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Esquerda à reboque da direita
“Basta de Bolsonaro” é o “fica, Bolsonaro” pelo menos até 2022
A direita trabalha a todo vapor para derrubar a esquerda, no Brasil como em toda a América Latina. A esquerda, ao invés de lutar pela derrubada da direita, só pensa em eleição.
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Esquerda à reboque da direita
“Basta de Bolsonaro” é o “fica, Bolsonaro” pelo menos até 2022
A direita trabalha a todo vapor para derrubar a esquerda, no Brasil como em toda a América Latina. A esquerda, ao invés de lutar pela derrubada da direita, só pensa em eleição.
Passeata em Curitiba, no último dia 27
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Passeata em Curitiba, no último dia 27

Qualquer manifestação popular, por menor que seja, tem uma palavra de ordem que é gritada automaticamente: “fora Bolsonaro!”

O ato do último dia 27 de outubro em Curitiba foi mais uma confirmação disso, pois juntamente com as palavras de ordem de Liberdade para Lula e Lula Livre, o Fora Bolsonaro  esteve presente a todo momento. Poderia se supor que pelo fato do PT não defender o Fora Bolsonaro, os milhares de militantes de base do PT, que estiveram no ato, acompanhassem a posição da direção do seu partido. Nada mais distante da realidade. Essa é mais uma demonstração de que é a política das direções da esquerda que está absolutamente na contramão das bases dos partidos de esquerda e dos movimentos.

Enquanto a direita trabalha a todo vapor para derrubar a esquerda e não só no Brasil, mas também no caso da Venezuela, do Equador, Honduras, Paraguai e no presente momento na Bolívia; a esquerda faz de tudo para evitar o chamado a derrubada da direita, como no caso do próprio Brasil, do Equador, do Chile e ainda o da Argentina, onde a esquerda assistiu durante 4 anos o governo Macri passar o povo argentino em uma máquina de moer carne. Todas essas situações já não apontam simplesmente de que a esquerda não esta mobilizando, mas que existe uma política consciente para impedir a mobilização.

No Brasil a situação chega a ser vexatória. Antes não podia ter “fora Bolsonaro” porque a população deveria ser mobilizada por pautas específicas, de que a política correta seria a da “resistência”, pois “estamos diante de uma onda reacionária”, entre muitas outras bobagens. Com as explosões sociais ocorridas na América Latina contra a mesma política de destruição nacional implementada no Brasil e a própria evolução à esquerda na consciência das massas, embora em muito menor envergadura, Psol, UNE, entre outras entidades se apressaram em chamar atos em várias cidades do País, sob a bandeira do “Basta de Bolsonaro”.

O que significa exatamente um ato que tem como palavra de ordem central o “Basta de Bolsonaro”? Por que tamanha esforço para não usar a palavra de ordem que está na boca de toda a militância e da população em geral, que é o “Fora Bolsonaro”? “Fora Bolsonaro” é claro. Bolsonaro tem de sair agora! Já! A resposta a essa indagação é simples. Os atos convocados para ontem (dia 5) foram uma espécie de “cala boca”. É um arremedo de satisfação para um movimento que está se radicalizando. Pior ainda, é uma tentativa explícita de conter a revolta desses vários setores e canalizar isso para fins eleitorais!

Ano que vem tem eleições. É ano de muita demagogia. É a política de falar mal de Bolsonaro, mas deixar ele aí, para que tudo seja resolvido pela “democracia” das urnas. Nada de mobilizar. Nada de movimento para derrubar Bolsonaro.

O ato se torna ainda mais escandaloso, quando se observa que a “liberdade de Lula” não é reivindicada. Isso, em um momento em que existe uma repercussão mundial gigantesca, mesmo entre os setores mais moderados da esquerda. Qual seria o motivo para não defender Lula? O julgamento foi uma fraude absoluto, os golpistas nunca conseguiram provar nada contra o ex-presidente. Lula é o principal preso político do País e talvez do mundo e a esquerda brasileira não coloca essa questão crucial como bandeira? Aqui também tem um outro problema. A esquerda só defende e quando defende Lula em discurso. Lutar pela sua liberdade implicaria em mobilizar. Assim como não querem mobilizar pelo “Fora Bolsonaro”, também não querem mobilizar pela “Liberdade de Lula”. Trata-se de uma política consciente de colaboração com o golpe, com o bolsonarismo e com a ditadura.

A esquerda com essa política covarde  de não denunciar a prisão de Lula e mobilizar pela sua liberdade,  transforma-se em cúmplice da farsa judicial judicial que é uma engrenagem fundamental do golpe de Estado que levou Bolsonaro ao poder, portanto cúmplice do golpe e de Bolsonaro e do movimento de setores bolsonaristas e das Forças Armadas por um golpe militar.

Jogar todas as expectativas para o calendário eleitoral é deixar nas mãos da direita a solução para a crise que corrói o regime golpista. Muito mais além do que um erro político, o erro da esquerda pode ter implicações históricas para o destino da classe operária e dos explorados brasileiros e da América Latina.