A minha bandeira é o lucro
Mesmo recebendo mais de 1,2 trilhões de reais do governo federal, os bancos dificultam a concessão de empréstimos para as pequenas e médias empresas aprofundando a crise no País
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Dinheiro à vontade para os bancos. | Foto: Reprodução

Em 23 de março deste ano o Banco Central do Brasil anunciou um pacote de ajuda aos bancos com a justificativa de diminuir o impacto da pandemia do coronavírus sobre a economia do país. Segundo o presidente do BC o pacote destinou o volume de 1,2 trilhões de reais, algo em torno de 16,7% do total do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Esse monstruoso volume de dinheiro foi enviado diretamente aos bancos privados para que estes facilitassem o crédito aos pequenos e médios empresários e evitar o desemprego em massa.

Em contraste, alguns dias depois foi aprovado o projeto que previa o auxílio aos trabalhadores autônomos, ou seja, o auxílio emergencial. O total de recursos destinado para isso foi de 43 bilhões de reais, ou seja, apenas 3,5% do que foi destinado aos banqueiros, uma fatia ínfima para socorrer a população mais necessitada de ajuda.

Passados três meses do recebimento dos 1,2 trilhões de reais pelos bancos constatou-se que as concessões de empréstimos aumentaram apenas em 50,4 bilhões em relação ao mesmo período de 2019. Deste modo, apesar da enorme injeção de recursos feito pelo governo este dinheiro não está chegando às mãos dos empresários. São inúmeros os relatos sobre as dificuldades para se conseguir as linhas de crédito.

Uma pesquisa feita pelo Sebrae e pela FGV mostrou que 86% das empresas que buscaram empréstimos desde o início da pandemia tiveram suas solicitações negadas ou ainda esperaram a análise de seus pedidos. Apenas 14% deste tiveram sucesso em receber o crédito. Foram ouvidos mais de 10.000 empreendedores de micro e pequenas empresas.

A questão do risco dos empresários não conseguirem pagar esses empréstimos se tornou outro escândalo para os cofres públicos já que foi feito um acordo com o Tesouro Nacional que vai garantir 85% do risco através do Fundo Garantidor De Operações do Banco do Brasil e os restantes 15% por um fundo constituído pelo Sebrae. Ou seja, não há risco algum para os bancos de perder os valores emprestados. Fica evidente que este é o tipo de sistema preferido pelos capitalistas. Nas crises a ajuda rápida dos governos e risco zero de perder dinheiro.

Mas como já era de se esperar de um governo ilegítimo como o de Bolsonaro, estes R$1,2 trilhões foram usados pelos bancos apenas para gerar ainda mais lucros para a camada mais privilegiada da burguesia. Fica claro que esta medida não passou de apenas uma desculpa para distribuir mais dinheiro público para a burguesia. Fosse uma política econômica séria o governo poderia obrigar os bancos a cumprirem o acordo de disponibilizar os recursos a todos os que precisassem. No entanto esta sobre de dinheiros nos bancos é ainda remunerada diariamente, às custas da dívida pública. Então é extremamente vantajoso para os bancos não fazerem absolutamente nada.

É sabido que o setor financeiro é conhecido pela sua infinita capacidade de ganhar dinheiro e tirar proveito das situações de crise. Viu-se que os bancos tiveram recordes de lucros no primeiro ano do governo Bolsonaro, um ano em que a crise geral do país já era latente, economia parada e sem perspectivas de crescimento. Neste ano, com a pandemia travando toda atividade econômica, podemos prever que os lucros dos bancos atingirão níveis estratosféricos. Sempre com a ajuda dos seus amigos, os governos neoliberais. Com as previsões de privatização de alguns dos maiores setores estatais do país como os Correios e a Eletrobrás para o ano que vem, o céu é o limite para os capitalistas.

Para os banqueiros a crise do coronavírus não é nada, a não ser mais outra oportunidade de mais uma rodada de jogatina, sem nenhum risco de perder.

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