EUA
Joe Biden é o candidato fundamental do imperialismo e sua eleição não representa, de forma alguma, uma vitória contra o fascismo, ao contrário do que vem sido dito pela imprensa
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Joe Biden, o presidente eleito dos Estados Unidos | Imagem: Frederic J. Brown | AFP | Getty Images

Nessa última semana, teve final o processo eleitoral norte-americano. Após muita crise, muita manipulação e uma intensa campanha de toda a imprensa capitalista de conjunto, o candidato do Partido Democrata, Joe Biden, sai vitorioso contra Donald Trump, do Partido Republicano. Junto com toda a imprensa que expressa a política e opinião da burguesia, um grande setor da esquerda pequeno-burguesa comemora entusiasticamente a vitória de Biden.

A maior conquista da burguesia em todo esse processo foi conseguir vender a imagem de Biden como um grande defensor dos interesses do povo. O principal expediente argumentativo foi a falsa dicotomia entre o fascismo, representado por Trump, e a democracia, representada por Biden. Seria a barbárie contra a civilização. O homofóbico, racista, xenófobo contra o democrático, esclarecido, consciente.

Nada poderia estar mais longe da verdade. Primeiramente, deve-se tirar da frente todas as ilusões que se procura vender sobre Biden ser um candidato de esquerda. Na verdade, ele é um representante muitíssimo fiel do imperialismo norte-americano. Sua política fala pelos interesses dos setores mais poderosos da burguesia internacional. Particularmente, do mercado financeiro e da indústria armamentista. Entre os seus apoiadores políticos estão a família Bush, pertencentes, inclusive, ao Partido Republicano. Foi George W. Bush que invadiu o Iraque e o reduziu a ruínas, em um dos maiores crimes cometidos no início do século.

Quando senador, Joe Biden votou diversas leis que contribuíram para o aumento do encarceramento em massa nos EUA, que possui, atualmente, a maior população carcerária do mundo. Entre as leis por ele aprovadas no período em que legislava nos EUA, estão algumas que aumentavam a pena por tráfico de drogas, medidas para incentivar a construção de presídios no país e também um aumento de pena para quem realizasse violência contra as mulheres, dando uma ligeira demagogia esquerdista para sua sanha punitivista. Na época, sua colocação sobre a política de George Bush pai no que diz respeito à “luta contra as drogas” era de que ele estava sendo muito “mole” com os supostos “criminosos”. Isso se tratando de Bush, uma das figuras mais direitistas do Partido Republicano.

Além disso, Joe Biden foi vice-presidente de Barack Obama, que promoveu, entre muitas invasões, bombardeios, embargos econômicos e massacres, o golpe de estado no Brasil, que derrubou Dilma Rousseff em 2016 e pavimentou o caminho para a eleição do atual presidente, Jair Bolsonaro. Esta também pode ir para a conta do Partido Democrata e, particularmente, de Joe Biden, que fazia parte daquele governo. Além disso, ele já expressou de forma muitíssimo clara a sua intenção de endurecer as relações com países como Rússia, Venezuela, Coreia do Norte ou Cuba. Com relação à Venezuela, chegou a criticar Trump por ser “muito mole” com o país sul-americano.

Confusão na esquerda nacional

No entanto, a esquerda no Brasil procura ocultar todo esse currículo macabro de Joe Biden, confundindo a população e desorientando sua militância. Uma parte se mantém em silêncio sobre a questão ou adota uma posição vacilante. Outra parte, no entanto, comemora, em coro com a imprensa burguesa, a eleição do candidato democrata como uma gigantesca vitória da “democracia” sobre a “barbárie”. Essa política esquizofrênica não favorece em nada a luta do povo no Brasil, muito pelo contrário. As consequências da vitória de um representante puro sangue do imperialismo norte-americano podem ser desastrosas no nosso território e seria importante preparar a população para esse cenário.

É fundamental esclarecer que toda a confusão política da esquerda em torno dessa questão está relacionada com a crença de que Trump ou Bolsonaro seriam candidatos que estão tentando instaurar o fascismo em seus países, a contragosto da burguesia. No entanto, em todos os lugares onde houve regimes fascistas, isso foi feito com total apoio da burguesia. Trump pode até ser um candidato com uma ideologia fascistóide, no entanto, ele não conseguiu aplicar um regime fascista em seu país justamente porque não era conveniente para a burguesia realizá-lo naquele momento. Quando for de seu interesse, a burguesia coloca em prática o fascismo e, inclusive, se utiliza de Biden e setores pretensamente “democráticos” para auxiliá-los nessa guinada política.

Além disso, pretende-se realizar a mesma manobra Biden aqui no Brasil. A burguesia, através da política da frente ampla, irá indicar um candidato da direita tradicional – na qual ela confia muito mais do que em Bolsonaro – para derrotar o atual presidente de extrema-direita, e fazer toda uma campanha para que a esquerda embarque junto neste processo de ludibriar a população. 

O maior empecilho para essa operação é a existência do Partido dos Trabalhadores e sua principal liderança, o ex-presidente Lula, que se coloca contra a política da frente ampla. Deste modo, para conseguir levar adiante esse engodo, será preciso isolar Lula e a ala do PT que o apoia, impulsionando uma esquerda simpática e domesticada pela burguesia, como setores do PSOL e partidos como PDT ou PSB, que são de direita, mas fingem ser de esquerda. Nesse sentido, é preciso esclarecer que o que foi realizado nos EUA foi uma gigantesca manobra de fraude e manipulação do povo, que acabou possibilitando a vitória do candidato mais impopular, e não se deve permitir que o mesmo ocorra aqui no Brasil. É preciso lutar pela unificação de toda a esquerda em 2022 por Lula candidato.

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