Manifestações direitistas
Valério Arcary, dirigente do PSOL, defende que as manifestações golpistas na Bielorrússia são uma revolução
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Belarusian opposition supporters with old Belarusian national flags light their smartphones as they gather at Independence Square in Minsk, Belarus, Tuesday, Aug. 25, 2020. Authorities in Belarus are steadily cranking up the pressure on protesters who are pushing for the resignation of the country's authoritarian leader. They have jailed several opposition activists, summoned others for questioning and selectively ordered demonstrators to appear in court. (AP Photo/Sergei Grits)
Bandeira vermelha e branca remete à ocupação nazista do País. | AP Photo/Sergei Grits

O dirigente da corrente Resistência do PSOL, Valério Arcary, é mais um se juntar com os setores da esquerda que apoiam a tentativa de golpe na Bielorrússia. Em seu Facebook, Arcary defende a ideia de que o que há na Bielorrússia é um “processo de revolução democrática clássico” e lamenta a posição da esquerda brasileira, segundo ele o “internacionalismo nunca foi o ponto forte da esquerda brasileira”.

Arcary quer “internacionalismo” para apoiar as mobilizações na Bielorrússia, que segundo ele seriam revolucionárias.

Para justificar sua análise, Valério Arcary afirma que “nunca acontecem processos revolucionários ‘quimicamente’ puros. A idealização da luta social é uma romantização da história. Na vida real as lutas sociais são sempre processos complexos em disputa permanente.” De fato, os processos revolucionários são complexos e talvez venha daí a dificuldade de Valério Arcary. Talvez seja justamente na busca pela “pureza”, na “idealização” e “romantização” desse processo – que Arcary atribui aos outros – que o autor se confunde.

O autor se confunde porque vê nas manifestações de rua nada mais do que uma superficialidade. É uma ideia de tipo movimentista que afirma que “se tem massas nas ruas, é revolucionário”. O caso da Bielorrússia está muito longe disso. A liçaõ de outros países onde ocorreram golpes de Estado deveria ter servido para Arcary cuja política errada pôde ser vista no Brasil, na Ucrânia, no Egito. Em todos esses países, de acordo com a mesma avaliação que tem hoje sobre a Bielorrússia, Arcary não enxergou o golpe de Estado, embora hoje procure disfarçar suas posições.

O autor continua seu post no Facebook procurando nos dar uma lição explicando os fatores que devem ser analisados para avaliar uma mobilização, vejamos: “(a) qual é o programa, ou seja, quais são as reivindicações que colocam a mobilização em marcha; (b) quem é o sujeito social, ou seja, as classes ou bloco social à frente das lutas; (c) quem é o sujeito politico, ou seja, quem são as lideranças, partidos e movimentos à frente das mobilizações; (d) e quais são os resultados da mobilização, o que sempre é uma expressão do confronto entre revolução e contrarrevolução.”

Agradecemos Arcary pelos seus quatro fatores, que nos permite justamente chegar numa conclusão oposta à dele. De um modo geral, o “programa” das manifestações segue um padrão típico dos golpes: corrupção, acusações de autoritarismo, um programa divulgado pelo imperialismo. À frente das lutas, embora haja muita confusão sobre a participação da classe operária – alguns setores chegaram a participar -, estão setores de classe média. Decorre disso que os grupos políticos à frente do movimento se identificam com a extrema-direita, passados vários dias desde o início das manifestações, ficou clara a persença da bandeira vermelha e branca que remete à ocupação nazista no País. Além disso, partidos da esquerda, como o Partido Comunista, se colocam ao lado de Lukashenko.

E por fim, e talvez mais importante, os resultados da mobilização, como quer Arcary, caso seja vitoriosa, são ospiores posíveis para os trabalhadores, não apenas da Bielorrússia mas de todo o mundo. Uma vitória do imperialismo, que apoia abertamente as mobilizações, e seu consequente fortalecimento vai resultar no fortalecimento do golpe em outros países e portanto nos ataques contra os trabalhadores no mundo todo.

Para Arcary, que em seu texto no Facebook não procura responder as ponderações que ele mesmo levanta, o essencial das posições erradas de quem não acredita se tratar de uma “revolução democrática” na Bielorrússia seria o “campismo”; conclui ele: “Esta sonolência repousa na desconfiança de que o triunfo de uma revolução, autenticamente, popular possa abrir o caminho para um governo mais independente da Rússia. Portanto, o problema é o campismo.”

O problema não é a maior ou menor independência da Rússia, mas o fortalecimento do imperialismo na região. Esse é o problema fundamental. Arcary substitui uma teoria pela análise real de forças dentro e fora do País, ignorando que uma vitória do imperialismo na região nas enfraquece a Rússia apenas, mas toda a classe operária de maneira geral.

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