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No dia 24/07, quarta-feira, mais de 50 garimpeiros fortemente armados invadiram a Terra Indígena Waiãpi, no Estado do Pará e assassinaram a facadas o cacique Emyra Wajãpi, de 68 anos, cujo corpo foi encontrado no dia seguinte.

As informações demoraram a chegar, pois fica em um local distante e de difícil acesso e comunicação, mas as organizações indígenas estão denunciando e a própria Fundação Nacional do Índio (Funai), controlada pelos golpistas bolsonaristas, teve que confirmar os conflitos e a morte do cacique Waiãpi. “Podemos concluir que presença de invasores é real e que o clima de tensão e exaltação na região é alto”, concluiu o memorando interno.

Já o presidente ilegítimo, Jair Bolsonaro, disse em entrevista coletiva que “não tem nenhum indício forte” de que ele tenha sido assassinado. “Não tem nenhum indício forte que esse índio foi assassinado lá. Chegaram várias possibilidades, a PF está lá, quem nós pudermos mandar nós já mandamos. Buscarei desvendar o caso e mostrar a verdade sobre isso ai”, afirmou o presidente fascista.

A tentativa de Bolsonaro de minimizar os conflitos e o assassinato do cacique é para acobertar os assassinos que ainda estão dentro da Terra Indígena Waiãpi e seu estímulo a invasão destas terras por, neste caso garimpeiros, mas também madeireiros e latifundiários para forçar a abertura dessas áreas para mineradoras e o agronegócio.

Tanto que no dia 25/07, um dia após o assassinato, em um evento na cidade de Manaus, Estado do Amazonas, Jair Bolsonaro declarou novamente que promete a legalização de garimpos também dentro de terras indígenas. Ou seja, os garimpeiros têm o aval e incentivo do governo de Bolsonaro para invadir e explorar as riquezas minerais dentro das terras indígenas.

Os garimpeiros estão sendo utilizados como “bucha de canhão” do governo Bolsonaro e das mineradoras para forçar a abertura das terras indígenas para a mineração. São trabalhadores miseráveis que estão sendo financiados por esses setores e justificar a exploração dessas terras, já que “já acontece mineração nessas áreas”. Isso foi revelado pelo ministro fascista do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que em entrevista à BBC Brasil sobre a ideia de permitir a mineração em terras indígenas, a resposta foi “Já existe mineração ilegal em terra indígena.”

O governo de Jair Bolsonaro vai acobertar os assassinatos, os conflitos e utilizar dessa violência, realizada pela própria direita bolsonarista, contra os indígenas para justificar a abertura da exploração das terras indígenas pelas mineradoras internacionais. Para isso, está se utilizando dos garimpeiros e da crise para ter uma exploração “mais racional” e sem conflitos, mas não tem nada de racional e sem conflitos. É uma maneira de forçar os indígenas a abrirem suas terras diante da falta de opções e da violência desenfreada estimulada pelo governo golpista.

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