Aprofundamento do golpe
Após a deposição do governo de Evo Morales e a subsequente subida da golpista Jeanine Añez, as massas têm se exprimido cada vez mais em torno da revolta contra o regime
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Secretário executivo da COB, Juan Carlos Huarachi | Créditos: Reprodução

As tensões aumentam na Bolívia. Após a deposição do governo de Evo Morales e a subsequente subida da golpista Jeanine Añez, o destino das massas têm se exprimido cada vez mais em torno da revolta contra o regime. Já não é a primeira vez que o governo golpista de Añez manobra para adiar as eleições; afinal – a condução do governo se dá em completa oposição às demandas populares.

O recado já havia sido dado: se a fascista Añez e sua camarilha tentassem manipular as eleições, os golpistas experimentariam a ira do povo. Juan Carlos Huarachi, secretário executivo da Central Obrera Boliviana (COB), proclamou na terça-feira, 28, o início imediato de uma greve por tempo indeterminado. Acordado para 6 de setembro, as eleições podem não ser garantidas, se depender do governo golpista.

Adriana Salvatierra (Movimento ao Socialismo – MAS), senadora que também fora pressionada à deixar o governo e abrir caminho para a política fascista de Anẽz e sua quadrilha de mercenários, denunciou a manobra da golpista e se opôs ao adiamento. Definida por uma ação “ilegal e arbitrária” do Tribunal Eleitoral – nas palavras de Salvatierra, as eleições nacionais passa para o dia 18 de outubro – negligenciando o acordo antes firmado. Essa manobra do governo golpista de Añez busca ganhar tempo, visto que a transitoriedade do seu governo venceu há bastante tempo, o que, invariavelmente, obrigaria a realização de eleições no primeiro semestre deste ano.

Como já se sabe, seria pura ilusão acreditar nos métodos institucionais. Os operários bolivianos, por sua vez, destacam que as manifestações incluem greve de fome, paralisação e bloqueio de estradas. Assim que a greve foi declarada, manifestantes tentaram bloquear a rodovia no setor de El Alto que se comunica com La Paz. O processo já está em andamento e marchas são realizadas nos departamentos de La Paz e Cochabamba. Mostrando que o caminho da luta contra o golpe está nas ruas, organizações de mulheres marcham a partir das 08:00 (horário local), da Avenida 6 de Agosto e Panamericana, na região de Cochabamba. Tudo indica que esse seria o início de confrontos mais duros contra o regime golpista. O momento exige uma grande organização dos operários, que se segue através várias reuniões e marchas na Bolívia, em resposta à convocação feita pelo COB. Nas palavras de Juan Carlos Huarachi, “El Alto está mais do que unido e se une ao chamado da COB para defender a saúde, vida e democracia”. Os golpistas não perderam tempo, e o ministro da Presidência, Yerko Núñez, deu mostras do que é a extrema-direita. Núñez solicitou ao Ministério Público que tomasse ões judiciais contra as pessoas que promoveram a marcha, incluindo a liderança sênior do MAS, sob o pretexto de estarem cometendo “crimes contra a saúde pública”.

Assim como no Brasil, a extrema-direita está literalmente se lixando para a população. Enquanto a pandemia encomenda caixões, o governo paga o coveiro. Na fila do auxílio, os capitalistas pilham os caixas e deixam as moedas para a população. Esta situação, não obstante, pode acontecer no Brasil, e isso destaca um fator crucial para a esquerda: não adianta ter uma política voltada para as eleições. Neste ano, inclusive as eleições deverão ser mais antidemocráticas do que na ditadura, pois vão utilizar a pandemia como pretexto para impedir que a esquerda faça qualquer tipo de campanha.

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