Educação, Saúde e planejamento
Crise política da Belarus tem início fora do país e no financiamento a grupos de extrema-direita
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Belarus está no meio do caminho entre a Europa e a Rússia. | Foto: Wikipedia Commons

Até este ano a Belarus era praticamente desconhecida da imprensa burguesa brasileira. Com as manifestações políticas que começaram a ocorrer a partir de agosto, com a nova vitória eleitoral do presidente Alexander Lukashenko (no poder desde 1994), esse pequeno país ( com uma população que não alcança 10 milhões) entre a Europa e a Rússia, ficou conhecido para grande parte do mundo e, via as agências de notícias ocidentais, também dos brasileiros, apesar de ser um país de longa história e tradição.

Em 1986, o país entrou no noticiário internacional por causa do acidente da Usina Nuclear de Chernobil, na Ucrânia. Esse desastre acabou atingindo a Belarus, pois a usina fica perto da fronteira entre os dois países, e contaminou 25% de seu território.

Hoje volta às manchetes porque é um dos últimos países da região a ser envolvido nas disputas internacionais e nas tramas políticas modernas impulsionadas pelo imperialismo, que aproveitou a última eleição para impulsionar movimentos internos para desestabilizar o governo de caráter despótico existente.

Nos anos 1990, com a crise e consequente desintegração da antiga União Soviética, a Belarus (á época ainda chamada de Bielorrússia – Rússia Branca) declarou sua independência da URSS. Isso ocorreu sem apoio popular ou até mesmo contra a vontade popular, diferentemente do que ocorreu com as repúblicas soviéticas bálticas (ao Norte) e na parte ocidental da Ucrânia (ao Sul).

Esse país foi integralmente destruído na Segunda Guerra Mundial, primeiro pelo avanço das tropas nazistas, depois no processo de debandada dessas mesmas tropas sendo aniquiladas pelo exército soviético. A recuperação do país foi uma das mais difíceis, mas hoje é um dos países com melhor desenvolvimento humano, a Belarus ocupa o 50º lugar no IDH (o Brasil está em 79º).

Outra proeza do país, seguindo o Banco Mundial, foi ter saído de 41,9% da população vivendo abaixo do nível de pobreza no ano 2000, para 5.6% em 2018 (BBC, 27/9/20), isso graças ao caráter planificado da economia, ainda dominante. A indústria e a agricultura é controlada pelo Estado (50% do PIB). A educação e a saúde são gratuitas, o desemprego é muito baixo e a taxa de alfabetização está em torno de 99%. Tem uma taxa de mortalidade infantil muito baixa de 2,9 (em comparação com 6,6 na Rússia ou 3,7 no Reino Unido). O índice de desigualdade é um dos mais baixos da Europa, segundo o PNUD.

É uma região cobiçada pelos interesses imperialistas tanto pelas características do potencial mercado, como por suas riquezas minerais (grandes jazidas de potássio) e especialmente por sua posição geopolítica. É, junto com a Ucrânia, uma das principais rotas de passagem do gás e do petróleo Russo para a Europa. Desestabilizar a região, para os EUA, coloca a Europa ainda mais nas mãos da OTAN. A grande imprensa internacional reverbera declarações constantes tanto dos EUA quanto da União Europeia de que não há interesses geopolíticos na crise iniciada na Belarus depois das eleições.

A esquerda tem pouca expressão nas manifestações. A maioria das organizações e partidos que têm destaque nas manifestações de rua da Belarus são de direita e extrema-direita, alguns nacionalistas, todos hostis à Rússia e amaioria pró-EUA, como o Partido da Frente Popular Bielorussa (PFPB), a Democracia Cristã, a Frente Jovem e o partido “Pela Liberdade”. Um dos heróis da Frente Jovem foi um dos mais cruéis assassinos da SS nazista (Revista Opera, 26/8/20). Situação que se assemelha muito a crises que têm ocorrido em várias partes do mundo na última década, e particularmente semelhante ao comportamento da extrema-direita brasileira – desde o chilique de Aécio Neves quando perde as eleições, ao endeusamento de torturadores fascistas como o coronel Brilhante Ustra.

O sucesso do governo Lukashenko frente as manifestações vai depender tanto do desenrolar das tensões internacionais, de caráter geopolítico, quanto da continuação do sucesso econômico da economia planificada, que se complementa com sucessos pontuais de outras áreas da indústria da computação. O país é um grande exportador de softwares de jogos de entretenimento, posição conquistada pela elevada escolarização de sua população.

A capacidade do país em produzir os alimentos que consome e a estabilidade de suas exportações (estatal Belaruskali produz 20% do potássio mundial, sendo a terceira maior exportadora mundial), garante à Belarus uma posição muito confortável na crise capitalista mundial. Mas a guerra econômica imperialista que se aprofundará no período pós-pandemia poderá mudar esse equilíbrio a depender de como a Rússia se posicionará nos próximos anos.

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