Bloqueio Econômico
Joe Biden declarou que não vai suspender as sanções unilaterais impostas ao Irã, implementadas para impedir que o país persa enriqueça urânio e desenvolva armas nucleares
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Não está nos planos de Biden suspender as sanções unilaterais impostas ao Irã | Reprodução.
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Não está nos planos de Biden suspender as sanções unilaterais impostas ao Irã | Reprodução.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden (Partido Democrata), declarou no último domingo (7) que Washington não vai suspender as sanções econômicas aplicadas contra o Irã, a não ser que o país persa interrompa seu programa de enriquecimento de urânio.

Um pouco antes, o Aiatolá Ali Khamenei havia declarado que os norte-americanos devem suspender totalmente as sanções, antes que o país persa volte a cumprir os seus compromissos estabelecidos no Acordo Nuclear, assinado em 2015 por Teerã e o Grupo 5 + 1 (Reino Unido, China, França, Rússia, EUA e Alemanha).

No acordo, assinado na época do governo Barack Obama (Partido Democrata), os iranianos se comprometiam a pôr fim ao programa de enriquecimento de urânio, em troca do fim das sanções políticas e econômicas. Três anos após a assinatura, sob administração de Donald Trump (Partido Republicano), os EUA se retiraram do acordo e restabeleceram as sanções.

Os Estados Unidos têm como uma das suas prioridades, no âmbito da política externa, impedir que os iranianos desenvolvam armas nucleares. Na verdade, o Acordo Nuclear se configurava como um mecanismo de chantagem: ou os iranianos abdicavam de seu direito de desenvolver os meios necessários para sua defesa nacional, ou o imperialismo mundial iria matar de fome sua população e destruir sua economia.

O desenvolvimento de armas nucleares é um direito dos países atrasados, um recurso indispensável para a defesa nacional contra inimigos mais poderosos econômica e, por conseguinte, militarmente. Todos os países imperialistas possuem poderosos arsenais nucleares e se recusam a abrir mão deles. A questão central é que por mais fraco que seja um país, a posse de armas nucleares (exemplo da Coreia do Norte) permite que haja um relativo equilíbrio geopolítico, em virtude de seu poder destrutivo e dissuasório.

As sanções afetam duramente a economia iraniana e são responsáveis pelo empobrecimento da população civil. Setores fundamentais da atividade econômica, como o petrolífero, são atingidos pelo bloqueio comercial, que impede que empresas comercializem com companhias iranianas.  Além disso, as sanções afetam áreas como importação de remédios, alimentos, construção civil. As medidas são particularmente agressivas e destrutivas no contexto da pandemia do COVID-19.

No ano passado, os norte-americanos impuseram sanções às agências Centro de Pesquisa Espacial e ao Instituto de Pesquisa de Astronáutica. Os ativos destas instituições foram congelados e os vínculos com instituições americanas se tornaram proibidos. Após um dia desta ação, Washington repetiu seu habitual procedimento contra 16 entidades, nove pessoas e seis embarcações relacionadas com a comercialização de petróleo do país persa. O Corpo de Guardiães da Revolução Islâmica é considerado, pelo Departamento de Estado, uma organização terrorista.

As sanções aplicadas pelo imperialismo contra os governos de países atrasados, casos da Venezuela, Cuba, Síria, Coreia do Norte e Irã são um verdadeiro crime contra a humanidade. Os países imperialistas se reservam o direito de atentar contra os países cujos governos representem um obstáculo  – mesmo que moderado – para a garantia de seus interesses nacionais.

O imperialismo mundial, particularmente os Estados Unidos, não aceitou a Revolução de 1979, quando a população derrubou a monarquia do Xá Reza Pahlavi nas ruas. Este último era um aliado importante do imperialismo e constituía uma base de operações estrangeiras no Oriente Médio, particularmente no Golfo Pérsico. Desde a revolução, diversas medidas foram tomadas para derrubar o governo nacionalista burguês encabeçado pelos Aiatolás, como guerras (financiamento e apoio à invasão iraquiana em 1980), sanções políticas, econômicas e isolamento diplomático.

As afirmações de Biden, de que pretende manter as sanções contra os persas, dissolve as ilusões de que o político democrata seria melhor que o ex-presidente Donald Trump. A propaganda da imprensa capitalista busca passar a imagem de que Biden é um democrata, progressista, humano e a favor das minorias e direitos humanos. Biden e os democratas representam a ala do imperialismo travestida de “democrática”, muito mais perigosa do que o imperialismo com sua face agressiva, pelo potencial de manipulação que tem.

Nos últimos dias, o mandatário americano disse que estuda impor sanções aos países que desrespeitem os direitos da população LGBT. O que não passa de um pretexto disfarçado para manter a política de intervenção e pressão econômica sobre os países que se contrapõem aos interesses dos Estados Unidos.

A República Islâmica do Irã tem todo o direito de desenvolver armas nucleares para garantir sua defesa nacional. É preciso lutar para assegurar que todos os países atrasados tenham o mesmo direito democrático de desenvolver os meios bélicos necessários para garantir sua soberania e integridade territorial. Se os imperialistas querem um mundo livre de armamento nuclear, eles devem dar o exemplo e eliminar o arsenal que possuem.

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