Intervenção imperialista
Felipe Neto pede que governo norte-americano interceda em crise sanitária

Por: Redação do Diário Causa Operária

No início da semana, a norte-americana Pam Keith, apoiada pelo youtuber de direita Felipe Neto, defendeu abertamente a intervenção do imperialismo norte-americano no Brasil. Filiada ao Partido Democrata, Keith, que perdeu as últimas eleições para deputada, mas é considerada influente na região da Flórida chamou o presidente ilegítimo Jair Bolsonaro de “bruto corrupto, genocida, incompetente” e clamou: “é preciso intervenção internacional, já!“.

Como um bom lambe-botas do imperialismo, seguindo a tradição de todo direitista, Felipe Neto foi correndo ao encontro de seus patrões:

“Cara Pam, por favor, nos ajude… Eu fiz esse vídeo com o [jornal norte-americano] New York Times ano passado, eu imploro a você que o assista. Nós precisamos de ajuda. Por favor, faça essa mensagem chegar ao [presidente dos EUA] Joe Biden e à [vice-presidente dos EUA] Kamala Harris – nosso presidente está matando nossas pessoas desde o dia 1”.

A simples notícia tem todos os elementos para uma grande conspiração: Felipe Neto, Partido Democrata, Joe Biden e, como não poderia deixar de ser, uma negra norte-americana. Essa fórmula, que consiste basicamente na manipulação da opinião pública da classe média por meio do identitarismo, já foi utilizada em vários momentos para que o imperialismo levasse adiante a sua política. Foi a fórmula, inclusive, que garantiu a vitória de Joe Biden em 2020.

O fato de que Pam Keith é negra não está sendo, neste momento, explorada abertamente. No entanto, faz parte da propaganda geral do imperialismo: como a burguesia é incapaz de convencer a população de votar em seu programa, acaba lançando mão de expedientes desse tipo. Isto é, de que Pam Keith, independentemente de suas posições políticas, mereceria ser defendida porque é uma negra contra um presidente racista e fascista como Bolsonaro.

A política de Pam Keith, no entanto, é incrivelmente reacionária. Como ela fez questão de deixar claro, trata-se do clamor para que haja uma “intervenção internacional” no Brasil. E de quem seria essa intervenção, da classe operária internacional? Obviamente que não! Mas sim dos países imperialistas, aqueles que controlam a Organização das Nações Unidas (ONU) e todos os demais organismos internacionais. Pedir a intervenção internacional no Brasil é, portanto, pedir que os países imperialistas interfiram diretamente em um países atrasado, que já sequer é soberano de fato.

Sob esse ponto de vista, pouco importa se o governo Bolsonaro é genocida e inimigo do povo ou não. Bolsonaro é, sim, um fascista, mas só está no poder justamente por causa da interferência do imperialismo na política nacional, organizando e dirigindo o golpe de Estado que derrubou Dilma, promoveu a prisão ilegal de Lula e garantiu a eleição fraudulenta de Bolsonaro e todo o retrocesso imposto ao povo brasileiro.

Se o imperialismo tiver o direito de ingerir diretamente no País, não há porque melhorar em absolutamente nada a situação do País: a burguesia internacional imporá um representante ainda mais fiel aos seus interesses. É por isso, inclusive, que Leon Trótski, durante o governo semifascista de Getúlio Vargas, declarou que os comunistas, defrontados com um conflito entre um país oprimido com um governo fascista e um país imperialista com um governo “democrático”, deveriam sempre defender o país oprimido. E, nesta defesa, ter uma política de solidariedade da classe operária internacional para que a classe operária daquele país possa se insurgir contra o seu governo.

O fato de que foi Felipe Neto quem pediu a Pam Keith que apoiasse a intervenção imperialista no Brasil torna tudo ainda mais cristalino. Felipe Neto é um elemento da direita nacional, que disse estar situado politicamente entre João Amôedo e Ciro Gomes. Ou seja, é parte da direita golpista, cujo interesse maior não é a derrubada do regime golpista, mas sim recuperar um espaço perdido para a extrema-direita. E que se sustenta, fundamentalmente, pelas benesses concedidas pelo imperialismo na medida em que se mostram representantes fiéis da pilhagem internacional. Felipe Neto, inclusive, foi uma das pessoas eleitas pela revista Time como personalidade do ano, o que só comprova como o imperialismo lhe estima.

Por fim, o próprio conteúdo da fala de Felipe Neto deixa claro o que é a tal “intervenção”: uma iniciativa do governo de Joe Biden, homem da indústria armamentista, contra o Brasil. Obviamente, não é uma intervenção humanitária — ou seria tão “humanitária” como os Estados Unidos fizeram na Síria e na Venezuela.

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