Vitória do imperialismo
Além do passado, a forma como Biden conquistou a momentânea vitória eleitoral não deixa dúvidas de que o suposto “menos pior” é justamente o mais perigoso
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Joe Biden discursa em Wilmington, no Estado norte-americano de Delaware
04/11/2020 REUTERS/Brian Snyder
Joe Biden, o candidato do imperialismo | Foto: REUTERS/Brian Snyder

Como que para esclarecer o equívoco cometido pela esquerda ao comemorar a suposta vitória de Joe Biden, candidato democrata na disputa pela presidência dos EUA, o jornal Folha de S.Paulo tirou uma matéria (“Exército vê menos conflitos no governo e mesmos projetos de defesa com eventual vitória de Biden”, 06/11/2020) informando que o alto comando do Exército vê de maneira positiva a vitória do representante do imperialismo, na medida em que uma mudança do eixo de poder americano pode provocar diminuição de conflitos no governo Jair Bolsonaro. O alinhamento dos generais não é, de forma alguma, surpreendente.

Joe Biden era o vice presidente americano na era Obama (2009 a 2016). Sem nenhuma coincidência, o primeiro ano desse governo já traz um golpe de Estado ocorrido em Honduras, com a deposição do presidente Manuel Zelaya em junho, marcando a retomada da onda de golpes na América Latina.

Para os brasileiros, o período marca também o início da escalada golpista, com o julgamento farsa do Mensalão levando dirigentes do alto escalão petista à prisão. Em 2013, Edward Snowden denuncia as criminosas violações de privacidade, em escala global, cometidas pela administração democrata, acrescentando que o Brasil era o país mais espionado pelo governo de Obama e Biden.

É revelado ainda a atenção especial do imperialismo contra a Petrobrás. A sequência de eventos inclui a articulação da operação Lava Jato, que hoje sabe-se com detalhes ter sido orquestrada pelo governo americano, através do FBI e do Departamento de Justiça. Finalmente, em 2016 (último ano completo de Biden na vice-presidência) o golpe que depôs a presidenta Dilma Rousseff e abriu a porteira para os ataques contra a classe trabalhadora.

Os ataques do imperialismo contra o País continuaram, porém, ainda seguindo as coordenadas políticas estabelecidas pelo governo do então vice-presidente Biden, sem que a administração Trump tenha conseguido produzir fatos novos tão relevantes quanto a Lava Jato.

Curiosamente, todos esses fatos ocorreram em um passado muito recente e, embora tenham atingido duramente os trabalhadores brasileiros, vêm sendo ignorados pela esquerda, que novamente mergulha de cabeça nas campanhas histéricas produzidas pela burguesia para atendimento de seus próprios interesses.

Contudo, a perspectiva de um mundo pior sob um governo Biden não se deve apenas ao seu passado de um dos mais monstruosos dos democratas. A forma como a vitória eleitoral foi obtida diz muito sobre os humores do setor mais poderoso da burguesia e seu apego às formalidades.

Exceto por poucos casos muito excepcionais, praticamente a totalidade dos grandes conglomerados de comunicação nos EUA apoiou Biden, e não tiveram pudor em censurar abertamente o candidato republicano.

Com a eleição americana sob questionamento, o resultado final permanece um tanto quanto incerto. Contudo, seja pelo histórico monstruoso de Biden, seja pela maneira fraudulenta com que conquistou a momentânea vitória, longe de significarem “bons ventos do Norte”, como celebrou a psolista Luciana Genro, devem deixar a esquerda e os trabalhadores em estado de alerta. Se nos EUA a preocupação com as aparências ruiu de maneira tão escandalosa, não é preciso muita imaginação para percebermos que o imperialismo deve endurecer com os países atrasados. A independência política dos trabalhadores torna-se uma necessidade maior diante de tal conjuntura.

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