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golpe de Estado
Bolívia: o fascismo latino-americano tira a máscara
Os massacres impostos por grupos fascistas na Bolívia, como o Comite Civico de Santa Cruz, dirigido por Camacho, são uma política consciente do imperialismo e dos golpistas
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Bolívia: o fascismo latino-americano tira a máscara
Os massacres impostos por grupos fascistas na Bolívia, como o Comite Civico de Santa Cruz, dirigido por Camacho, são uma política consciente do imperialismo e dos golpistas
Luis Fernando Camacho Vaca. Imagem: reprodução
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Luis Fernando Camacho Vaca. Imagem: reprodução

Os brutais ataques promovidos pelos bandos fascistas bolivianos contra a população civil e desarmada do País foi a mais eloquente demonstração de que o golpe de Estado é a política oficial do imperialismo para a América Latina e, ao contrário do que muitos democratas esquerdistas apontam, os golpes visam impor pela força a destruição de qualquer resistência popular à implementação das medidas golpistas.

A Bolívia se transformou em um exemplo clássico da evolução do fascismo diante dos golpes no continente. Na verdade o Brasil poderia ser incluído nessa condição até porque existem muitas semelhanças entre o golpe militar nos dois países, o avanço da extrema-direita, o papel de retaguarda cumprido pela esquerda e a tentativa de estabelecer acordos com os próprios golpistas. A diferença, entre as duas experiências tem mais haver com a velocidade com que o golpe avançou abertamente com características fascistas no caso boliviano. No Brasil, o desenvolvimento do golpe foi muito mais gradativo, o que não significa, no entanto, que em sua evolução o golpe no Brasil não vai assumindo características cada vez mais fascistas, bolsonaristas.

Tanto a extrema direita brasileira como a boliviana foram paridas pelas direita desses países, pelo imperialismo. Grosso modo pode-se fazer um paralelo entre o governo Dilma e o governo Morales, entre o opositor de direita, Carlos Mesa, e Aécio Neves, e ainda, entre Bolsonaro e Camacho. Tanto lá como cá, na medida em que o golpe foi avançando, a extrema-direita foi avançado sobre o regime político, anulando a própria direita. Na Bolívia o processo foi dinâmico e evoluiu dentro da própria crise aberta pela direita, com o apoio do conjunto dos golpistas, questionando o resultado eleitoral. Da recontagem de votos à renúncia (ou exílio forçado) de Evo Morales foi a medida para a extrema-direita fascista ficar à frente do golpe. No Brasil, o processo foi muito mais moroso até chegar ao governo Bolsonaro, mas tanto aqui como lá, a opção fascista não era o plano A, mas a alternativa de cartola do imperialismo.

No desenvolvimento do golpe, a direita boliviana pariu o seu próprio Bolsonaro. Luís Fernardo Camacho Vaca é um político fascista oriundo da província de Santa Cruz de La Siera, localizada na fronteira com o Brasil e a região mais rica da Bolívia. De uma família milionária, ligada ao gás boliviano, com a chegada ao poder de Evo Morales, sua família perde parte de sua riqueza com a nacionalização do gás. 

Camacho é o principal dirigente do Comitê Civico de Santa Cruz de La Siera, movimento de extrema direita que tem entre seus financiadores latifundiários brasileiros ligados ao plantio de soja na região. Camacho, também admitiu que foi apoiado pelos governos fascistas do Brasil e da Colômbia e pelos golpistas venezuelanos.

A grande repressão que o movimento fascista desencadeou na Bolívia é, também, uma demonstração de que o fascismo é um movimento ativo e o organizado na Bolívia. O próprio Camacho foi militante de uma organização conhecida com Unión Juvenil Cruceñista (UJC) , acusa de preparar atentados contra Evo Morales e promover agressões contra militantes de esquerda e indígenas

O movimento fascista boliviano tem, inclusive, uma linha de continuidade com o grupo La Falange Socialista Boliviana, de inspiração franquista e que fez partido do governo do ditador Hugo Banzer, em 1971. 

A esquerda tem a obrigação de tirar as conclusões necessárias sobre o avanço do fascismo na região. Não se trata de um fenômeno isolado, mas de uma política consciente do imperialismo que, diante da profunda crise terminal por que passa, vale-se do fascismo com o objetivo de esmagar a resistência popular à política de destruição neoliberal, como vemos no atual momento.

Apenas uma reação a altura das organizações operárias e populares será capaz de derrotar os objetivos macabros do imperialismo e de seus bandos fascistas. Desse ponto de vista, questões chave como a constituição de comitês de autodefesa e o armamento da população devem estar na ordem do dia.