Golpe militar
Evo Morales, deposto por um golpe militar no último domingo (10), falou que o povo boliviano deveria resistir à ofensiva da direita.
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
evmex
Evo Morales é recebido pelo Secretario de Relações Exteriores do México. Foto: Twitter |

No dia 10 de novembro de 2019, o imperialismo conseguiu derrubar mais um governo nacionalista na América Latina: o governo Evo Morales, da Bolívia. Após uma série de investidas da direita boliviana, as Forças Armadas exigiram a saída de Morales da presidência. Morales acabou renunciando, sendo seguido pelo seu vice, pelo presidente do Senado, pelo presidente da Câmara dos Deputados e por outros membros de seu partido, o Movimento ao Socialismo (MAS).

Embora Evo Morales tenha renunciado, a pressão feita pela direita e pelas Forças Armadas não deixa dúvidas que o que aconteceu na Bolívia foi um golpe militar. A operação realizada pela direita faz parte de uma ofensiva do imperialismo no continente, que já destituíram os governos do Paraguai (2012), Honduras (2009), Brasil (2016), entre outros. O capitalismo se encontra em uma crise profunda, de modo que a direita está procurando estabelecer, em todo o mundo, governo que esteja completamente alinhados aos interesses dos bancos.

Para barrar a ofensiva golpista sobre a América Latina, há apenas uma única política: a da mobilização revolucionária dos trabalhadores, que são os únicos interessados em enfrentar a burguesia até as últimas consequências. O enfrentamento, ao exemplo do que vem acontecendo no Chile, é a única maneira de fazer com que a burguesia se sinta acuada e, portanto, ceda às reivindicações dos trabalhadores.

A política da mobilização para o enfrentamento, no entanto, não foi a que o governo Morales escolheu para impedir que a direita derrubasse seu governo. Evo Morales, diante de pouco mais que duas semanas de protestos artificiais orquestrados pela extrema-direita boliviana, cedeu à pressão do imperialismo e permitiu que a Organização dos Estados Americanos (OEA), diretamente controlada pela burguesia mundial, tutelasse as eleições bolivianas, que reelegeram o líder popular para seu quarto mandato.

No domingo (10), quando a OEA declarou que houve fraude nas últimas eleições presidenciais, Evo Morales capitulou novamente e anunciou que seriam realizada novas eleições. Ao perceber que Evo Morales não estava procurando enfrentar a direita, e sim um acordo, as Forças Armadas o pressionaram para que renunciasse. Um acordo, nesta altura dos acontecimentos, seria impossível, pois não há como conciliar o interesse da burguesia de saquear o povo boliviano e o interesse dos trabalhadores em ter condições dignas de existência. O único acordo possível entre Morales e a burguesia seria um acordo que submetesse aquele humilhantemente a esta, o que, na prática, não é um acordo, mas sim um tratado de rendição.

A política conciliadora de Evo Morales, que é a mesma política da esquerda pequeno-burguesa em toda a América Latina, que não quer derrubar o governo Bolsonaro, nem quis derrubar o governo Macri e se posiciona de maneira “neutra” em relação à Venezuela, na medida em que é uma política que dificulta a mobilização, acabou por permitir que a extrema-direita avançasse nas ruas. A situação tomou tamanha proporção que Evo Morales se viu obrigado a sair do país do qual era presidente até pouco tempo.

Hoje, exilado no México, Evo Morales fala em “resistir”. A política da resistência, apontada por Morales, é, no entanto, a mesma política de resistência que vem sendo aplicada pela esquerda pequeno-burguesa no Brasil: uma política destinada ao fracasso. “Resistir” ao governo Bolsonaro, e não atacá-lo, tem feito com que a burguesia permaneça com o controle do regime político em suas mãos. Se a crise do governo não fosse tão grande, a direita já teria partido para uma ofensiva brutal sobre os trabalhadores, visto que não está sendo confrontada com uma mobilização que coloque a luta pelo poder político no centro da discussão.

Ao mesmo tempo em que fala em “resistir”, Evo Morales declarou que renunciou para evitar um derramamento de sangue e que esperava que seus opositores, os fascistas Carlos Mesa e Luis Fernando Camacho, assumam o papel de pacificar o país. A resistência seria, portanto, contestar e denunciar a ofensiva golpista, mas não partir para cima da direita para impedir que ela avance.

A única maneira de evitar que o sangue dos trabalhadores bolivianos seja derramado copiosamente e de fazer com que o povo resista de fato à pressão do imperialismo é por meio de um grande enfrentamento das massas com a burguesia. É preciso sair às ruas e reagir à altura todas as provocações da direita, combatendo nas ruas desde a extrema-direita religiosa às Forças Armadas golpistas. Não ao golpe militar na Bolívia! Fora imperialismo da América Latina!

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas