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Bolsonaro ataca quilombolas para entregar base de Alcântara aos EUA
foguete base de alcantara
Bolsonaro ataca quilombolas para entregar base de Alcântara aos EUA
foguete base de alcantara

O governo de Bolsonaro faz acordo que permite aos EUA lançamento de satélites e foguetes a partir da base de Alcântara, no Maranhão. O documento foi assinado pelos ministros Ernesto Araújo (Rel. Exteriores) e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), e seguirá para aprovação do Congresso.

Trata-se de uma das posições geográficas mais privilegiadas do mundo para o lançamento de satélites, devido à sua proximidade com a Linha do Equador, onde os EUA conseguem economizar 30% de combustível em relação a outras bases, e se beneficiam de mais um entreposto para circulação de suas Forças Armadas. O centro de lançamento foi construído há cerca de 30 anos e vem sendo cobiçado pelos norte-americanos desde então.

Negociações preliminares foram feitas durante o governo de FHC, mas ficaram paradas por ferirem a soberania nacional. Agora, com o capacho-mor Jair Bolsonaro, o acordo não apenas foi assinado como contém cláusulas extremamente desfavoráveis ao Brasil. Por exemplo, os norte-americanos poderão manter em sigilo a tecnologia que utilizarão nos lançamentos, e os recursos obtidos pelo acordo não poderão ser usados no desenvolvimento de veículo lançador brasileiro. Bolsonaro cedeu uma parte do território nacional para os EUA, numa área extremamente estratégica à soberania nacional.

Inicialmente, a construção da base havia removido compulsória de 312 famílias quilombolas para sua instalação, sem consulta nem indenização. Na época, praticamente 80% do território do Município fora desapropriado em favor das Forças Armadas.

Atualmente, fala-se em expandir a área de atividades, o que implicaria em mais remoções. A região de Alcântara é habitada por cerca de 22 mil pessoas, o que inclui 210 comunidades quilombolas, que vivem da pesca e artesanato. Um processo de regularização de 78 mil hectares para estas comunidades está parado. Bolsonaro já havia declarado que não daria continuidade a processos demarcatórios. A apreensão dos quilombolas é grande, pois há riscos de que sejam feitas novas remoções de famílias para construções na base.