Fascismo
Setores da extrema-direita brasileira tentam copiar grupos paramilitares fascistas de Ucrânia. Esquerda deve se mobilizar e cortar o mal pela raiz!
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Foto: All Ucrania Union Licença: CC BY 3.0
Manifestação pró-fascista na Ucrânia | Foto: All Ucranian Union

Em épocas de crise, o capitalismo utiliza sua arma “final”, o fascismo. A crise de 1929 serviu como pretexto para o imperialismo dar total apoio a governos como de Mussolini, Hitler, Franco e Salazar. Dada a crise 2008, a qual o sistema ainda não parece ter se recuperado plenamente, reascendeu-se o fascismo. A Ucrânia foi um dos laboratórios para testar a viabilidade de grupos fascistas. Desde o golpe de 2014 ocorrido lá, grupos fascistas vem se apropriando cada vez mais do Estado, tanto por vias “democráticas” quanto pela violência contra opositores.

Dado sucesso conseguido lá, a burguesia tenta replicar a fórmula em outros países para conter a crise de superprodução capitalista, agora, acelerada pelo COVID-19.

Apesar de haver muita discussão acadêmica sobre o que é fascismo ou não, é claro como a água que os grupos de extrema-direita estão tomando a dianteira neste momento. As eleições de Donald Trump, Boris Johnson, Jair Bolsonaro e Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria, são sinais de que a situação já é crítica e tende a piorar caso não haja a real mobilização da esquerda mundial, pois estes governantes se mostram completos apoiadores de grupos mais radicais.

No último domingo (24), na manifestação pró-Bolsonaro, que ocorreu na avenida Paulista, em São Paulo, os manifestantes estenderam, no alto de um trio elétrico, a bandeira do grupo Pravyy Sektor (Setor da Direita), um grupo fascista altamente violento e repressivo. Este agrupamento fascista ucraniano tem como lema “Ucrânia! Deus! Liberdade!”, algo muito próximo de lemas bolsonaristas como “Deus, família e pátria!” ou “Brasil acima de tudo! Deus acima de todos!” Portanto, é inegável que os bolsonaristas buscam inspiração em grupos fascistas de fora do país.

Durante a pandemia, enquanto a esquerda pequeno-burguesa se limita a protestos virtuais, a extrema-direita vai às ruas. É necessário salientar a gravidade desta falta de combatividade da esquerda, pois incentiva, ainda mais, que os fascistas saiam às ruas e se armem. Recentemente, setores da direita propuseram criar um grupo paramilitar, chamado “300 do Brasil”, para “defender” Jair Bolsonaro de um possível “golpe”. A estratégia real desses grupos é repetir o que aconteceu na Ucrânia, onde através da demagogia e da violência, o Estado é colocado sob seu controle, aprofundando, ainda mais, a opressão às minorias.

Apesar do caráter beligerante dos fascistas brasileiros, os fatos recentes mostram que possuem uma estrutura ainda frágil. Grupos de torcedores de diversos clubes, em várias capitais, e o PCO, junto a outros partidos e organizações da esquerda, em Brasília, dão exemplo claro que é possível, sim, colocar os fascistas para correr. Entretanto, isso não deve ser usado como motivo para subestimar estes grupos, pelo contrário, é necessário cortar o mal pela raiz.

Portanto, é mandatório que a esquerda comece a se mobilizar e enfrentar os fascistas nas ruas. Se não, corre-se o risco desses grupos receberem ainda mais apoio e se sedimentarem como uma força política maior ainda.

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