Bolsonaro afirma que “com movimento social não tem conversa”: mobilizar desde já contra os golpistas

MST faz manifestação por reforma agrária

Em entrevista concedida na noite da segunda-feira, o presidente ilegítimo, eleito pelo golpe, voltou a reafirmar a sua sanha em perseguir os movimentos sociais: “Movimento social que invade propriedade não temos que conversar com ele. Tem que ser enquadrado na lei”. Para Bolsonaro, como para toda a burguesia, a luta pela terra não é uma necessidade, não é resultado da profunda concentração de terras nas mãos de latifundiários, na entrega de recursos públicos para financiar os grandes produtores rurais que destinam suas produções para o mercado internacional ou ainda a escandalosa falta de moradia nas cidades para a população de baixa renda, mas se resume a “motivos ideológicos”.

Bolsonaro voltou a afirmar que vai tipificar ações do MST e MTST como terrorismo, que a propriedade privada é sagrada. “Quando você vê o pessoal do MST invadindo propriedades, depredando, matando animais, tocando fogo em prédio, você fica indignado com isso. Temos que ter uma relação bastante dura, para que esses que vivem fora de lei sejam enquadrados. Muitas vezes os proprietários entram com ação judicial de reintegração de posse, ganha na Justiça, mas os governadores não cumprem a ordem por questões ideológicas. Toda ação do MST e do MTST devem ser tipificadas como terrorismo. A propriedade privada é sagrada”.

A política de perseguição aos movimentos sociais em um primeiro momento, mas também aos sindicatos, partidos de esquerda e todos os movimentos que se oponham à política de massacre que o imperialismo e o grande capital nacional preparam para o Brasil não é o resultado da “vitória” eleitoral do candidato da extrema-direita, mas do golpe de Estado que promoveu o impeachment da presidenta Dilma, a prisão e perseguição ao Lula e que garantiu, também, a vitória eleitoral de um candidato golpista.

Nesse sentido, a direita se prepara para dar mais um passo no aprofundamento do golpe com a criminalização dos movimentos sociais. Quem está por trás dessa política são as Forças Armadas, mas precisamente o Exército, que já controla o Executivo, o Judiciário, ocupa militarmente o Estado do Rio de Janeiro e com o Decreto 9527/2018, publicado no Diário Oficial em 16 de outubro, que institui a “Força-Tarefa de Inteligência para o enfrentamento ao crime organizado no Brasil”, dá mais um passo em criar uma base institucional para uma intervenção militar ampla.

As organizações dos trabalhadores devem ter em mente que golpe deu um passo adiante com as eleições. Além do governo federal, houve um avanço de setores muito direitistas tanto no Congresso Nacional como nos governos estaduais. Tem o caso, por exemplo, de Goiás, que tem como governador eleito Ronaldo Caiado o criador da UDR, braço armado dos latifundiários no campo.

O que o movimento operário e popular deve ter presente é que não há tempo para tréguas. Os estudantes já deram várias demonstrações de como os fascistas devem ser tratados. O fundamental na etapa política que se abre é a mobilização imediata, nas ruas, a constituição de comitês de autodefesa, para enfrentar Bolsonaro e o seu governo e todos os golpistas.

Não adianta correr para a Justiça, para o Congresso bolsonarista. Não adianta correr para os braços da direita, que está toda com Bolsonaro e a burguesia. Não adianta acreditar nos “democratas” golpistas que derrubaram a Dilma e fizeram campanha pela condenação e prisão de Lula. Só a organização independente das massas populares poderá derrotar Bolsonaro. Bolsonaro disse que “com movimento social não tem conversa”. A esquerda e o povo tem que falar a mesma coisa: “com a direita e Bolsonaro, não tem conversa!”