relacionado à própria questão da infraestrutura.

Desde o início do mandato, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ministro da Economia, Paulo Guedes, defendem a venda de empresas estatais federais. Rogério Almeida, coordenador geral do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Petróleo de Pernambuco e Paraíba (Sindipetro PE/PB) , explica que, com a venda, o Governo Federal não tem mais controle sobre os preços que as distribuidoras vão aplicar para o consumidor final.

Rogério argumenta que tem sido visto um crime contra a pátria. “Esse governo entreguista está entregando todas as nossas riquezas. Estamos presenciando a Petrobras sendo fatiada e vendida aos pedaços”, defende.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas