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Golpe militar
Bolívia: deputados e ministros do MAS renunciam; o golpe está dado
Três parlamentares do Movimento ao Socialismo (MAS) e dois ministros do governo Morales renunciaram, concretizando o golpe militar.
Bolivia
Golpe militar
Bolívia: deputados e ministros do MAS renunciam; o golpe está dado
Três parlamentares do Movimento ao Socialismo (MAS) e dois ministros do governo Morales renunciaram, concretizando o golpe militar.
Forças Armadas da Bolívia. Foto: Reuters
Bolivia
Forças Armadas da Bolívia. Foto: Reuters

Da redação – Os parlamentares bolivianos David Ramos, Rubén Medinaceli e María Simoni, que integram o Movimento ao Socialismo (MAS), renunciaram hoje (10) a seus cargos no Poder Legislativo. O ministro Cesar Navarro, ministro da Mineração, e Luis Alberto Sánchez, ministro dos Hidrocarbonetos, também abandonaram seus postos. As renúncias se deram no mesmo dia em que o presidente da Bolívia Evo Morales, principal liderança do MAS, foi deposto, junto com seu vice, pelas Forças Armadas.

Após uma série de protestos de grupos da extrema-direita boliviana, financiados diretamente pelo imperialismo, em conjunto com a direita parlamentar e com a imprensa capitalista, as Forças Armadas concretizaram hoje mais um golpe militar na Bolívia.

O deputado David Ramos deixou claro que sua renúncia é, na verdade, um golpe de Estado, uma vez que o parlamentar foi pressionado a abandonar o cargo:

Não posso colocar minha família e minha casa em risco e, por esse motivo, estou simplesmente apresentando minha renúncia à posição que até agora tenho exercido na Assembléia Legislativa Plurinacional como deputado nacional e como presidente da Brigada Parlamentar de Potosina.

Segundo David Ramos, movimentos de extrema-direita teriam invadido sua casa e despejado as pessoas presentes.

Os senadores Rubén Medinaceli e María Simoni também expressaram, em suas renúncias, o caráter violento das investidas da extrema-direita. No entanto, se colocaram a favor de uma “pacificação” do país, que é a palavra de ordem do imperialismo para neutralizar a ação das massas.

Assim Medinaceli se despediu de seu cargo:

Diante dos resultados da auditoria realizada pela OEA (Organização dos Estados Americanos), inesperada para mim diante do estado de convulsão que o país vive atualmente, decidi renunciar ao cargo de senador do Estado Plurinacional da Bolívia.

Simoni, por sua vez, declarou que:

Na minha qualidade de senadora titular eleita pelo meu povo e em face das ações políticas sociais que surgem no país, em prol da pacificação e do retorno à democracia e para impedir mais derramamento de sangue de nossos filhos e irmãos, que apresento minha renúncia irrevogável como senadora titular da Bolívia.

Com um discurso semelhante, o ministro dos Hidrocarbonetos do governo Morales também apresentou renúncia neste domingo:

Com o desejo de que nossos irmãos bolivianos, tanto os que apoiam o processo de mudança quanto os que não o apoiam, deponham atitudes violentas e busquem o caminho da pacificação, decidi apresentar minha renúncia irrevogável ao cargo Ministro de Hidrocarbonetos.

Por mais que as renúncias denunciem o caráter violento e antidemocrático da extrema-direita boliviana, apoiada pelos setores fundamentais da burguesia, o caminho da “pacificação” não é o caminho da vitória da esquerda.

Quem está nas ruas atacando o povo boliviano é a direita, a serviço dos grandes capitalistas, que querem destruir a Bolívia, assim como está sendo feito no Brasil, no Equador, na Colômbia, no Paraguai e no Chile. Por isso, é preciso denunciar as investidas da extrema-direita e reagir à altura a todas as provocações.

A direita não irá parar de atacar os trabalhadores com as renúncias. A única maneira de impedir que isso aconteça é por meio de uma mobilização permanente do povo boliviano para expulsar do país os parasitas que acabaram de dar mais um golpe militar.