Farsa da eleição
Um candidato da base da categoria foi impugnado pelo sistema de voto de Minerva controlado pela direção do BB
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Banco do Brasil | Foto: Reprodução

A direção golpista do Banco do Brasil iniciou, nesta semana, o processo de escolha de um “representante” dos trabalhadores para exercer o cargo no Conselho de Administração do banco (Caref). Já estão inscritos sessenta e seis candidatos, o primeiro turno de votação está marcada para se realizar de 08 a 14 de janeiro de 2021. Mas um fato, logo de cara, já chama atenção, de quanto é antidemocrático e ditatorial o processo quando: a direção do banco impugna uma candidatura da base da categoria.

Um candidato, da base da categoria, acaba de ser impugnado pela comissão eleitoral, composta de sete membros – três indicações do banco e três dos trabalhadores e o presidente da comissão designado pelo Presidente do Banco que, vejam só, detém o poder do voto de Minerva  e, foi justamente o voto de Minerva que determinou a impugnação do candidato.

A alegação da impugnação, conforme dita o “super democrático” regulamento eleitoral, se deu porque o candidato não cumpre o requisito de não ter ocupado cargo diretivo dentro da empresa. Um verdadeiro absurdo quando todo mundo sabe que esses engomadinhos que detêm Certificate in Financial Management, ou mesmo mestrado na Universidade de Chicago, Sorbone, etc. são responsáveis pela política de sugar toda a população e super explorar os trabalhadores, para beneficiar meia dúzia de parasitas capitalistas. Hoje o maior exemplo desse absurdo está sentado na cadeira da presidência do banco. André Brandão (comemorado pelos analistas financeiros em substituição ao Chicago boy Rubem Novaes) chefe global da instituição para as Américas, ex Citibank, ex presidente do HSBC, tem no seu curriculum, nada menos do que o crime de evasão de divisas de brasileiros que detinham contas no HSBC na agência de Genebra, na Suíça, no caso conhecido como SwissLeaks. São esses tipos de executivos que a direção fascista do Banco do Brasil quer para compor o Conselho de Administração da empresa. Não é de se admirar que uma candidatura representativa da base da categoria tenha sido impugnada.

O Banco do Brasil é um dos maiores bancos brasileiros, senão o maior na América Latina com cerca de 100 mil trabalhadores próprios, sem contar as terceirizações. É também uma empresa extremamente lucrativa, tendo anunciado no ano de 2019 um lucro líquido de 17,8 bilhões de reais, entretanto, toda a administração desta enorme empresa, bem como o futuro dos milhares de funcionários que nela trabalham, está concentrado nas mãos de cerca de um pequeno e restrito grupo de pessoas que, no geral, são totalmente desconhecidas dos trabalhadores, e que não têm, ou mesmo nunca tiveram, qualquer relação com o banco e com as lutas ou as necessidades dos trabalhadores bancários. São pessoas escolhidas a dedo pelos capitalistas que estão no governo, representados por partidos de direita e extrema direita que tiveram participação direta com o golpe de Estado, como o PSDB, MDB, DEM, PSL, etc. Estes ocupam importantes posições parlamentares e dirigem Ministérios, como o da Economia, BNDES, o Banco Central, com o objetivo de utilizar a sua influência política para indicar “assessores” aos cargos administrativos de empresas estatais, a exemplo do Banco do Brasil. Fazem isso para ter o poder de manipulação e de barganha sobre gigantescas quantias de dinheiro, contratos e financiamentos estatais diversos, e assim defender os interesses privados de camarilhas políticas e grupos empresariais que estão na administração pública apenas para se enriquecer, sempre à custa da exploração e do trabalho semi-escravo de milhões da classe trabalhadora.

A eleição de um “representante” do funcionalismo no Conselho de Administração do Banco do Brasil consiste, por parte do governo e da direção do banco, em ter um maior controle sobre o movimento sindical tentando iludir os seus trabalhadores.

O Conselho de Administração do banco é composto de oito membros sendo o presidente, vice-presidente e os três representantes da União são indicação direta do Ministro da Economia, ou seja do transloucada Paulo Guedes; dois eleitos pelos acionistas minoritários, e um membro “eleito” pelos empregados; é um órgão totalmente controlado pelo governo e pela empresa, desde a eleição até as tomadas de decisões. É claro que o representante do trabalhador não terá nenhuma função para as lutas dos trabalhadores já que tem função restrita, imposta por lei, nas deliberações que configurem “conflito de interesse”. O fato de ter apenas um representante, o que é até ridículo, serve para manter sob controle o próprio representante e também todos os trabalhadores.

Nesse sentido a impugnação de uma candidatura da base da categoria é mais um elemento da comprovação que o processo eleitoral para o Caref é uma verdadeira farsa.

Os patrões tentam de diversas formas convencer o trabalhador de que a melhor coisa é a conciliação. Mas os trabalhadores sabem muito bem que se não houver mobilização, greve, ocupações, ou seja, a utilização dos métodos tradicionais de luta da classe trabalhadora o patrão nunca vai atender suas mínimas reivindicações. Portanto, não adianta fingir que o funcionário agora estará representado, o que vale mesmo é saber quanto poder o trabalhador tem para arrancar do patrão tudo aquilo de que precisa para sobreviver. Esse é o bê-á-bá da política sindical. Isso é o que está por trás do Conselho de Administração do banco, além de ser parte da política de ataque aos direitos dos trabalhadores e à organização sindical.

Os trabalhadores devem se opor a esta manobra e lutar por uma gestão própria dos trabalhadores, lutando pela estatização do sistema financeiro, como única forma de dar transparência na destinação de seus recursos, colocando-o a serviço do desenvolvimento da sociedade.

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