Bolsonaro e Trump
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Na última segunda (26) foi publicado artigo na Reuters mostrando que o Brasil está facilitando para os Estados Unidos a deportação de brasileiros sem documentos, pedindo às companhias aéreas dos EUA que embarquem os deportados mesmo quando não possuem passaporte válido.

Segundo a agência britânica, as informações são de autoridades brasileiras, que pediram anonimato por não estarem autorizadas a falar publicamente sobre o assunto e pelo Brasil estar sob crescente pressão do governo Trump, correndo o risco de levar sanções caso não facilite a deportação de seus cidadãos detidos.

“A deportação de brasileiros sem documentos aumentou de 1.413 no ano fiscal de 2017 para 1.691 no ano fiscal de 2018, com os brasileiros sendo o sexto maior grupo de nacionais removidos dos EUA, segundo dados do ICE (Departamento de Imigração e Alfândega dos EUA)” revela a matéria. (tradução livre).

Uma das fontes também afirmou:

“Quando Donald Trump se tornou presidente dos EUA, a imigração ilegal tornou-se uma questão política central. A pressão aumentou muito e o Brasil foi ameaçado de sanções”.

Só até 10 de junho, 1.117 remoções de brasileiros já ocorreram. Considerando que o ano fiscal dos EUA vai até 30 setembro, este nº pode facilmente bater a marca de 1.691 deportados no ano passado.

Segundo o ICE, já em dezembro havia 334 brasileiros detidos aguardando julgamento ou deportação.

Declarações dos Bolsonaro

Em entrevista ao jornal Opção, de Goiás, em 2015, então deputado, Jair Bolsonaro disse: “… é menos gente nas ruas para fazer frente aos marginais do MST, dos haitianos, senegaleses, bolivianos e tudo que é escória do mundo que, agora, está chegando os sírios também. A escória do mundo está chegando ao Brasil como se nós não tivéssemos problema demais para resolver.”

Em entrevista a Fox News, durante visita a Washington – já como presidente capacho que foi para prestar contas ao patrão – Bolsonaro fez afirmações depreciativas sobre os imigrantes e elogiou o “muro de Trump” na fronteira mexicana, dizendo: “a maioria dos imigrantes não tem boas intenções”.

Na mesma oportunidade, Eduardo Bolsonaro, a quem Jair nomeou para ser o brasileiro
embaixador em Washington, disse que os imigrantes brasileiros eram “um problema para o Brasil, uma vergonha para nós”. O que ele esquece, é que seu próprio pai, o presidente Bolsonaro já havia dito que Eduardo queria se mudar para os EUA.

O contraditório é que essa declaração foi feita no mesmo dia em que Bolsonaro dispensou imigrantes dos EUA, Austrália e Japão, que forem ao Brasil, da necessidade de ter visto para entrar no país. Ou seja, os brasileiros não são bem vindos nos EUA, mas cidadãos de países imperialistas são todos bem vindos no Brasil, inclusive para turismo sexual, segundo Bolsonaro. No último 25 de abril, Jair Bolsonaro disse: “Quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade. Agora, não pode ficar conhecido como paraíso do mundo gay aqui dentro.”

O aumento da perseguição aos imigrantes e a facilitação da entrada de estrangeiros de países imperialistas em nosso país, somadas a estas declarações, mostram o completo entreguismo do governo golpista, que age contra seus próprios cidadãos para ser capacho dos EUA. Esse é o governo da extrema direita brasileira, “um tigrão contra seu povo” e “uma tchutchuca com o imperialismo”.

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